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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Crítica: Missão: Impossível - Efeito Fallout



Missão: Impossível - Efeito Fallout
por Joba tridente

Para alegria geral dos fãs de um bom entretenimento escapista de ação e aventura sem limites, com uma pegada de suspense e pitadas de humor (eventual), o incansável e sempre prestativo agente (nada discreto) Ethan Hunt (Tom Cruise) está de volta para (mais uma vez) salvar o mundo e para um (recorrente) mea-culpa catártico, que o joga num turbilhão de emoções a medir seu futuro a partir de seus atos heroicos e de um traumático relacionamento amoroso do passado, em Missão: Impossível - Efeito Fallout (Mission: Impossible - Fallout, 2018).


Com roteiro e direção de Christopher McQuarrie (Missão: Impossível - Nação Secreta; Jack Reacher - O Último Tiro), dando sequência ao MI - Nação Secreta (2015), Ethan (Cruise) retorna para impedir que o terrorista Salomão Lane (Sean Harris, melhor aqui, que no filme anterior), tenha sucesso com suas ideias literalmente bombásticas (“quanto maior o sofrimento, maior a paz”) de explodir partes do mundo. Numa trama um bocado confusa e cheia de reviravoltas, onde, além de questões envolvendo terroristas ”Apóstolos do mal” (ex-Sindicato?) e negociadores de núcleos de plutônio, se discute também se a vida de um agente policial vale mais que a de milhões de humanos, Hunt irá precisar ainda mais dos parceiros Benji Dunn (Simon Pegg) e Luther Stickell (Ving Rhames) para desatar tantos nós..., e, é claro, de muita astúcia para saber até onde pode confiar na misteriosa agente britânica Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) e no arrogante agente americano especial da CIA August Walker (Henry Cavill).


Falar em roteiro mirabolante, em mais uma possível missão quase impossível, onde nem tudo é o que parece ser, é redundância. Efeito Fallout não foge à regra delineada nos primeiros filmes e se vale (bem) dos excessos de violência agregados a cada unidade para, com sua quase ininterrupta ação vertiginosa, compensar a narrativa embaralhada e que a maioria dos espectadores certamente deixará de lado logo na primeira reviravolta, se é que tenha entendido alguma coisa até ali. Quem se deixar levar pelo fiapo de história que "faz" algum sentido e se apegar mais nas providenciais sequências (revigoradas) de ação muito bem coreografadas (diga-se de passagem), com Ethan Hunt e seu incansável dublê Tom Cruise (mais uma vez) correndo a pé, de carro, de motocicleta, de helicóptero, para deter ou escapar dos vilões, irá aproveitar melhor a diversão passageira que, se possível deve ser vista em 3D IMAX (onde só a sequência na Caxemira, já vale o ingresso).


Missão: Impossível - Efeito Fallout tem algumas falhas ou soluções (discutíveis!) de script (preguiçoso) que não só subestimam a inteligência do espectador como parecem criadas apenas para justificar mais uma previsível sequência de perseguição e tiroteio, como aquela em que (não é spoiler, está no trailer) o agente secreto Hunt coloca o perigoso terrorista Salomão, com um capuz preto, sentado no banco do carona (ou seja: no banco da frente e bem na mira de qualquer bom caçador de recompensa) e três agentes (Benji, Luther e Walker) espremidos no banco de trás de um pequeno carro. Ãnnnn? Das soluções apressadas, foi a que mais me incomodou. Porém, como o foco é a ação desenfreada, que cobre praticamente uns 90% da trama (que é o que interessa ao espectador atrás de uma boa válvula de escape) e não o contexto sobre terrorismo e psicopatas (pois este não é nenhum analítico filme cabeça), uma ou outra escorregadela pode passar batida (no meio do barulho) e sem comprometer o desenvolvimento do enredo (um tanto pífio) e de seu previsível final.


Assim, considerando o ótimo elenco, a entrega (sempre) incondicional de Tom Cruise e a impactante presença de Henry Cavill, justificando a barba e o polêmico bigode; lembrando que os efeitos especiais impressionam (o que é aquela desesperadora cena do Salomão dentro d’água?); vendo que, mesmo com alguns vacilos, a direção de Christopher McQuarrie é acertada; ressaltando que o humor (mesmo involuntário) e pontuações dramáticas valorizam a história; reconhecendo que (mesmo parecendo requentadas) as cenas de tiroteio, pancadaria e perseguições, em formidáveis sequências por Paris, Londres e Caxemira (a dos helicópteros, com a luta no topo da montanha, me pareceu a melhor) vão fazer o público se mexer na cadeira..., este Missão: Impossível - Efeito Fallout pode ter um enredo confuso, mas em se tratando de filme de ação (tresloucada), embora se estique muito além do necessário, é eficiente e cumpre muito bem o que propõe: passatempo sem compromisso. É, sem dúvida, um ótimo entretenimento, mas o meu MI favorito ainda é Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (2011).


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Crítica: A Múmia

A MÚMIA
por Joba Tridente*

Conta-se que, lá nos idos de 2014, o Dracula Untold (Drácula: A História Desconhecida), da Universal, era para ser o prólogo de um novo selo-franquia, o Dark Universe, dedicado ao resgate de monstros clássicos dos “primórdios” do cinema e do estúdio. Mas, com o vampiresco fiasco e apostando na memória curta do espectador, bombardeada por tanto filme-catástrofe de super-herói, a Universal esperou a poeira baixar para lançar um novo e ambicioso prólogo ao seu projeto: A Múmia (The Mummy, 2017)..., cuja missão é tirar dos túmulos de celuloide o Frankenstein, a Noiva do Frankenstein, o Van Helsing, o Lobisomem, o Homem Invisível, o Fantasma da Ópera, o Monstro do Pântano...


Como quem assistiu aos trailers (que só vi depois da sessão especial) já sabe tudo o que vai acontecer no drama de ação e aventura, pois 80% da trama estão lá (em desavergonhado spoiler), não há muito a dizer sobre a sinopse. Mas, caso saiba nada a respeito: ..., lá pras bandas do conflituoso Oriente Médio, o corajoso militar e ladrão de túmulos ou vice-versa Nick Morton (Tom Cruise) e o seu medroso parceiro Chris Vail (Jake Johnson), numa de suas ambiciosas empreitadas, são surpreendidos pelos terroristas do Estado Islâmico (os inimigos da vez!) e salvos por um explosivo pelotão do exército inglês, que causa a abertura de uma antiga tumba. Com a chegada providencial da arqueóloga Jenny Halsey (Annabelle Wallis), ficamos sabendo que o mausoléu guarda (ou prende!) a urna com o corpo da renegada princesa egípcia Ahmanet (Sofia Boutella), enterrada viva por cometer crimes hediondos.


Paralelamente, em Londres, operários do metrô encontram uma imensa sepultura de Cruzados (aqueles truculentos soldados do exército católico que matavam, escravizavam e roubavam quem não aceitava a religião do seu deus do amor). O que o túmulo inglês tem a ver com a tumba egípcia? Pela coincidência (?), tudo! Pela lógica (?), nada! Porém (sem ele não tem história!), no voo para a capital inglesa, onde o sarcófago será aberto e a múmia estudada pelo Dr. Henry Jekyll (Russell Crowe), chefão da organização secreta Prodigium, um grave acidente na aeronave desencadeia “estranhos” (e reciclados) acontecimentos. Aí, está armado o pandemônio (de sempre?), com o desfile de mortos-vivos e vivos-mortos, monstros, fantasmas etc...

Com seus três “prólogos” de apresentação (Antigo Egito para a princesa Ahmanet; Oriente Médio para os ladrões Nick e Chris; Londres para o (médico e monstro) Dr. Henry Jekill), A Múmia, cuja história foi escrita por três autores e o roteiro por mais três, é um verdadeiro balaio de ratos trançado com gaze elástica costurada com finas teias de aranhas. Após os “prólogos”, a claudicante ação em Londres, se resume nos pífios argumentos do Dr. Henry (sabe-se lá como ainda está vivo!): “desenterrar o mal para estudar o mal e (assim) combater o mal”. Entendeu? Não importa, já que nem mesmo a presença da secular múmia se justifica neste clube de ambiciosos (é claro!) vilões. Acredite, não há sequer um personagem bom (ou íntegro) nessa história descerebrada. Todos, além de rasos, são maus. A única coisa que interessa a cada um deles é a riqueza, o poder. Se for preciso matar (e está na cara que é!) para dominar o mundo (!), faz parte do pacote “macabro”.


Apesar do que disse acima (e ou por isso) A Múmia, dirigido por Alex Kurtzman, é um filme de terror infantojuvenil que não assusta nem criança do fundamental. Toda via do barulho infernal, no entanto, se não estiver com o phone do smart no ouvido, um jovem pode até pular da poltrona, com os indefectíveis áudio-sustos explodem tímpanos, que ressuscitam até mosca morta. Apesar da intenção, A Múmia não provoca medo algum. As piadas (ou gags) são horríveis. Risível mesmo, só a malfadada tentativa de parecer trash e ou filme “B”.


Tom Cruise passa praticamente o filme inteiro com cara de basbaque, olhos estalados, como se não tivesse a menor noção do que está fazendo em cena. Até aquele meme do Travolta confuso é mais dramático e emocionante. Já a “arqueóloga” Jenny, de Wallis, parece estar ali só pra cumprir cota (e ser salva), assim como Brie Larson, a “fotojornalista” Mason, em Kong - A Ilha da Caveira. Se o insípido Dr. Jekill, de Crowe, não está claro a que veio..., é melhor você concluir por conta própria a “importância” do bobalhão Vail, de Johnson. O filme só não é um desastre total porque tem uma ou duas sequências razoáveis. Se bem que a do avião “gravidade zero” parece sobra de Missão Impossível. Por que só umas duas? Ora, porque a maioria vai lhe parecer já vista em alguma sala de cinema, na tv e ou na telinha do seu pc.


Enfim, considerando que A Múmia não vai muito além de vitrine para o vaidoso ator e dublê Cruise mostrar a sua invejável forma física de atleta; que a melhor performance (e personagem!) é a de Sofia Boutella (Ahmanet); que nem só de boas intenções se faz um filme original (com velhos personagens) de terror ou suspense; que fazer humor não é contar piada chula (de orgasmo de 15 segundos) ou múmia falar inglês “porque é uma língua de fácil domínio”; que seria interessante saber a opinião Robert Louis Stevenson (1850-1894) sobre a “imortalidade” de seu personagem Dr. Henry Jekill (Será que o Victor Frankenstein tem algo a ver com isso?); que os diálogos são um horror (ôps!); que a história infantojuvenil é apenas a convencional (ressuscita-se uma múmia (do mal!) mas não se tem domínio sobre ela); que o triângulo amoroso Ahmanet/Nick/Jenny é um quadrado (não conto!) e tosco..., acho que o público alvo, que não gosta de dar muito trabalho aos seus neurônios, pode até gostar da pancadaria sem sangue mas com muita poeira (ou seria cálcio?) de ossos quebrados.

Quanto a mim, acho o press-book, com as informações sobre a produção do filme e as “revelações” da paixão da equipe (desde criancinha) por monstros, muito melhor!


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Crítica: Missão: Impossível - Nação Secreta


Quando Missão Impossível chegou aos cinemas, lá nos idos de 1996, assim meio claudicante, não se imaginava que a série de tv, criada em 1966, chegaria tão longe. Lá se vão 19 anos e não parece que a franquia esteja dando sinal de cansaço. Pelo contrário, depois da guinada do sensacional Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (2011), de Brad Bird, com seu humor inesperado, parece que os agentes da IMF (Impossible Mission Force) vão continuar (nem que seja temporariamente) contratados para atrapalhar (sempre que preciso) os planos de algum psicopata.


Missão: Impossível - Nação Secreta (Mission: Impossible  - Rogue Nation, 2015), dirigido por Christopher McQuarrie, que escreveu o roteiro em parceria com Drew Pearce, traz uma história meio confusa, envolvendo um Sindicato (do crime) especializado em manipular e lucrar com a guerra e a paz no fio da navalha entre as nações. Porém, que espectador vai se importar com a confusão armada pelo terrorista Salomão Lane (Sean Harris), a ser resolvida (de uma forma ou de outra) por Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe, formada por Benji Dunn (Simon Pegg), William Brandt (Jeremy Renner) e Luther Stickell (Ving Rhames)..., se conseguirem se livrar da insistente e misteriosa agente Ilsa Faust (Rebecca Ferguson)? Sei não, mas acho que Hollywood precisa urgentemente rever a vilania de seus frustrados vilões. Nem eles acreditam na própria motivação. Ou será que os roteiristas estão apostando na redenção dos malvadões?


MI - Nação Secreta é ação insana praticamente do começo ao fim, com ao menos três sequências sensacionais. A primeira (quem chegar atrasado vai perder) é do assalto de Ethan/Cruise a um avião em movimento. A segunda, que pode deixar muita gente sem fôlego, mistura água e curto-circuito. A terceira e melhor delas, que me lembrou a eletrizante sequência final de o Poderoso Chefão 3 (1990), quando a ação acontece em três planos diferentes, em meio à apresentação da ópera Cavalleria Rusticana, de Mascagni - se passa no Vienna State Opera, durante a encenação da fantástica Turandot, de Puccini, cuja belíssima área Nessun dorma acaba pontuando as cenas de Ilsa com Hunt. A cena-opera é bem escrita, bem coreografada e muito bem-humorada.


Aliás, é o humor que, assim como em MI - Protocolo Fantasma, alavanca a narrativa simples e valoriza o mais do mesmo da ação: perseguição de carro, perseguição de moto, tiros a esmo em lugar público; e do drama: desmantelamento (outra vez?) e ilegalidade (de novo?) da IMF. E nesse quesito, a vez é do ótimo Simon Pegg com o seu prestativo e engraçado TI Dunn. Por falar em Pegg, há uma controvérsia quanto ao game Hallo 5 que o personagem Dunn joga. Todavia, como não tenho a menor ideia de plataforma, deixo a discussão para os fãs do jogo.

Missão: Impossível - Nação Secreta é diversão pipoca bem ao gosto dos meninos: mais moderada no açúcar (romance) que no sal (pancadaria). McQuarrie faz excelente direção e o ótimo elenco, ainda que o vilão Salomão Lane (de Harris) não seja dos mais convincentes, dá conta da brincadeira mocinhos e bandidos. Enfim, não há muito que falar. E precisa? Pode não ser melhor que o MI 4, mas é um bom programa para quem gosta do gênero.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Crítica: Oblivion



Tom Cruise está de volta e de novo na pele de um Jack e mais uma vez pronto para salvar a Terra..., ou o que restou dela, após uma invasão alienígena em 2017. O thriller de ação, romance (morno) e aventura (juvenil) de ficção científica se passa no pós-tudo em 2077, em uma Terra devastada e aparentemente deserta. Jack Harper (Tom Cruise) e sua companheira Victoria Olsen (Andrea Riseborough) são responsáveis pela manutenção de equipamentos de segurança. Quando não está consertando Drones ou caçando alienígenas saqueadores, Jack está tentando dar sentido aos seus estranhos e repetitivos sonhos com uma garota que nunca conheceu. Porém, duas semanas antes do casal se juntar aos terráqueos sobreviventes em Titã (maior lua de Saturno), a queda de uma aeronave, o resgate de uma astronauta, Julia (Olga Kurylenko), e a desconfiança sobre os alienígenas e a comandante da operação, Sally (Melissa Leo), colocam em risco a missão e a vida do patrulheiro. A verdade nunca esteve tão lá fora da sua torre de vidro.

Oblivion (Oblivion, EUA, 2013), dirigido por Joseph Kosinski, é baseado em um romance gráfico que escreveu em 2005. O roteiro de Karl Gajdusek e Michael DeBruyn, infelizmente, não é dos mais originais. Se é que é possível ainda encontrar originalidade em sci-fi pré ou pós-apocalíptico, provocado ou não por ataque alienígena. Assim como em Matrix, ele parece uma imensa colcha de retalhos de filmes do gênero (até daqueles que só foram lançados em vídeo) e não dispensa um filosofismo barato de botequim. O que pode ser fonte de diversão (é de tal... !) e ou de irritação (ah, não...!) para um cinéfilo-fã atrás de novidades.


Oblivion tem uma história curiosa, que poderia render muito, porém a quantidade de referências o torna óbvio e cansativo. Cruise e Riseborough fazem o que podem com seus apáticos personagens (protagonistas), mas não chegam a envolver o espectador. A apatia é pertinente na parte da trama que lhes cabe (faz jus ao título: Esquecimento), no entanto, mesmo com o aparecimento de coadjuvantes menos apáticos, o filme não decola, não arrebata. O que tem em ação rotineira (tiroteio e perseguição) falta em humor..., até mesmo nos momentos mais bucólicos. Quando não se tem a poesia do mestre Ray Bradbury, há que se preocupar, ao menos, com a coerência ou com o tesão..., se não a diversão fica pelo caminho!

Enfim, para compensar a rala narrativa dramática, escamotear os buracos e os clichês, só mesmo a deslumbrante produção. Oblivion é tecnicamente irretocável. A fotografia de Claudio Miranda, a direção de arte de Darren Gilford e efeitos visuais de Eric Barba são fascinantes. Realmente é o que vale para quem gosta do gênero e quer arriscar a dar uma olhada e ou para quem não é lá muito exigente, mas é fã de Cruise.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Crítica: Jack Reacher - O Último Tiro



Quem esperava ou imaginava que, após soltar a voz em Rock of Ages (2012), o Tom Cruise iria buscar novos desafios, pode ir tirando o seu colete a prova de bala do guarda-roupa, porque o astro voltou com tudo (novamente!) a protagonizar (outra vez!) um filme de ação. É claro, no (sempre!) papel de mocinho (agente, detetive, policial etc) bang-bang.

Jack Reacher - O Último Tiro (Jack Reacher, EUA, 2013), com roteiro e direção de Christopher McQuarrie, é mais um thriller policial, no estilo pulp fiction, com variação mínima ao gênero hollywoodiano. Fazendo jus aos clichês violência: tiros, socos, perseguição de carros etc. Fazendo jus ao politicamente correto: hematomas, sim..., sangue explícito, não! Como se sabe, o estadunidense fica traumatizado ao ver sangue. A trama gira em torno de um assassino (cada dia mais comum nos EUA) que atira a esmo e mata cinco pessoas numa manhã em Pittsburgh. A investigação policial leva a um suspeito que nega a autoria e pede para chamar um tal Jack Reacher (Tom Cruise), um justiceiro solitário (ex-militar!) que está mais para seu carrasco do que para seu amigo. O problema é que ninguém sabe onde se encontra esse Reacher, que decide se quer ou não ser encontrado. Enquanto as autoridades discutem sobre a existência do sujeito, ele entra em cena, desconfia da movimentação nada amistosa ao seu redor e das provas contra o assassino Barr (Joseph Sikora), aceita trabalhar com a defensora pública Helen Rodin (Rosamund Pike) e parte para os “finalmentes” que indicam algo muito maior por trás dos “assassinatos casuais”.


Com aguçado sentido de observação e habilidade para solucionar crimes, pelas vias da dedução básica ou da força bruta, Reacher parece uma versão rústica de Sherlock Holmes (sem o Dr. Watson), de Arthur Conan Doyle. Baseado em Um Tiro (One Shot), o 9º volume de uma longa série policial criada pelo escritor britânico Lee Child, protagonizada por Jack Reacher, o filme de ação (tradicional) e suspense (clássico) começa bem, com sequências arrepiantes. No entanto, a narrativa interessante e envolvente, que desperta curiosidade no prólogo, aos poucos vai perdendo o fôlego. Lá pelo meio deixa a inteligência de lado, ganha ares rocambolescos, abusa da violência e da firula e desemboca num epílogo pífio. Nessa história que vai se tornando confusa e sonolenta, vale destacar a participação do cineasta Werner Herzog no papel (truncado) do cruel Zec. O Reacher, sombrio e inexpressivo (?) na performance de Cruise, está mais para personagem de HQ. No geral, o elenco atua no automático.

Jack Reacher - O Último Tiro é diversão passageira para aquele público pouco exigente e ou de memória curta. Como o gênero policialesco (literário, cinematográfico) a cada dia passa mais ao largo da originalidade, os fãs das séries policiais de TV vão se sentir em casa. Assistir aos mesmos atores sempre nos mesmos papéis (apenas com nomes diferentes) também não ajuda. O filme carece daquela boa dose de humor que popularizou James Bond e deu um charme especial ao Ethan Hunt, em MI-Protocolo Fantasma. Até tem uma ou outra gracinha (nas constrangedoras sequências de lutas), mas nada realmente engraçado. Por outro lado, o bom é que, com isso, ficamos livres das indefectíveis piadas escatológicas machofalocratas, apesar dos resquícios das insinuações sexuais por trás (ôps!) das grades.


Para quem desconhece o famoso personagem, segundo o escritor Lee: “Reacher veio de todas as leituras que fiz ao longo dos anos. Ele é um personagem lendário, baseado em mitos, que aparece em todos os períodos da História - o forasteiro misterioso, o nobre solitário. Um sujeito com princípios relativamente elevados, mas que, por alguma razão, é banido e vai vagar por aí fazendo boas ações. Ele é a metáfora de algo que todos nós secretamente desejamos, que é a justiça. Esse é o grande apelo de Reacher, tanto para homens quanto para mulheres. Especialmente as mulheres, acho, sentem-se ofendidas pela injustiça. Reacher fará o que for preciso, sem receio de nada, para corrigir  uma situação errada. É claro, há muita violência nos livros, sem concessões. Mas eu creio que secretamente, lá no fundo, queremos isso. Queremos ver as coisas serem corrigidas e os malfeitores, punidos”. Então, tá!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crítica: Rock of Ages - O Filme



Às vezes somos traídos pela memória e levados a acreditar que o gênero musical anda meio bissexto nas salas de cinema. Mas, nada como o Google para nos lembrar de que, na última década, pipocaram algumas boas variações de musicais por aqui: Moulin Rouge - Amor em vermelho (2001), de Braz Luhrmann; Chicago (2002), de Rob Marshall; Dreamgirls - Em busca de um sonho (2006), de Bill Condon; Hairspray - Em busca da fama (2007), de Adam Shankman; Across the Universe (2007), de Julie Taymor; Mamma Mia! (2008), de Phyllida Lloyd; Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2008), de Tim Burton; Burlesque (2010), de Steve Antin; entremeados de alguns títulos europeus: 8 Mulheres (2002), de François Ozon; Canções de Amor (2007) de Christophe Honoré; Apenas Uma Vez (2007), de John Carney..., e algumas bobagens juvenis estadunidenses, na entressafra.

Rock of Ages - O Filme (Rock of Ages, EUA, 2012), dirigido por Adam Shankman, é a deliciosa versão de um musical homônimo, da Broadway, que fala do que de melhor e de pior aconteceu no mundo rock dos anos 1980. A comédia narra, por meio de hits do rock’n’roll (e suas variantes: rock pop, pop rock, hard rock, glam metal etc), a romântica história de Sherrie Christian (Julianne Hough), uma garota ingênua do interior, e Drew Boley (Diego Boneta), um garotão gente boa da cidade, que compartilham sonhos e decepções em Hollywood. Eles se conheceram em 1987, na famosa Sunset Strip, em Los Angeles, cidade sempre abarrotada de artistas em ascensão, em franca decadência e ou ilustres desconhecidos. Ali os jovens têm que encontrar o próprio caminho ou (se tiverem sorte) pegar um atalho pelo lendário The Bourbon Room, o clube onde trabalham. A famosa casa de shows está passando por algumas dificuldades, mas Dennis Dupree (Alec Baldwin), o proprietário, e Loony (Russel Brand), o técnico de som, acreditam que uma apresentação de Stacee Jaxx (Tom Cruise), o deus inconstante do rock, pode ser a solução para que este Templo do Rock’n’roll continue com as portas abertas para os seus fiéis seguidores.


O roteiro escrito por Justin Theroux, Chris D’Arienzo e Allan Loeb, baseado no musical, criado por D’Arienzo, traz uma história clássica (segundo a sinopse que li, sobre o musical da Brodway, com significativas mudanças) de pessoas comuns que não desistem dos seus sonhos mesmo quando os sonhos parecem desistir delas. A divertida história é uma viagem emocionante pelo rock do Def Leppard: Pour Some Sugar On Me, do Twisted Sister: We're Not Gonna Take It, do Journey: Don't Stop Believin, e por baladas como I Wanna Know What Love Is, do Foreigner, Every Rose Has It's Thorn, do Poison, e Can't Fight This Feeling, do REO Speedwagon. Aliás, a hiper-super-mega romântica down I Wanna Know What Love Is, do Foreigner, é a responsável por uma das melhores sequências (deliciosamente erótica, romântica, trash, brega) do filme, envolvendo o infeliz Jaxx (Cruise) e Constance Sack (Malin Akerman), a repórter da Rolling Stone. As músicas funcionam bem até quando ausentes, como é o caso da Rock of Ages, do Def Leppard, que não foi liberada para o teatro (e provavelmente nem para o filme), mas que está num diálogo “chapado” que marca o reencontro de Stacee (Cruise) e Dupree (Baldwin).

Rock of Ages - O Filme é uma produção (e que produção!) que trata com ironia (mas sem perder o humor!) dos bastidores nada glamouroso do showbiz, com suas estrelas talentosas e ou inventadas, constantemente manipuladas por agentes ordinários, feito Paul Gill (Paul Giamatti), que vampirizam seus artistas até a última gota do lucro fácil. É uma comédia divertida e cantante (para quem viveu aquela época), sem apelos escatológicos e que não subestima a inteligência de ninguém. Tem uma boa dose de safadeza rock’n’roll e chega a ser maldosa (?) com os fãs das (hoje) abomináveis boy bands que faziam a alegria da meninada naquele fim de década. Não sei se “maldosa” é a palavra correta, não importa, a verdade é que as cenas com os garotos são hilárias. Acredite, nunca mais você vai ver os adolescentes e suas bandas pop da mesma maneira.


O musical tem um bom elenco de coadjuvantes de luxo afinados com o humor escrachado e ou fetiche (este é o melhor!) e afinados com as (loucas) canções. Quem um dia imaginou ouvir Tom Cruise cantando (e bem!) rock e ou qualquer coisa? Já os protagonistas, atores-cantores, estilo High School, para adolescente se apaixonar, se não empolgam, também não chegam a decepcionar os mais velhos que querem mais é saber de rock’n’roll (básico, grudento, e daí?) e seus riffs fantásticos, na cabeça. Quer mais é cantar junto e sem culpa de ser feliz e de gostar e ou ter gostado daquela música até hoje (revisitada) e em mutação. Quem resistir ao: We built this city, we built this city on rock an' roll…, do Starship, que quebre o primeiro bolachão.

Bem, sei lá, em se tratando de música, sempre tem aqueles conservadores crentes de que o rock é coisa do Demônio, como imagina a obcecada vilã Patricia Whitmore (Catherine Zeta-Jones), a primeira-dama de Los Angeles. E ficaria ainda mais horrorizada se ouvisse o Rauzito exorcizando os carolas com o seu Rock do Diabo: O Diabo é o pai do rock! / O Diabo é o pai do rock! / Então é very god rock! / O Diabo é o pai do rock! / Enquanto Freud explica / O Diabo dá os toque...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Crítica: Missão: Impossível - Protocolo Fantasma



Ethan Hunt está de volta, agora com a promessa de chegar até ao fim da missão com uma confiável equipe de apoio. Quem conhece a série de televisão e ou vem acompanhando a franquia no cinema sabe que, na verdade, a tal missão título está mais para difícil do que para impossível, já que, de um a forma ou de outra, Ethan sempre resolve, até mesmo as traições. Mas nunca se sabe quando as coisas podem sair de controle.

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol, 2011) começa com uma fantástica perseguição, em que o espectador é apresentado a três agentes de campo, Trevor Hanaway (Josh Holloway), Jane Carter (Paula Patton) e Benji Dunn (Simon Pegg), incumbidos de encontrar um arquivo com os códigos de um arquivo nuclear. Na sequência, logo após ser resgatado de uma prisão, em Moscou, Ethan Hunt (Tom Cruise) é incriminado por um atentado terrorista ao Kremlin. Por conta do “incidente” internacional o governo norte-americano decide extinguir a agência IMF (Impossible Missions Force), iniciando o Protocolo Fantasma. No entanto, um imprevisto coloca Hunt na pista do psicopata Kurt Hendricks (Michael Nyqvist) e da bela e furtiva assassina Sabine Moreau (Léa Seydoux). Sem o apoio oficial da agência, com um policial russo, Anatoly Sidirov (Vladimir Mashkov), na sua cola, ele vai poder contar apenas com os inexperientes agentes Jane, Benji e William Brandt (Jeremy Renner) para solucionar esta explosiva missão.


Apesar do ótimo elenco internacional, Missão: Impossível - Protocolo Fantasma não tem um argumento dos mais originais na escalação do inimigo (russo) e no pomo da discórdia (míssil nuclear), mas o seu roteiro é redondo e os personagens (humanos) ganham em veracidade e muito bom humor. Com a “extinção” da agência, os superagentes não são mais “super”. A boa notícia é que eles ainda podem contar com algum equipamento que tinham em mãos e a má notícia é que nem tudo que têm em mãos funciona plenamente. Assim, largados à própria sorte (para delírio dos espectadores), eles terão que dar conta da missão contando apenas com algum conhecimento básico e o treinamento padrão. Nunca um improviso valeu tanto.

Nesta nova produção o importante não é o tema batido e sim a excelência da narrativa. Não fosse a ousada e competente direção de Brad Bird (Os Incríveis e Ratatouille), que parece desconhecer a palavra impossível, ele seria mais uma chatice com todos os clichês inverossímeis de filme americano de espionagem. Não é que MI-PF não tenha algum clichê, tem, mas quase não se nota. O humor é espontâneo e vai enredando o público desde o início. Ele surge nas mais diversas situações, principalmente através do agente Benji, e acaba partilhado por Brandt e Hunt. O bom é que humor nonsense não descaracteriza o clima de ação e aventura da trama, mas acrescenta muito mais emoção ao que já é de prender a respiração. Outro ponto positivo é que este quarto filme é independente dos outros. Não requer conhecimento prévio dos personagens e muito menos que se tenha visto os anteriores.
  

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma é pura adrenalina! As sequências no edifício Burj Khalifa (o mais alto do mundo), na belíssima Dubai, são “insanas”. Para realizá-las, Cruise (também) teria dispensado os dublês. Há todo um aparato técnico na realização dessa e outras tantas cenas empolgantes, mas o que se vê na tela é uma tecnologia a serviço de uma história e não o contrário. É, sem dúvida, o melhor e mais convincente dos quatro MI. Uma produção arejada onde até mesmo o enredo banal (mas bem resolvido) funciona. O único porém (nem tão porém assim) é que é um espetáculo para ser assistido (se possível) no IMAX. Dificilmente em outra sala de projeção provocará sensação tão vertiginosa. 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Crítica: Encontro Explosivo


Encontro Explosivo
ou James Bond em True Lies: a Missão Impossível

Eu também vou me repetir. Quando o americano não está invejosamente refilmando o cinema estrangeiro, melhor do que o seu, esta refilmando a si mesmo de forma escandalosamente mais explosiva (em número de veículos, armas, mortos) e com efeitos especiais (de qualidade discutível) para aquele público cujo Tico está em ferias e o Teco hibernando e parou ali pra tirar um cochilo. Se pagar meia ou tiver convite, com certeza, vai reclamar menos.


Encontro Explosivo (Knight and Day, EUA, 2010) é um filme para quem nunca viu ou ouviu falar de James Bond, do divertido True Lies (James Cameron, 1994), Missão Impossível e de et ceteras que têm um “explosivo” (ou dupla) qualquer no título. Daqueles em que um sujeito sozinho (ou seria bonzinho?) livra o mundo (isto é, os EUA) dos sujeitos mauzinhos. Roy Miller (Tom Cruise) - similar a Ethan Hunt, de Missão Impossível - é um agente do FBI, com licença para matar e explodir qualquer pessoa ou coisa que atravanque o seu caminho em qualquer lugar da Terra. A sua “missão” é proteger um inventor e o seu invento (revolucionário no consumo de energia) que despertou a cobiça do governo americano, traficantes e oportunistas de plantão. June Havens (Cameron Diaz) é a loira burra, digo mula, que esbarra nele, num aeroporto, e sem que nem mais porquê é envolvida na tramóia caça-níquel. As suas cara e bocas seriam cômicas, não fosse a canastrice que também abraça Cruise e vai encontrar par em Paul Dano, no papel do debilóide nerd lerd, digo lerdo, Simon Feck.


Encontro Explosivo é uma “comédia” insossa que cansa pela insistente repetição de carros explodindo (voando, trombando, despedaçando) e bandidos (armados até os dentes) ruins de mira e o mocinho Tom de sempre, mesmo desarmado, matando os seus “inimigos” e “parceiros”, aos montes. A produção, é claro, preocupada com o bolso, apela para mortes sem sangue e explosões sem corpos, para não perturbar a paz de espírito dos espectadores mais sensíveis e que ainda apreciam esse tipo de filme, onde bandido e mocinho, às vezes, se diferenciam apenas pelo distintivo. É difícil acreditar que James Mangold (de Johnny & June) tenha dirigido essa tolice de ação (re)clonada, tamanha a pobreza criativa que vai da fajuta colcha de roteiros, costuradas por Dana Fox e Scott Frank, à falta de química, de sex appel, de sintonia entre Cruise e Diaz. Não há humor, amor e muito menos sexo. Enfim, como não se salva nem o trocadilho do título original, a dica para o fã do casal protagonista não se aborrecer é a de ficar adivinhando (ACERTANDO TODAS!) as ações e reações que vão acontecer no troca-troca de clichês.
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