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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Crítica: X-Men: Fênix Negra


X-Men: Fênix Negra
por Joba Tridente

Fim ou recomeço? Em se tratando de HQ e ou de trilogia cinematográfica, pode ser qualquer coisa, dependendo da bilheteria ou do proprietário dos Direitos Autorais. Assim, independente do “desaparecimento” (ou seria morte?) de alguns personagens, X-Men: Fênix Negra, sendo o quarto filme na linha de sucessão da “trilogia” reiniciada com X-Men: Primeira Classe (2011), seguida de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014) e “encerrada” com X-Men: Apocalipse (2016), pode tanto ser o prólogo de mais uma “retomada” ou “rebombinada” ou “recomeçada” dos “X”, quanto o epílogo da “recente” franquia. Os espectadores mais velhos (?) sabem que a saga dos Mutantes ganhou as telonas na borda da virada do século XX, com X-Men: O Filme (2000), acompanhado de X-Men 2 (2003) e botando um “The End” definitivo (?) no X-Men: O Confronto Final (2006)..., e também se lembram que a explosiva Jean Grey/Fênix, já soltava as suas labaredas devastadoras por ali. Quem viu lá, vai comparar aqui! Será que a leitura cinematográfica de hoje (com muito mais recursos técnicos) é melhor que a leitura de ontem?


Baseado nas HQs da Fênix Negra (de Chris Claremont, com arte de Dave Cockrum e John Byrne, publicadas em 1976-1977 e 1980) o filme de ação e drama, com pitadas românticas, X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix, 2019), roteirizado e dirigido por Simon Kinberg, nos (re)apresenta Jean Grey (Summer Fontana, criança, e Sophie Turner, adulta) vivendo dias felizes, como integrante da equipe de frente dos Mutantes, agora reverenciados como Super-Heróis. O ano é 1992 e quando o Professor Charles Xavier (James McAvoy), a pedido do presidente dos EUA, envia os seus melhores X-Men e X-Women numa missão de resgate da tripulação de um ônibus espacial, a equipe traz para a Terra, além dos astronautas, uma Jean Grey diferente, tomada por um força incontrolável, após absorver uma grande carga de energia cósmica. E na sua cola, uma “gente” com as piores intenções..., sob o comando de uma tal Smith (Jessica Chastain). Não vai ser fácil para Grey entender o que está acontecendo com ela e nem para os outros Mutantes encontrar uma forma de ajudá-la a controlar um misterioso poder que está colocando em risco a vida de todos ao seu redor..., e mesmo o equilíbrio do universo! Um poder que tem muito em comum com o poder de outra heroína vista recentemente nas telonas: Capitã Marvel. Aliás, os dois filmes (X-Men: Fênix Negra e Capitã Marvel) têm algumas situações  em comum...


X-Men: Fênix Negra, obviamente, é protagonizado por Fênix, mas não dispensa a força coadjuvante dos obstinados Raven (Jennifer Lawrence); Ciclope (Tye Sheridan); Fera (Nicholas Hoult); Noturno (Kodi Smit-McPhee); Mercúrio (Evan Peters) e Magneto (Michael Fassbender), sempre dispostos a uma pancadaria entre si e ou com inimigos alienígenas em comum. Embora dê umas escorregadelas (ou seriam furos de edição?), o enredo busca (re)contar o drama de ação (com suas manjadas questões de família biológica e  ou afetiva) de forma breve e coerente com a fantasia de ficção científica dos quadrinhos, sem se desviar muito do assunto (salvar a heroína e o planeta) e sem apelar demasiadamente para a pieguice, a comiseração e ou o romance grude tapa buraco.


Tem de tudo um pouco do gênero (vilões vs. heróis vs. preconceito = a destruições espetaculares), mas nada que ocupe muito tempo na tela, a não ser as batalhas. Nem mesmo a irritante trilha horrorosa é capaz de embaraçar a narrativa linear que apresenta algumas sequências impactantes (principalmente no primeiro ato), que podem fazer diferença para quem assistir em 3D (de profundidade) IMAX...., ponto para os ótimos efeitos especiais. Se bem que a explosiva briga (escura e confusa) entre a turma de Xavier e a de Magneto, não é das melhores, mas a dos dois times contra os violões, dentro de um trem (de novo?!), é muito legal (ou bem melhor que a terrível sequência da Capitã Marvel brigando com um Alien Metamorfo dentro do metrô).

Enfim, sem espaço para o humor, mas sempre com abertura para interessantes questionamentos morais, X-Men: Fênix Negra cumpre o que promete: diversão alucinadamente cósmica, sem aborrecer e ou frustrar muito o leitor/espectador com algumas liberdades inteligentes..., já que HQ é uma coisa e cinema (apesar dos fotogramas) é outra um bocado diferente (ou quase). O elenco é excelente; os personagens estão menos histéricos e passionalmente equilibrados; os diálogos (curtos ou longos), para a história que se propõe contar, são bons, sem fugir muito do clichê aceitável e sem cientificismo de dar nó em cérebro da garotada. Ainda que tenha algumas surpresas mostradas nos trailers (que só assisto depois da sessão normal!), não dá para comentar muito sem acabar cometendo spoiler. Ainda que a história da Fênix, ou ao menos seu argumento, seja bastante conhecida, o final (acredite!) não muda..., mas recebe tratamento apoteótico de arrepiar. Quanto ao destino de Xavier e Magneto, este, sim, vai dar um nó..., se você, é claro, se lembrar do final (?) mais ou menos recente dos dois...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

domingo, 30 de julho de 2017

Crítica: De Canção em Canção


De Canção em Canção
por Joba Tridente

Tem filme novo de Terrence Malick nos cinemas: De Canção em Canção (Song to Song, 2017). Mas será realmente um filme novo?

Exibindo como pano de fundo um festival de música em Austin, no Texas, De Canção em Canção apresenta uma variação da mesma penitência religiosa proposta (qual uma oração-reflexo) em Amor Pleno (2013) e Cavaleiro de Copas (2015): homens monossilábicos (caricatura masculina!), sem saber (ou ter) o quê dizer sobre a vida e o amor para suas companheiras, namoradas, amantes..., e mulheres psicóticas, desequilibradas, bipolares, amando e odiando (em pensamento) seus companheiros, namorados, amantes. Ambos incapazes (?) de se manifestarem verbalmente. Enquanto homens andam a esmo e casais se olham (desejosos ou não), se relam, se roçam, insinuam sexo e mulheres possam nuas e ou seminuas, os/as protagonistas pensam (em off) o quê gostariam de falar (mas não dizem!) sobre o amor, o ódio, a vida, a dor, a religião e deus (não necessariamente nessa ordem cristã), uns aos outros, não tivessem tão ensimesmados lambendo as próprias feridas, como se as maiores do mundo.


Através de cortes (com a introdução de belas imagens), recortes (com a introdução de belas imagens) e picotes (com a introdução de belas imagens) no dia a dia de trabalho ou de badalação de cada personagem, a narrativa tenta dar prumo (ou sentido!) às relações ambíguas entre os artistas da área musical Faye (Rooney Mara), BV (Ryan Gosling), Cook (Michael Fassbender), Rhonda (Natalie Portman)..., que vão se enredando profissional, social e afetivamente tal qual numa balada romântica e caótica de amor e dor (“Te amo! Você é o amor da minha vida! Te amarei para sempre! Te amei!”). Não faltam angústia, melancolia, vazio existencial, a busca por deus, triângulos amorosos e angustiosos, imagens imersivas e contemplativas (sempre em movimento: haja travelling!): paisagens bucólicas com mato, grama, capim, árvore, folhas, pássaros, montanhas, rios, mares, praias, piscina, nascer e por de sol, estradas, viadutos, pontes, carros, aviões..., e o que mais se desejar e imaginar do fascinante arquivo de imagens (salvatela de computador) das quatro estações de Emmanuel Lubezki. A cor do figurino também varia conforme o humor dos personagens. O elo está no conjunto ou num mero detalhe!


Se você não assistiu aos reflexivos Amor Pleno/To the Wonder (2013) e Cavaleiro de Copas/Knight of Cups (2015), este drama light and heavy pode até lhe parecer original e tocante. Porém, pelas vias abstratas (ou seria herméticas?) do mestre tão off das badalações quanto as narrativas em off dos seus últimos trabalhos cinematográficos, praticamente sem diálogos (o que deve gerar uma boa economia em som direto), De Canção em Canção, que deixa muito espectador atônito (!), está mais para um “adendo” a tangenciar sistematicamente os dois filmes anteriores.

Quem não assistiu ao seu belíssimo e inquietante A Árvore da Vida (2011), também pode demorar um pouco para amarrar as pontas do script metafísico. Já o cinéfilo que tem acompanhado os recentes devaneios do messiânico roteirista e diretor, onde seus personagens estão sempre à deriva (revirando os olhos), em busca de um deus cristão que lhes dê respostas e algum significado para suas vidas vazias e ou praticando atos de solidariedade em hospitais e periferias, vai sentir que De Canção em Canção é um dos galhos frágeis e com frutos muito menos suculentos da árvore citada. O argumento de que a salvação do homem se dará através da prática sincera do amor humano é nobre, mas o roteiro para a redenção é pobre.


Decifrar a trama do emblemático De Canção em Canção não é um exercício fácil para o espectador de primeiro Malick, pois depende da intimidade com os seus filmes recentes, bem como da aceitação da sua linguagem (filosófica cristã) cada vez mais redundante, para mensurar o vazio existencial de seus personagens e as particularidades da “mensagem” ou “moral” religiosa nas entrelinhas do drama. Assim, é bem possível que (neste imbróglio transcendental) alguém se perca no labirinto das lamentações, cego pelos flashes de tantas lamúrias pessoais e totalmente alheio aos anseios de quem quer que seja.

A mim..., que após a sessão ainda não tinha opinião formada e chegando em casa assisti ao Cavaleiro de Copas, seguido de Amor Pleno..., confesso que a sensação é mais de frustração, por esta melancólica canção de Malick não ter me convencido totalmente, do que de decepção pela sua idiossincrasia visual. O vazio que me ficou é bem maior que o vazio de seus personagens no show business da vida. Um vazio que não consegui preencher nem com as belas imagens rurais e urbanas que pululam aleatoriamente na telona...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários, em VHS, fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Crítica: Alien: Covenant

Alien: Covenant
por Joba Tridente

Há 38 anos, Alien, o Oitavo Passageiro, de Ridley Scott, aterrorizou plateias em quase todo o mundo terrestre. Depois, a cada retorno, o monstrengo foi se tornando tão vulgar e chato que, nas suas últimas aparições, até em dupla com outro alienígena, o Predador, não provocava sequer um arrepio no inverno. Então, nos idos de 2012, Scott achou que, 33 anos depois, devia ele mesmo resgatar a sua “cria” alienígena em um prólogo denominado Prometheus, que, a princípio, não seria o prólogo de Aliens (1979), mas que acabou sendo. Com sua especulação metafísica sobre a origem, os meios e o fim do homem, o resultado foi decepcionante.  Ou como ironizou a mídia especializada e grande parte dos espectadores: Prometheus prometeu e ficou na promessa!


Após cinco anos de muita conversa atravessada nos bastidores, eis que vamos reencontrar Ridley Scott, mais uma vez querendo assustar a sua fiel plateia com as conveniências alienígenas em Alien: Covenant (Alien: Covenant, 2017). O drama de ficção científica, com alguns aborrecidos sustos sonoros, além da pretensa discussão filosófica sobre criador e criatura, que reverbera por toda a trama (fala do androide Davi (Michael Fassbender) para o seu criador Peter Weyland (Guy Pearce): - Você procura o seu criador. Eu estou olhando para o meu! Você vai morrer. Eu não!), narra as desventuras (é claro!) da tripulação da aeronave Covenant que, a caminho do planeta Origae.6 (levando 2000 colonos), é despertada para resolver uma grave avaria no veículo. Sim, as espaçonaves terrestres, dependendo do engenheiro, sempre dão problemas no espaço, onde nenhum pedido de socorro será ouvido, e todos os tripulantes, habilitados ou não para o serviço técnico, vão ter de se virar para consertar a nave, se quiserem seguir viagem rumo a um mundo onde o homem jamais esteve...


Continuando, além de alguns humanos, como o capitão Oram (Billy Crudup) e a segunda no comando Daniels (Katherine Waterston), faz parte da tripulação o simpático androide Walter (Michael Fassbender), uma réplica gentil do androide psicopata Davi (Fassbender), que sumiu ao final de Prometheus. Acontece que, diferente de um pedido de socorro, a bela canção Take Me Home, Country Roads, de John Denver (1943-1997) pode ser ouvida no espaço. E como a curiosidade mata o rato, já que o planeta de onde chega a canção está a uma semana de viagem e o Origae.6 a sete anos (em crio-sono), nada melhor que fazer uma visitinha e, se a terra for boa, encurtar a viagem, trocando um paraíso pelo outro. Nem é preciso dizer que o paraíso vai virar o inferno, com a chegada dos ansiosos e descuidados humanos. Daí, é só acompanhar o rotineiro pega-pega (ou fura-fura) entre alienígenas e humanos, contar mortos e feridos e apostar em quem sobreviverá! Ah, e adivinha quem é o responsável pela emissão da música-isca pelo espaço?


Para quem conhece toda a série do metálico alienígena cabeçudo que baba ácido, incluindo as tolas parcerias Alien/Predador, Alien: Covenant é apenas (ou tão somente) mais do mesmo e (pior!) com muito menos terror, suspense, tensão e muito mais previsibilidade. Não importa a quantidade e ou variedade de Aliens de Scott (aqui vai do microscópico ao gigantesco), os ataques são explosivamente iguais e, com certeza, continuarão se repetindo nos próximos (três?) filmes. Assim, diante da tradicional (e bocejante) sandice humana, não é difícil saber quem tentará salvar o dia, (despertando a força que não sabia ter) e quem (excetuando o androide?) estará ali apenas para boi de piranha, digo, bucha de alien (tipo os camisas vermelhas da série televisiva Star Trek).


Enfim, considerando que o “suspense” infantojuvenil de “sustos” sonoros, deve agradar aos fanáticos espectadores pouco exigentes; que o “roteiro” simplório tem menos falhas que Prometheus, mas continua perdido no espaço do gênero e (talvez por isso?) subestimando o público com sequências insensatas (idiotas?) ou piegas; que a “pegada” gore está mais é para o trash; que a reflexão religiosa (fé cega e pagão imolado) é inócua; que o elenco é ótimo, porém seus personagens (excetuando Davi/Walter) são rasteiros e emotivamente imbecis; que a produção impecável e os excelentes efeitos especiais não são suficientes para maquiar a falta de criatividade, inclusive na direção..., Alien: Covenant (apesar da belíssima cena da aula de flauta entre androides) é um presente de grego. Tire suas dúvidas por conta própria..., vai que gosta!

Nota: No YouTube tem dois prólogos, criados por Ridley e seu filho Luke, que não estão em Alien Covenant: O primeiro tem a ver com o final de Prometheus e o segundo com a hibernação dos astronautas. Não são spoiler e não comprometem o filme. Você pode assistir agora e ou depois. Legendas em espanhol.


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Crítica: Macbeth - Ambição e Guerra


Há quem confunda as peças Hamlet e Macbeth, de William Shakespeare.  Embora ambas falem de reinados de terror, movidos pela traição, sangue e vingança, cada uma tem as suas peculiaridades e seus fantasmas. Tanto Hamlet quanto Macbeth são personagens trágicos. Na primeira, o príncipe Hamlet busca vingar a morte do pai, o rei Hamlet, assassinado pelo próprio irmão, Claudio, que, além de usurpar o trono, se casou com a rainha Gertudres. Na segunda, após o vaticínio de três bruxas, de que se tornaria rei da Escócia, o general Macbeth, envolvido pela ambiciosa esposa Lady Macbeth, mata o rei Duncan, tornando-se um tirano que aos poucos vai sendo consumido pela paranoia.


Assim como Hamlet, Macbeth mereceu inúmeras adaptações para teatro, tv, hq e cinema. A mais recente a chegar às telonas é a do visionário diretor australiano Justin Kurzel. O seu magnífico Macbeth, com roteiro assinado por Todd Louiso, Jacob Koskoff e Michael Lesslie, tendo à frente um elenco vigoroso, cujas interpretações viscerais nos perseguem por horas e dias depois da sessão, é uma versão compacta e inovadora da tragédia original..., sem perder a introspecção que o texto shakespeariano exige.


A narrativa sombria que introduz o espectador nas geladas brumas mortuárias (numa abertura arrepiante) e o conduz no cinza-sangue das batalhas azuláceas até o cinza-fogo da luta pela coroa escocesa, na mais que perfeita sintonia com a fotografia de Adam Arkapaw e a espetacular direção de arte de Fiona Crombie, é tão envolvente e impactante que o público dificilmente se aperceberá do longo tempo compartilhado. É importante frisar que a fotografia e a arte (que pintam a tela em surpreendentes tons que não “existem”) dão suporte ao valoroso conteúdo, pontuando gritos e sussurros, não o contrário.


Macbeth - Ambição e Guerra (Macbeth, 2015) é tenso, intenso, violento..., fascinante. Grandioso em seu esqueleto e por vezes teatral em sua estética e gestual, jamais soa como teatro filmado. Arte em estado bruto, passa ao largo das armadilhas dramáticas e das facilidades do clichê piegas para agradar preguiçosos. Com suas pausas e longos diálogos, ou melhor, monólogos morais e insanos de Macbeth (Michael Fassbender) e ou pérfidos e venenosos de Lady Machbeth (Marion Cotillard), o mergulho na psique tortuosa do ambicioso e mesquinho casal é perturbador. Imersão parecida, ao cerne do drama, possivelmente só se repita ao vivo, em um bom teatro.



Poderia dizer que Macbeth é uma metáfora à política dos dias brasileiros de hoje, mas não o é. Por aqui grassa a hipocrisia e não a vergonhosa paranoia da culpa. Por aqui a ambição ao cargo supremo do país é irrestrita em todos os poderes. Nivela-se por baixo..., um sustenta o outro só até o próximo desnível, onde enfia-se a farpa além da conta e ou retira-se a farpa para equilibrar a outra ronda. O senso moral de Macbeth e ou de Hamlet não encontra palco também em outros circos latinos com seus políticos ladinos popularizando aplausos em troca de pão e água e, quiçá, papel higiênico. Na generalidade do mundo, há pouco terreno para a viciada trupe política montar a lona e desfiar o seu vil espetáculo popularesco: Toma! Toma! Toma!..., para patéticas e submissas plateias cegas, surdas e mudas. Macbeth não chega a metaforizar os dias presentes e futuros dos cidadãos “politizados” e ou imbecilizados, mas, para quem conseguiu se safar da hipnose coletiva e pensar por conta própria, abre caminho para profundas reflexões sobre o ser político e suas balelas. Ao sair, convém deixar a luz acessa, sempre há algum retardatário à espera de um bom chacoalho pra ficha cair...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Crítica: 12 Anos de Escravidão


A escravidão é um assunto que, apesar de muito antigo, infelizmente, ainda não se esgotou. Explícita e ou camuflada, ela persiste em vários países, inclusive no Brasil urbano e rural, onde “senhores de escravos”, sem temer a Lei, se dão bem às custas de imigrantes e ou itinerantes. É um tema difícil de ser tratado, principalmente no cinema, porque o emocional facilmente se sobrepõe ao racional e o roteiro, contrariando todos os argumentos da polêmica que o originou, acaba enveredando pela pieguice e a matéria da trama pode não ir além da sessão. 

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, RU, EUA, 2013), do excelente diretor britânico Steve McQueen, é baseado no livro homônimo do afrodescendente estadunidense Solomon Northup, lançado em 1853 e relançado, numa edição acadêmica, em 1968. O drama épico, com roteiro de John Ridley, conta a impressionante saga do violinista Solomon (Chiwetel Ejiofor), homem livre que vivia em Saratoga, Nova York, com a sua mulher e um casal de filhos, quando, em 1841, ao se apresentar em Washington, foi sequestrado e vendido como escravo. Enviado para trabalhar em plantações no estado de Louisiana, onde ficou por 12 anos, Solomon esteve submetido a dois proprietários hipócritas: o cristão “benevolente” William Ford (Benedict Cumberbatch) e o cristão perverso Edwin Epps (Michael Fassbender). Recebendo o mesmo tratamento degradante que os demais escravos, Northup só voltou a cultivar esperança de liberdade ao conhecer o construtor abolicionista Samuel Bass (Brad Pitt).

12 Anos de Escravidão joga luz na extrema violência praticada pelos senhores de escravos e seus capangas contra os escravizados, nos remetendo àquela vista em Django Livre (2013), de Tarantino. Essa intenção narrativa, que tira muito espectador da sua zona de conforto, incomoda não apenas pela crueza das cenas de tortura, exaustivamente esticadas, mas pela impressão de pieguice calculada para causar aflição e coletar litros de lágrimas de um público já entorpecido pela irritante e intrusiva música de Hans Zimmer.


Filmes sobre escravidão ou racismo em solo norte americano não são novidades, mas sempre causam burburinho (e indicação ao Oscar), principalmente se inspirados em fatos. Conforme a ideologia do diretor, desenha-se o grau de sadismo na exposição da maldade do homem (cristão branco?) contra o homem (cristão negro?). O imagético Steve McQueen continua preferindo o laconismo à prolixidade. Não que seus personagens entrem mudos e saiam calados. É que o diretor acredita muito mais na força (de mil palavras) de uma imagem do que na redundância de um texto (explicando o óbvio). Assim, impacto visual é o que não falta à inspirada fotografia de Sean Bobbit, que registra a passagem quase imperceptível do tempo em imagens de rara beleza: a perda da infância, na lúdica criação de bonecas de palha; o canto de despedida dos mortos; a voracidade da lagarta no campo de algodão, devorando as estações. Bobbit destaca ainda o quanto é enganosa a inebriante paisagem sulista, onde o perigo (humano) espreita, transformando o lúdico em pesadelo.

Todo cinéfilo sabe que McQueen (Hunger, Shame) é chegado em histórias tristes, angustiantes. Em 12 Anos de Escravidão não é diferente. A dor de seus personagens beira o insuportável, dentro e fora da tela. Em raríssimos momentos, o sorriso que se abre é amarelo, porque a sugestão de felicidade é falsa..., é irônica. Não há felicidade no cativeiro abençoado pelo Deus Quequé, porque a maldade humana não tem limites nem nos “dias santos”. Ao exagerar na dose dolorosa, infelizmente a versão (aparentemente fria) do diretor inglês ganha ares de um dramalhão hollywoodiano, mais interessado em comover e indignar o espectador (insensível?), do que refletir o tema.


12 Anos de Escravidão não é o tipo de entretenimento pensado para diversão ligeira do espectador que só quer passar um tempo, no escurinho do cinema, se empanturrando de bobagens. Pelo contrário, é um drama tenso, de interesse humano (estadunidense), que não deixa cicatriz sobre cicatriz, ao falar de um período inconveniente da história americana: a prática do rendoso escravismo. A “reconstituição” de fatos degradantes (que exige estômago do espectador) é nada convidativa a um combo (pipoca e refri). A não ser que se feche os olhos à barbárie e, “sedado”, sem prestar atenção em quem bate e em que apanha, se espere o desfecho prometido pelo título. 

Não li a biografia de Solomon Northup, mas, pela estranheza e ou descarte de algumas sequências, parece que McQueen tomou algumas discutíveis liberdades cinematográficas. A adaptação que começa ágil, cenas curtas, cortes inusitados, acaba adotando um cansativo rimo contemplação. Haja posição na cadeira para “apreciar” cenas (como a de um enforcamento e um desconcertante segundo plano, por exemplo) de pura lavagem cerebral e que soa a mensagem subliminar. 12 Anos de Escravidão, com seu primoroso elenco protagonista e de apoio, segue a cartilha do cinemão, com clichês na medida para fazer o público se sentir menor e ou maior diante do drama alheio. Um história do norte para se pensar nas histórias do sul que ainda estão escondidas!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Crítica: Prometheus



Na mitologia grega Prometeu é o titã que livrou o homem das trevas e da subserviência divina, dando-lhe o Fogo do Conhecimento. No cinema, Prometheus é a espaçonave que leva uma equipe de cientistas e exploradores em busca do Fogo Primordial.

Dizem que uma parte da humanidade olha para o céu à espera do seu criador e que outra parte perscruta as estrelas (e as águas) ansiosa por saber quem somos, de onde viemos e, mesmo, para onde vamos. Em Prometheus (Prometheus, EUA, 2012), a ficção científica de ação e horror, do diretor Ridley Scott, dois arqueólogos, Elisabeth Shaw (Noomi Rapace) e Holloway (Logan Marshall-Green), encontram, em várias civilizações, indícios da presença de seres oriundos de um mesmo planeta (LV223) e de que estes seriam os deuses criadores da vida na Terra. Com a pesquisa na mão e um projeto na cabeça os cientistas convencem a Weyland Industries a financiar a missão que leva a bordo da espaçonave Prometheus, comandada pelo capitão Janek (Idris Elba), além dos cientistas e o pessoal de segurança, Vickers (Charlize Theron), "executiva" da megacorporação e o androide David (Michael Fassbender), criado pela WI.


Para Elizabeth, cristã criacionista, e seu namorado Holloway, um leigo, digamos, agnóstico, pode ser a chance de desvendar o mito da criação divina dos homens. Para a maioria da tripulação de exploradores é só mais um trabalho. Pelo menos é que eles imaginam, até pousar no inóspito planeta que está longe da imagem do paraíso celestial. Prometheus pode ser visto como prequel (prólogo) da “franquia” Alien, pela referência ao Space Jockey, o gigante extraterrestre com um buraco no peito. Mas também oferece uma leitura paralela à série, para quem não conhece a franquia: Alien, O Oitavo Passageiro (Ridley Scott, 1979), Aliens ( James Cameron, 1986),  Alien 3 (David Fincher, 1992), e Alien Resurrection (Jean-Pierre Jeunet, 1997). As tranqueiras AVP (2004 e 2007) são apêndices estuporados fora do jogo.

À primeira vista, para os amantes da curiosa sci-fi, Prometheus parece meio deslocado, pelo avanço da cinematografia em trinta e três anos e pela mudança de foco no frouxo roteiro dos espetaculosos Jon Spaihts (A Hora da Escuridão) e Damon Lindelof (Lost e Cowboys & Aliens). Vale lembrar que, quanto a tecnologia, o mesmo ocorreu com a franquia Star Wars (George Lucas), cujos episódios I, II, III, filmados 22 anos após os IV, V, VI, eram tecnicamente superiores. Passado o impacto do deslumbre visual, que valoriza ainda mais a obra surreal do artista plástico suíço HR Giger, e a depuração de uma série de referências a filmes (2001 - Uma Odisseia no Espaço, Lawrence da Arábia, Blade Runner, entre outros), é capaz do espectador cinéfilo, chegado em charada, se dar conta de que não sobrou muito espaço para o desenvolvimento da história procedente (?).


O filme inicia com um bocado de perguntas, propondo uma curiosa gênese e explorando bem a ideia do mito de Prometeu (crime e castigo), configurado na nave Prometheus, uma espécie de Olimpo onde a tripulação (feito deuses e homens) discute hierarquias. Ali, o menosprezado e servil androide David, acumulando mais conhecimento que os “companheiros” de viagem, faz as vezes de Prometeu, Epimeteu (criador de homens) e de Pandora (inocente fatal). Assim como, em contrapartida à ciência de Prometeu, a curiosidade de Pandora desencadeou todos os malefícios sobre a humanidade, o emblemático e “infantil”, David, provará sua superioridade sobre os humanos, ao decifrar os códigos que abrem a porta (caixa) que “guarda” segredos e uma força praticamente incontrolável. Se este compartimento estava lacrado para proteger quem estava dentro ou fora da sala, os terráqueos vão descobrir assim que se livrarem de incômodos aliens em fase de evolução. Os limites da ciência e da fé serão testados até o embate final, quando a lei do verbo retornar ao “por quê?” original.

Gostar ou não de Prometheus tem a ver com a capacidade do espectador, fã do Alien (Scott) “viajar na maionese” e descobrir o que é metáfora e o que é embromação (ou filosofia de botequim). Os símbolos (involuntários?) são muitos, mas a maioria leva a lugar nenhum (por enquanto...). O público que aprecia uma história mais profunda, com um roteiro desafiador ao estabelecido, vai ficar na vontade ou esperar por prováveis continuações. É que todo entusiasmo inicial, que dá asas à imaginação, acaba perdendo a corrente de ar em diálogos toscos e situações já vistas em outras produções.


Todavia, quem curte apenas a casca, com certeza vai gostar, porque o filme é muito bonito, alguns efeitos são impressionantes (holograma na pirâmide é de encher os olhos), mas se espera tremer nas bases, com o ataque dos alienígenas, pode se decepcionar. É que neste “prólogo” os bichos estão longe da crueldade daqueles que no futuro atacarão os tripulantes da Nostromo. Não é que sejam bonzinhos, só não convencem. Há, sem dúvida, sequencias pesadas (não de horror), mas elas não afligem tanto. Bom, talvez a cena do parto seja um pouco horripilante. O problema é que quando ocorrem os ataques, o mistério já foi levado pela tempestade de poeira estática.

Prometheus é praticamente o embate dos excelentes Fassbender e Rapace. Frutos da ciência e da fé, seus personagens, David e Elizabeth, são mais completos e complexos que os outros (quase figurantes). Ambos, assim como o replicante Roy Batty (Rutger Hauer), de Blade Runner (1982), são “criaturas” em busca do “criador”, mas por razões diferentes. A única trégua possível, em uma guerra (de egos), é quando sobrevivência de um depende do conhecimento do outro. Pelo menos na ficção, ciência (razão) e fé (esperança) dividem o mesmo “por quê?”. O restante do bom elenco, não tem culpa de seus personagens-clichês e do curto tempo em cena. Quem entrou mudo e saiu calado não deve ter reclamado, já que seu grito não seria ouvido no espaço.

Bom, dizem que no mundo real o que move o homem (espécie) e, por conseguinte, a ciência, são as perguntas e não as respostas, que poderão ser modificadas diante de um novo problema. Certo!? Mas, e no mundo da ficção, o que move um filme, a bilheteria e, por conseguinte, a franquia? Se a resposta (do criador) a um personagem (e ao público) é indiferente, por que perguntar? No caso de Prometheus a narrativa não disse a que veio, pois a questão que o motiva, além de continuar sem resposta, gerou novas questões, agora relacionadas à evolução dos Aliens. Estratégia interessante, mas perigosa, porque, dependendo da bilheteria, a história termina aqui, apesar da promessa final.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Crítica: X-Men: Primeira Classe



Sabe aquelas perguntas que você sempre quis fazer sobre Xavier e Magneto, enquanto assistia aos X-Men, e não tinha a quem perguntar? Pois bem, elas começaram a ser respondidas em X-Men: Primeira Classe. E, acredite, as respostas são bem convincentes.

Depois da trilogia “X”, quando se prenunciava um quarto filme (X-Men Origens: Wolverine, não conta), eis que tudo volta ao começo do começo, numa nova trilogia, para contar o antes. Isso já aconteceu em Star Wars (Guerra nas Estrelas), lembra? Primeiro foram os capítulos 4 (Uma Nova Esperança), 5 (O Império Contra-Ataca) e 6 (O Retorno de Jedi). Depois de tudo assimilado (e quase esquecido) vieram os capítulos 1 (A Ameaça Fantasma), 2 (O Ataque dos Clones) e 3 (A Vingança dos Sith). Os três últimos eram fraquinhos mas, compensados pelos bons efeitos visuais, até que fizeram algum sentido (desnecessário).

Bem, no mundo dos super-heróis o roteiro é diferente. Quero dizer, já é diferente no berço das HQs onde, dependendo da influência do escritor (e do mercado), a personalidade do protagonista recebe nova lapidação, ou uma lápide mesmo: “Ele morreu, Jim!”. Ôpa, isto é do Star Trek (Jornada nas Estrelas), que também voltou a um princípio tão princípio que nem o Capitão Kirk tinha nascido ainda. Ah, tudo bem, o filme com a garotada é bem bacana.


X-Men - Primeira Classe (X-Men First Class, 2010), dirigido por Matthew Vaughn, é diversão certa para os fãs dos mutantes. Eu adoro HQs, até tive um pequena gibiteca em casa, mas confesso que dos X-Men, só gosto mesmo do Wolverine e do Magneto. É gente estranha demais e sempre me confundo com quem é quem e de quem. Quanto a esta nova trilogia, ela está começando muito bem, com todos os mutantes ainda jovens (com alguma variação do original) tentando descobrir o seu lugar no mundo e aceitar a própria diferença. Algo que não é fácil para um grupo de adolescentes que só quer levar uma vida “normal”. Este fim da inocência juvenil, a angústia por ser “anormal”, a busca pela “cura”, que pode despertar a fera adormecida dentro de cada um, é narrada com uma sinceridade contagiante.

A nova e grandiosa primeira aventura dos X-Men é épica e se passa na década de 1960, no auge da Guerra Fria entre os EUA (de John F. Kennedy) e a União Soviética (de Nikita Kruschev), por conta da localização estratégica da Cuba (de Fidel Castro), quando o mundo inteiro se sentiu em perigo com a famosa Crise dos Mísseis de Cuba, e a frustrada invasão da Baía dos Porcos. Pois bem, nessa época, Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) tentavam fortalecer uma amizade complicada e desenvolver ao máximo as suas habilidades. Ainda não eram conhecidos como Professor e Magneto, mas já tinha seus egos inflados. Embora impulsivos e egoístas (cada um com a sua razão) vão ser obrigados a juntar forças e recrutar novos mutantes, se quiserem vencer esta batalha armada pelo terrível Sebastian Shaw (Kevin Bacon). O jovem, Magneto lembra um bocado a personalidade rabugenta do Wolverine, que faz uma ponta rápida e divertidíssima na trama. É inesquecível. 


X-Men - Primeira Classe tem um bom roteiro. A narrativa, com pitadas sociopolíticas, é envolvente e acaba ganhando ares de veracidade, com o excelente aproveitamento de vídeos da época em que as imagens de TV eram em preto e branco. As histórias de Xavier e Erik (que é o que interessa) são bem amarradas, mas as dos outros mutantes: Raven/Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult), Alex Summers/Destrutor (Lucas Till), Sean Cassidy/Banshee (Caleb Landry Jones), Armondo Munoz/Darwin (Edi Gathegi), Emma Frost (January Jones), Azazel (Jason Flemyng), Angel (Zoe Kravitz), Maré Selvagem (Alex Gonzalez), inclusive a de Shaw, ficam a desejar. Já que o filme não vem com uma breve biografia de cada um, sugiro que, quem quiser saber um pouco mais sobre eles, procure em sites especializados em HQs. 

A escolha dos atores é acertada, com destaque para o trio protagonista (McAvoy, Fassbender, Bacon), e desta vez Matthew Vaughn, não carrega tanto a mão, como no violentíssimo Kick-Ass - Quebrando Tudo, mas continua dirigindo ótimas e dramáticas cenas de ação. O filme tem um ou outro vacilo, nos efeitos especiais, que passa (quase) batido, sem comprometer, e carece de um pouco mais de humor. No entanto, é uma produção bem cuidada, apostando no futuro. Para o espectador fã de HQ, é como ler uma boa aventura no gibi. Para quem não gosta de HQ, a dica é relaxar e se divertir, se emocionar e torcer por essa liga de gente muito esquisita. Afinal, nunca se sabe quando vai precisar dela novamente.
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