quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Crítica: Vicky Cristina Barcelona


por Joba Tridente
Curitibano, de certa forma, não acha muita graça em comédia de Woody Allen. Humor inglês, então, nem pensar. Bem, como não sou (apenas estou) curitibano, me sinto livre para rir de tudo que é e que pareça ser engraçado.

Sessão da tarde.
Eu me divertindo, rindo. Na minha frente duas mulheres cochichando, durante o filme todo Filme termina e um delas me olha por um bom tempo e depois sai. Acompanho os créditos. Saio da sala. Elas estão me esperando querendo saber porque eu ria tanto.
- Como assim?
- É um filme dramático, tenso, sério, como o senhor pode achar graça?
- É um filme de Woody Allen, com a sua paleta de humor para todos os gostos (evidentemente para quem gosta de um bom humor): sutil, ferino e até mesmo negro, sempre desvelando o que nos parece o ridículo de cada um.
- O senhor acha que somos ridículos? O ser humano é ridículo?
- Acho! Principalmente quando amamos sem qualquer limite. Woody Allen brinca com todas as possibilidades do amor e o desejo intenso, reprimido, ciumento, neurótico, possessivo... Se amamos intensamente somos ridículos. Se reprimimos intensamente esse desejo somos ridículos. O que torna a vida, de certa forma, divertida, se não para a gente, ao menos para os outros. Sim, porque se não somos nós, são os outros. Há sempre o eu e o outro. O ser humano complica o que parece simples: a entrega ao prazer.

Ah, o desejo! Ah, a vontade!
Há sempre um bando de críticos enfadonhos enterrando Woody Allen, filme após filme, como se ele fizesse filme para a crítica e não para o seu público cativo ou não. Viva Woody Allen! Assim como em Dirigindo no Escuro, fica claro (ôpa!) que tudo é uma questão de como se vê um filme do grande diretor. Acredito ter visto todos os filmes de Woody Allen e penso que em nada perdeu sua produção européia: dos londrinos Match Point, Scoop e O Sonho de Cassandra ao espanhol Vicky Cristina Barcelona. Não o vejo como um Woody Alien em terras do velho continente, mas um sujeito ainda com os pés bem firmes no chão e sabendo muito bem onde anda ou navega. O amor e as relações humanas (até mesmo as não-humanas), o desejo e a repulsa ao sexo, em mãos certas, pode resultar em deliciosas e maravilhosas obras de arte, como no filme Cashback, de Sean Ellis, com uma edição fantástica e um registro fetichista raramente visto no cinema.

No delicioso, divertido e alucinante Vicky Cristina Barcelona tudo funciona: roteiro, atores, música belíssima, fotografia magistral..., muito além de um simples postal. Nele, talvez o mais sensual dos filmes de Woody Allen, enquanto o amor é desejo intenso, o sexo se insinua em cada recanto turístico ou não de Barcelona e de Oviedo. A luz quente, a brisa campestre, o roçar de corpos, o sussurro, a música catalã..., tudo tão à flor da pele, transforma expectador em bem mais que mero voyeur

O sensualíssimo Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, Espanha, EUA, 2008) visita Woody Allen de outros tempos e outros filmes, mas por outras portas e janelas sempre abertas para novas experiências amorosas, avassaladoras, transgressoras, inesperadas..., e nunca confessadas. É divertido e longe de qualquer divã!

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