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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Crítica: X-Men: Fênix Negra


X-Men: Fênix Negra
por Joba Tridente

Fim ou recomeço? Em se tratando de HQ e ou de trilogia cinematográfica, pode ser qualquer coisa, dependendo da bilheteria ou do proprietário dos Direitos Autorais. Assim, independente do “desaparecimento” (ou seria morte?) de alguns personagens, X-Men: Fênix Negra, sendo o quarto filme na linha de sucessão da “trilogia” reiniciada com X-Men: Primeira Classe (2011), seguida de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014) e “encerrada” com X-Men: Apocalipse (2016), pode tanto ser o prólogo de mais uma “retomada” ou “rebombinada” ou “recomeçada” dos “X”, quanto o epílogo da “recente” franquia. Os espectadores mais velhos (?) sabem que a saga dos Mutantes ganhou as telonas na borda da virada do século XX, com X-Men: O Filme (2000), acompanhado de X-Men 2 (2003) e botando um “The End” definitivo (?) no X-Men: O Confronto Final (2006)..., e também se lembram que a explosiva Jean Grey/Fênix, já soltava as suas labaredas devastadoras por ali. Quem viu lá, vai comparar aqui! Será que a leitura cinematográfica de hoje (com muito mais recursos técnicos) é melhor que a leitura de ontem?


Baseado nas HQs da Fênix Negra (de Chris Claremont, com arte de Dave Cockrum e John Byrne, publicadas em 1976-1977 e 1980) o filme de ação e drama, com pitadas românticas, X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix, 2019), roteirizado e dirigido por Simon Kinberg, nos (re)apresenta Jean Grey (Summer Fontana, criança, e Sophie Turner, adulta) vivendo dias felizes, como integrante da equipe de frente dos Mutantes, agora reverenciados como Super-Heróis. O ano é 1992 e quando o Professor Charles Xavier (James McAvoy), a pedido do presidente dos EUA, envia os seus melhores X-Men e X-Women numa missão de resgate da tripulação de um ônibus espacial, a equipe traz para a Terra, além dos astronautas, uma Jean Grey diferente, tomada por um força incontrolável, após absorver uma grande carga de energia cósmica. E na sua cola, uma “gente” com as piores intenções..., sob o comando de uma tal Smith (Jessica Chastain). Não vai ser fácil para Grey entender o que está acontecendo com ela e nem para os outros Mutantes encontrar uma forma de ajudá-la a controlar um misterioso poder que está colocando em risco a vida de todos ao seu redor..., e mesmo o equilíbrio do universo! Um poder que tem muito em comum com o poder de outra heroína vista recentemente nas telonas: Capitã Marvel. Aliás, os dois filmes (X-Men: Fênix Negra e Capitã Marvel) têm algumas situações  em comum...


X-Men: Fênix Negra, obviamente, é protagonizado por Fênix, mas não dispensa a força coadjuvante dos obstinados Raven (Jennifer Lawrence); Ciclope (Tye Sheridan); Fera (Nicholas Hoult); Noturno (Kodi Smit-McPhee); Mercúrio (Evan Peters) e Magneto (Michael Fassbender), sempre dispostos a uma pancadaria entre si e ou com inimigos alienígenas em comum. Embora dê umas escorregadelas (ou seriam furos de edição?), o enredo busca (re)contar o drama de ação (com suas manjadas questões de família biológica e  ou afetiva) de forma breve e coerente com a fantasia de ficção científica dos quadrinhos, sem se desviar muito do assunto (salvar a heroína e o planeta) e sem apelar demasiadamente para a pieguice, a comiseração e ou o romance grude tapa buraco.


Tem de tudo um pouco do gênero (vilões vs. heróis vs. preconceito = a destruições espetaculares), mas nada que ocupe muito tempo na tela, a não ser as batalhas. Nem mesmo a irritante trilha horrorosa é capaz de embaraçar a narrativa linear que apresenta algumas sequências impactantes (principalmente no primeiro ato), que podem fazer diferença para quem assistir em 3D (de profundidade) IMAX...., ponto para os ótimos efeitos especiais. Se bem que a explosiva briga (escura e confusa) entre a turma de Xavier e a de Magneto, não é das melhores, mas a dos dois times contra os violões, dentro de um trem (de novo?!), é muito legal (ou bem melhor que a terrível sequência da Capitã Marvel brigando com um Alien Metamorfo dentro do metrô).

Enfim, sem espaço para o humor, mas sempre com abertura para interessantes questionamentos morais, X-Men: Fênix Negra cumpre o que promete: diversão alucinadamente cósmica, sem aborrecer e ou frustrar muito o leitor/espectador com algumas liberdades inteligentes..., já que HQ é uma coisa e cinema (apesar dos fotogramas) é outra um bocado diferente (ou quase). O elenco é excelente; os personagens estão menos histéricos e passionalmente equilibrados; os diálogos (curtos ou longos), para a história que se propõe contar, são bons, sem fugir muito do clichê aceitável e sem cientificismo de dar nó em cérebro da garotada. Ainda que tenha algumas surpresas mostradas nos trailers (que só assisto depois da sessão normal!), não dá para comentar muito sem acabar cometendo spoiler. Ainda que a história da Fênix, ou ao menos seu argumento, seja bastante conhecida, o final (acredite!) não muda..., mas recebe tratamento apoteótico de arrepiar. Quanto ao destino de Xavier e Magneto, este, sim, vai dar um nó..., se você, é claro, se lembrar do final (?) mais ou menos recente dos dois...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Crítica: Jogador N.º 1



Jogador N.º 1
por Joba Tridente*

Steven Spielberg é um diretor que ao longo de sua carreira vem alternando com naturalidade, mas nem sempre com a mesma qualidade, a direção de dramas e dramalhões (para adultos) com a direção de filmes de ação e aventura com pitadas de suspense e mistério (para jovens de todas as idades) que, a mim, é onde se sai melhor. Da sua verve melodramática, cito apenas Lincoln (2012) e The Post - A Guerra Secreta (2017). Já da fase mais divertida gosto da grande maioria, com alguma ressalva.

Jogador N.º 1 (Ready Player One, 2018), baseado no romance de ficção científica homônimo de Ernest Cline, do qual só li a sinopse que se desvela diferente do filme roteirizado pelo autor e Zak Penn, é uma experiência visual e tanto. A história catastrofista, situada em 2045, apresenta uma parcela dos norte-americanos enfrentando crise energética sem precedentes. Sinais de pobreza são visíveis na periferia de Columbus, Ohio, onde proliferam as favelas (ou pilhas) de contêineres que servem de moradia aos mais miseráveis. Em vez dos androides/replicantes de Blade Runner, perambulando pelas ruas e interagindo com humanos, encontramos pessoas manipuladas por um programa de realidade virtual inspirado na cultura pop dos anos 1980/1990, chamado OASIS, criado pelo visionário James Halliday (Mark Rylance), com uma multiplataforma onde os obcecados jogadores podem jogar, estudar, trabalhar, viajar por mundos além da imaginação..., e assim “esquecer” ou camuflar os dissabores da vida.


Com a morte de Halliday, a nova onda dos viciados usuários é colocar os seus avatares à caça de três chaves especiais, escondidas no hipnotizante mundo virtual, que darão ao vencedor humano o prêmio Easter Egg (Ovo de Páscoa) e o direito a todos os bens do criador do jogo eletrônico, incluindo o controle do OASIS, conforme seu testamento. Nessa alucinante e alucinada caça ao tesouro trilionário, aos modos do clássico Deu a Louca no Mundo (1963), de Stanley Kramer, encontramos o time da “utopia”, formado por Wade Watts/Parzival (Tye Sheridan), Art3mis (Olivia Cooke), Aech (Lena Waithe), Daito (Win Morisaki) e Shoto (Philip Zhao), e o time da “distopia”: Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn), CEO da “Division Oology” na Innovative Online Industries (IOI), e seu “exército” de nerds e geeks e gamers.

Jogador N.º 1, dirigido com empenho por Steven Spielberg, é uma inebriante viagem retrô por uma montanha russa com mais de duas horas de trilhos em rota de colisão com personagens e objetos (de desejos) populares de videogames, música e filmes dos anos 1980/1990. Acredito que o grande público (alvo) adolescente não tem o menor conhecimento da maioria deles..., não que faça alguma diferença para se acompanhar (com interesse e ou enfado) a peleja dos avatares protagonistas com os enlouquecidos obstáculos. Talvez por isso algumas cenas-referências, como a do Hotel Overlook (de O Iluminado, do Stanley Kubrick, 1980), são bem explicadinhas.


Ah, é bom saber que a quase totalidade desses “saudosistas” encontros ou topadas com trocentos personagens são tão rápidos (e toscos) que se o espectador piscar já era. O que também não faz a menor diferença na história reconhecer algum personagem que atravessa a tela feito o The Flash e ou agir como se estivesse à procura de Wally, da série de livros infantojuvenis Onde está o Wally (1987), ilustradas pelo britânico Martin Handford.

Excetuando os personagens e as coisas realmente mais célebres, o que se “vê” são bandos de coadjuvantes estranhos que, no máximo, valem um risinho e uma cutucada no amigo ao lado. As sequências pouco maiores trazem ícones como o Robô Gigante (de O Gigante de Ferro, do Brad Bird, 1999), já visto no trailer, e outros muito mais populares, até mesmo de Spielberg, que seria sacanagem revelar aqui. Provavelmente, depois de ouvir falar em Buckaroo Banzai, você vai querer assistir ao cultuado filme de ficção científica As Aventuras de Buckaroo Banzai (1984), de W.D. Richter.


Jogador N.º 1 é um bom filme-passatempo. Esteticamente é bonito, mas deve empolgar mais a quem tem intimidade com games e fica na torcida dos jogadores profissionais em campeonatos de jogos eletrônicos tão em voga..., ou a quem se basta com um fiapo de trama (clichê) que vai desfiando ao longo da narrativa até sobrar nada ao se deixar a sala de cinema. É uma pena que o roteiro (raso e escapista) não vá além da aventura virtual de um grupo de jovens ambiciosos contra um grupo de empresários ambiciosos na caça de um tesouro que pode livrar o primeiro de uma vida miserável (mas não do aprisionamento à tecnologia virtual) e dar ao segundo o controle mundial de um lucrativo jogo virtual viciante. O curioso é que, embora seja um filme juvenil que transpira a moral spielberguiana, não há jornada do herói de nenhum dos adolescentes na disputa de inteligência (artificial e humana).


Enfim, considerando que, tecnicamente, em sua mistura de atuação real (20%?) com animação (80%?), Jogador N.º 1 utiliza o que há de mais atual em CGI fotorrealista, aproximando-o, em efeitos especiais, ao Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017); que o elenco de atores é eficiente (com destaque para Mark Rylance, entre os humanos, e i-Rok entre os avatares animados) e dá conta dos seus limitados personagens; que o tradicional relacionamento traumático entre pai e filho, está em cena, mas (felizmente!) de forma bastante subjetiva  e metafórica; que tem algumas músicas bacaninhas; que carece de humor (só ri amarelo duas vezes!) e a ação praticamente contínua pode cansar quem não é um gamer..., levando se em conta que é um filme de ficção científica (bem) infantojuvenil repleto de ação e aventura da grife Spielberg, diretor que, por mais redundante que possa parecer, ainda satisfaz às expectativas de muitos fãs adultos, se gosta do gênero fantasia e ação, vá e tire as suas próprias conclusões. As minhas (com alguma rabugice) são apenas mais umas entre dezenas de considerações críticas mundo afora!


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Crítica: Como Sobreviver a um Ataque Zumbi

No encalço dos filmes comprovadamente trash há produções que não chegam a ser das mais originais (por não se acreditar trash) e nem tampouco falsas (por se considerar paródia), ficam ali no meia-boca e algumas (raras) acabam até sendo muito divertidas, como é o caso do Como Sobreviver a um Ataque Zumbi. Bom, pelo menos eu dei boas risadas, coisa ainda mais rara, ao assistir esse tipo de zumbiria, digo, zombaria.


Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse, 2015), comédia de terror, no melhor estilo terrir gore (sangue e violência e sangue), roteirizada e dirigida por Christopher B. Landon, se passa numa pequena cidade norte-americana onde três amigos adolescentes e escoteiros, desde a infância, Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan), e o líder Roger (David Koechner, muito divertido) tentam convencer outros jovens a participar do escotismo, criado pelo militar inglês Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (1857-1941). Mas os tempos são outros e mesmo Ben e Carter têm dúvidas se devem ou não continuar no movimento que é motivo de chacota da garotada. Porém, na noite em que os dois vão tomar tal decisão e que também é aquela em que Augie vai receber a sua mais importante insígnia, o trio descobre que a cidade está sob ataque de uma horda de zumbis e que vai precisar de toda habilidade e aprendizado de sobrevivência para salvar um grupo de jovens que participa de uma festa secreta.

É claro que numa peleja zumbiteira dessas, digo zombeteira dessas, é sempre bem-vinda a ajuda de uma pessoa mais velha e já que o líder Roger, bandeou de lado, os meninos vão se sentir muito mais seguros e protegidos na companhia da alta e loira e bem armada e destemida stripper Denise (Sarah Dumont) em seu shortinho e camiseta justinha coladinha ao corpo e...


Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, passa ao largo do clássico satírico britânico Todo Mundo Quase Morto (2002), de Edgar Whrigt, referência no gênero. No entanto, se não tem a acidez do humor inglês, tem gags (realmente) engraçadas e que funcionam muito bem até mesmo numa pegadinha escatológica de suspense ou numa pegada muito dolorida (!?), que remete a uma famosa cena de Corra Que a Polícia Vem Ai (1988), protagonizada por Leslie Nielsen. Algumas sequências envolvendo líder Roger/Zumbi, a do ataque da vizinha encrenqueira (Cloris Leachman) e a do dueto musical pop-zumbi (matando a pau!), entre outras rapidinhas, são bobagens impagáveis.


Enfim, com um argumento raso (podre?), mas bacana (escoteiros caçando zumbis); com clichês amadorísticos e humorísticos para todos os gostos e estômagos; com um roteiro que sacaneia alguns ícones norte-americanos (Dolly Parton e Britney Spears) e abusa dos elementos (ingênuos?) de filmes “B” (sangue + testosterona + sexo + paixão + seios + tesão + sangue); com algumas sacadas legais (descubra por conta própria!); com bom elenco se revirando bem numa história (meio indecente?) sem pé nem cabeça (quem souber a origem do vírus-zumbi, avise!)..., se bem que cabeça para explodir os zumbis têm, o que lhes falta é cérebro; com a intenção de ser apenas um bem-humorado passatempo de 1h30, Como Sobreviver a um Ataque Zumbi é uma boa piada, digo, pedida para quem não está nem aí para o politicamente correto (Voltem pro Haiti, zumbis! Ou seria pra outro lugar?) e que talvez ria muito mais depois da sessão (podre?), ao lembrar de algumas sequências (podres?) dessa zumbizeira.


Eu nem acredito que gostei disso. Será que meu cérebro foi chupado por um canudinho? Será? Estranho, eu nem sei mais o que estou dizendo, digo, escrevendo. Ah, antes dos créditos começarem a subir, tem um cena-bônus. Eu, hein!!! E pensar que quando criança quis ser escoteiro, mas meus pais não deixaram. Por que será? Acho importante saber como lidar com um zumbi nos dias de hoje. Ara, só porque não uso celular não quer dizer que...

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