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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Crítica: X-Men: Fênix Negra


X-Men: Fênix Negra
por Joba Tridente

Fim ou recomeço? Em se tratando de HQ e ou de trilogia cinematográfica, pode ser qualquer coisa, dependendo da bilheteria ou do proprietário dos Direitos Autorais. Assim, independente do “desaparecimento” (ou seria morte?) de alguns personagens, X-Men: Fênix Negra, sendo o quarto filme na linha de sucessão da “trilogia” reiniciada com X-Men: Primeira Classe (2011), seguida de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014) e “encerrada” com X-Men: Apocalipse (2016), pode tanto ser o prólogo de mais uma “retomada” ou “rebombinada” ou “recomeçada” dos “X”, quanto o epílogo da “recente” franquia. Os espectadores mais velhos (?) sabem que a saga dos Mutantes ganhou as telonas na borda da virada do século XX, com X-Men: O Filme (2000), acompanhado de X-Men 2 (2003) e botando um “The End” definitivo (?) no X-Men: O Confronto Final (2006)..., e também se lembram que a explosiva Jean Grey/Fênix, já soltava as suas labaredas devastadoras por ali. Quem viu lá, vai comparar aqui! Será que a leitura cinematográfica de hoje (com muito mais recursos técnicos) é melhor que a leitura de ontem?


Baseado nas HQs da Fênix Negra (de Chris Claremont, com arte de Dave Cockrum e John Byrne, publicadas em 1976-1977 e 1980) o filme de ação e drama, com pitadas românticas, X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix, 2019), roteirizado e dirigido por Simon Kinberg, nos (re)apresenta Jean Grey (Summer Fontana, criança, e Sophie Turner, adulta) vivendo dias felizes, como integrante da equipe de frente dos Mutantes, agora reverenciados como Super-Heróis. O ano é 1992 e quando o Professor Charles Xavier (James McAvoy), a pedido do presidente dos EUA, envia os seus melhores X-Men e X-Women numa missão de resgate da tripulação de um ônibus espacial, a equipe traz para a Terra, além dos astronautas, uma Jean Grey diferente, tomada por um força incontrolável, após absorver uma grande carga de energia cósmica. E na sua cola, uma “gente” com as piores intenções..., sob o comando de uma tal Smith (Jessica Chastain). Não vai ser fácil para Grey entender o que está acontecendo com ela e nem para os outros Mutantes encontrar uma forma de ajudá-la a controlar um misterioso poder que está colocando em risco a vida de todos ao seu redor..., e mesmo o equilíbrio do universo! Um poder que tem muito em comum com o poder de outra heroína vista recentemente nas telonas: Capitã Marvel. Aliás, os dois filmes (X-Men: Fênix Negra e Capitã Marvel) têm algumas situações  em comum...


X-Men: Fênix Negra, obviamente, é protagonizado por Fênix, mas não dispensa a força coadjuvante dos obstinados Raven (Jennifer Lawrence); Ciclope (Tye Sheridan); Fera (Nicholas Hoult); Noturno (Kodi Smit-McPhee); Mercúrio (Evan Peters) e Magneto (Michael Fassbender), sempre dispostos a uma pancadaria entre si e ou com inimigos alienígenas em comum. Embora dê umas escorregadelas (ou seriam furos de edição?), o enredo busca (re)contar o drama de ação (com suas manjadas questões de família biológica e  ou afetiva) de forma breve e coerente com a fantasia de ficção científica dos quadrinhos, sem se desviar muito do assunto (salvar a heroína e o planeta) e sem apelar demasiadamente para a pieguice, a comiseração e ou o romance grude tapa buraco.


Tem de tudo um pouco do gênero (vilões vs. heróis vs. preconceito = a destruições espetaculares), mas nada que ocupe muito tempo na tela, a não ser as batalhas. Nem mesmo a irritante trilha horrorosa é capaz de embaraçar a narrativa linear que apresenta algumas sequências impactantes (principalmente no primeiro ato), que podem fazer diferença para quem assistir em 3D (de profundidade) IMAX...., ponto para os ótimos efeitos especiais. Se bem que a explosiva briga (escura e confusa) entre a turma de Xavier e a de Magneto, não é das melhores, mas a dos dois times contra os violões, dentro de um trem (de novo?!), é muito legal (ou bem melhor que a terrível sequência da Capitã Marvel brigando com um Alien Metamorfo dentro do metrô).

Enfim, sem espaço para o humor, mas sempre com abertura para interessantes questionamentos morais, X-Men: Fênix Negra cumpre o que promete: diversão alucinadamente cósmica, sem aborrecer e ou frustrar muito o leitor/espectador com algumas liberdades inteligentes..., já que HQ é uma coisa e cinema (apesar dos fotogramas) é outra um bocado diferente (ou quase). O elenco é excelente; os personagens estão menos histéricos e passionalmente equilibrados; os diálogos (curtos ou longos), para a história que se propõe contar, são bons, sem fugir muito do clichê aceitável e sem cientificismo de dar nó em cérebro da garotada. Ainda que tenha algumas surpresas mostradas nos trailers (que só assisto depois da sessão normal!), não dá para comentar muito sem acabar cometendo spoiler. Ainda que a história da Fênix, ou ao menos seu argumento, seja bastante conhecida, o final (acredite!) não muda..., mas recebe tratamento apoteótico de arrepiar. Quanto ao destino de Xavier e Magneto, este, sim, vai dar um nó..., se você, é claro, se lembrar do final (?) mais ou menos recente dos dois...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Crítica: Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim


Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim
por Joba Tridente*

Sete anos após a criativa releitura musicada de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, na animação britânica (com fortes elementos teatrais) Gnomeu e Julieta, o romântico casal de gnomos de jardim, está de volta para mais uma empolgante história. Desta vez, pegando carona nas páginas literárias do misterioso mundo de Sir Arthur Conan Doyle, a dupla se junta aos agentes Sherlok e Watson, para resolver o estranho sumiço de gnomos dos jardins de Londres.


Repleta de ação e aventura, a animação Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim (Sherlock Gnomes, 2018), com bom roteiro de Ben Zazove e direção cuidadosa de John Stevenson (Kung Fu Panda, 2008), começa com uma estratégica mudança de cenário: sai a bucólica Stratford-Upon-Avon (terra natal de Shakespeare) e entra a urbana Londres, onde os recém-chegados Gnomeu (James McAvoy) e Julieta (Emily Blunt), juntam-se ao arrogante e egocêntrico adorno de jardim Sherlock Gnomes (Johnny Depp) e seu subestimado parceiro Dr. Watson (Chiwetel Ejiofor), para encontrar a sua família que, assim como os gnomos dos jardins da capital inglesa, desapareceu sem deixar rasto. Bom, na verdade, o sequestrador até que tem deixado pistas por onde passa, sugerindo que o autor dos crimes é o malvado Moriarty (Jamie Demetriou), o mascote de uma doceria e arqui-inimigo de Gnomes. O problema é que Moriarty morreu no último confronto com Sherlock. Então, quem está sequestrando e se fazendo passar pelo vilão? Qual o destino dos gnomos sequestrados? Será que o famoso Sherlok Gnomes, com seu incomparável espírito analítico, conseguirá resolver mais esta caso? É ver pra crer.


Fazendo referências a várias histórias de Conan Doyle para Sherlock Holmes, incluindo O Cão dos Baskervilles e o polêmico O Problema Final, o desenho animado, que faz bom uso de elipses, para dar mais agilidade à envolvente trama, também apresenta uma insinuante versão “Barbie” da única mulher a vencer o genial Sherlock (nos livros): a admirável Irene Adler (Mary J. Blige)..., numa sequência fascinante em que ela brinda o espectador com Stronger Than Ever, a nova composição de Elton John e Bernie Taupin. Há, pelo menos, mais umas duas outras sequências muito boas, mas perde a graça, se eu citar.


Assim como no filme anterior, o requinte no detalhamento e na textura dos gnomos (com todo tipo de avaria) dá uma veracidade ainda maior na composição irretocável de cada expressivo personagem. E falando de excelência técnica e CGI, o que também chama muito a atenção são os impressionantes flashes (em 2D) que ilustram as lembranças (em preto e branco) de Sherlok e (em cores) de Moriarty ao desvelar o raciocínio investigativo de um e o plano maléfico do outro. Enquanto a mente de Gnomes se aproxima da meticulosidade estética de M.C. Escher (1898-1972), a de Moriarty não vai além de uns rabiscos.


Não resta a menor dúvida de que, ao investir na releitura de obras literárias de grandes escritores universais, estes adoráveis personagens (com suas idiossincrasias humanas) têm potencial para maravilhar espectadores de diferentes fixas etárias e mesmo despertar-lhes o interesse pela literatura. Vejo estes graciosos gnomos e adornos de jardim, cheios de personalidade, como uma trupe de atores pronta para representar textos dos mais diversos autores nos mais diferentes cenários. Eles se saíram muito bem com William Shakespeare e com Conan Doyle. É uma ideia original que, em mãos certas (de roteiristas e diretores), sempre resultará num divertido espetáculo para toda a família..., desde que esta não esteja preocupada com lição de moral e ou se algum dos gnomos será quebrado durante o espetáculo.


Enfim, considerando a história infantojuvenil de ação e suspense e alguma ousadia na linguagem visual (e entrelinhas) muito bem costurada; as reviravoltas convincentes; a narrativa inteligente que prioriza mais o conteúdo que o humor fácil, já que é engraçada, mas não chega a ser hilária; o elenco de ponta que dá voz aos gnomos e adornos de jardim; a seleção musical do produtor (da animação), compositor e cantor Elton John, que não incomoda; a qualidade do roteiro de Ben Zazove e a notável direção de John Stevenson..., Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim, que é uma produção britânico-americana, tem tudo para deixar o seu público alvo (pensante) ligadíssimo e, consequentemente deve agradar também aos acompanhantes (pensantes) da garotada.


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Crítica: Fragmentado

Fragmentado
por Joba Tridente

Fazer cinema pode ser como dirigir um trem desgovernado..., se o condutor conhece bem a estrada-de-ferro e seus desvios, pode salvar o dia, se não, o desastre é certo e não sobrará vagão para contar a história. O controverso roteirista e diretor M. Night Shyamalan é um maquinista que, quando assume a cabine cinematográfica de um trem, nem sempre é unanimidade entre os passageiros mais críticos das suas paradas crônicas no mundo do entretenimento, onde a tela é ocupada por narrativas que exaltam a fantasia, a fábula, o suspense e ou o horror..., tudo dentro do palatável.

M. Night Shyamalan que, em 1999, chegou atropelando Hollywood com seu expressivo Sexto Sentido, continuou embalado com Corpo Fechado (2000), seguiu a toda atento a Sinais (2004), chegando com bom combustível à estação A Vila (2004) e energia suficiente para não deixar para trás A Dama na Água (2006)..., encontrou um desvio inesperado e se perdeu com o Fim dos Tempos (2008), tentou sem sucesso outros trilhos com O Último Mestre do Ar (2010) e sumiu na cerração Depois da Terra (2013), para só reaparecer recauchutado em A Visita (2015). Agora, um tanto Fragmentado (2017), reabastece a máquina, bem ocupada com velhos e novos passageiros cinéfilos, para uma jornada nada confortável.


Fragmentado (Split, 2017), escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, é um thriller que nos convida a embarcar numa viagem imersiva no universo distorcido de Kevin (James McAvoy), cujo corpo/mente abriga 23 personalidades distintas e uma nova e devastadora a caminho. Kevin sofre de Transtorno de Identidade Dissociativa - TID e, além dele, o espectador conhecerá apenas cinco de suas manifestações: Dennis (obsessivo-compulsivo), Patrícia (mulher dissimulada), Barry (estilista despretensioso), Hedwick (garoto de nove anos) e a Besta (assombrosa).

Personagens traumatizados (física, psicológica e espiritualmente) são, de certo modo, recorrentes na obra fabular de Shyamalan. Toda via expressa da insinuação do horror alegórico, no entanto, seus tormentos andam ganhando ares cada vez mais explícitos em narrativas que (ainda) não chegam a gotejar gore, pois se pressupõe farsa no diálogo e ou no monólogo que antecipa o jogo de cena de quem o protagoniza (ou antagoniza).


Fragmentado começa com o sequestro de três adolescentes: Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy), logo após uma festa de aniversário. As garotas acordam aprisionadas num claustrofóbico bunker, onde recebem visitas perturbadoras e ameaçadoras dos alter egos de Kevin, que tem uma relação “familiar” (no fio da navalha) com a psiquiatra Dra. Fletcher (Betty Buckley), autoridade em TDI, mas com uma visão um tanto ingênua quanto às múltiplas personalidades de seu paciente. Ali, enquanto as desesperadas Claire e Marcia, através do enfrentamento e do medo, buscam uma forma (simplista) de escapar, Casey estuda meticulosamente as particularidades de cada inimigo manifesto, para não falhar a fuga. Das três, somente ela tem antecedentes (visto em flashbacks) que justificam a sua introspecção e tal reação diante do perigo iminente. Porém, o trio sabe que não será fácil dominar qualquer uma das “facetas” do múltiplo Kevin.  


A trama basicamente “discorre” sobre o presente de Kevin (com seus eus) e sobre o passado de Casey (com seus ais). Os dois carregam um fardo de abuso e de submissão psicológica como se carregassem os pecados da humanidade. Na catarse (tardia) de ambos, a porta da “expiação” pode tanto aprisionar quanto libertar suas almas. A discussão dos seus traumas pode não ser lá muito profunda, mas (implícita!) é bem mais convincente que a rasura das duas garotas “de bom coração” (Claire e Marcia) e mesmo da psiquiatra (Fletcher), que se ocupa mais com a harmonia de Kevin com suas facetas do que com a segurança da sociedade em que está inserido. Aliás, de Kevin, o público só vai conhecer a sua atividade profissional no epílogo, já que, segundo o script, ele e seus 23 egos, seriam influenciados pelo ambiente de trabalho.

Embora o seu roteiro, com vícios de linguagem, não seja dos mais originais (sequestro de adolescentes, prisão subterrânea, desnudamento, psicopatias), ainda assim o drama (com algum humor cinzento) é capaz de surpreender o espectador e prender a sua atenção até o “desfecho” que o fará rever toda a narrativa em segundos, para resgatar duas sequências e dizer: “Ah, esta é a razão do off!” e “Ah, esta é a razão do trem/metrô!”. Aqui eu pergunto, mesmo sabendo a resposta (que tem nada a ver com a do filme): “Por que será que vilões (inclusive alienígenas) adoram uma performance (desastrada) num trem e ou metrô?. Quanto à resposta ao suspense shyamalaniano, ela poderá ser vista numa provável continuação dois em um: Corpo Fechado e Fragmentado 2 (Unbreakable and Split - 2)...


Enfim, considerando a razoabilidade do tema (TDI) e a curiosidade do enredo; algumas sequências muito bem resolvidas, como a do sequestro das adolescentes e a do quarto de Hedwick; as excelentes atuações de James McAvoy (Kevin) e de Anya Taylor-Joy (Casey); a alternância entre a meia-luz (prisão) e a claridade (clínica), redefinindo personagens e refletindo a complexidade da natureza humana; as alegorias nem sempre funcionais..., descartando um ou outro escorregão, Fragmentado é um bom programa. Recomendo para que gosta de pensar (sobre cordialidade) fora da caixinha e além do divã.

Pode não ser o melhor filme de M. Night Shyamalan, mas prova que o interessante diretor ainda tem muito combustível para impulsionar sua locomotiva Hollywood afora.


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Crítica: Conspiração Americana



O que a grande maioria sabe sobre Abraham Lincoln é que, na noite de 14 de abril de 1865, enquanto ele assistia à peça Our American Cousin, no Teatro Ford, em Washington, o ator John Wilkes Booth, entrou no seu camarote, e atirou à queima-roupa. Depois, saltou para o palco, gritou: Sic semper tyrannis! (algo como: Assim sempre - acontece - aos tiranos!), e sumiu no tumulto. Lincoln morreu na manhã seguinte em decorrência do tiro na nuca. Booth fugiu e foi morto 12 dias depois.

Em 2010 Robert Redford filmou Conspiração Americana (The Conspirador, 2010, EUA), que estreou nos Estados Unidos da América em 15 de Abril de 2011 (of course!). Um ano depois (e após o lançamento em DVD e Blu-ray), ele estreia por aqui. Apesar do título, o drama não se ocupa em desvelar fatos relevantes ao obscuro assassinato do presidente norte-americano e ou sobre a conspiração (?) que, a se acreditar no roteiro raso (e confuso) de James Solomon e Gregory Bernstein, assim como o veredicto do tribunal militar, seria motivada por vingança. Um ato que o Tio Sam e seus sobrinhos estadunidenses entendem (e degustam) muito bem!


Curioso, mas superficial, Conspiração Americana trata especificamente do julgamento sumário de Mary Surratt (Robin Wright), dona de uma pensão onde teria se reunido o grupo do confederado John Wilkes Booth (Toby Kebell), que tramou o sequestro e posteriormente o assassinato de Lincoln. A curiosidade, no caso, vem da hipocrisia dos “representantes” do poder judiciário, escancarada pelo recém-herói da Guerra de Secessão e relutante advogado Frederick Aiken (James McAvoy), que se vê obrigado a defender a civil (Mary) diante de uma junta militar que já tem o veredicto. Como (historicamente) pouco se sabe sobre os outros assassinos do presidente norte-americano, aqui também não fica claro a participação de Surratt. O que reforça a ideia de que Redford está mais interessado na reação da lei ao ato terrorista (?) do que na ação criminosa.

Há quem diga que, nas entrelinhas, Redford está falando do 11 de Setembro, de Bush e de Guantánamo. Pode ser que sim. Pode ser que não. Afinal, no campo das artes cada espectador apreende o que quiser, uma vez que, dependendo do processo da informação, um “motivo” é (tão somente) o que é ou não. Simples, uns viajam no açúcar e outros no tabaco! Metáforas à parte, Conspiração Americana é um drama de tribunal que se desenvolve lento, com flashbacks redundantes. O excelente elenco é esforçado, mas os personagens (mal resolvidos?) não cativam. Nem mesmo o (razoável) embate sobre Direito Constitucional empolga ou tapa os buracos (falta de assunto) do enredo pouco inspirado. Depois de certo tempo a discussão (penal) que não é obvia, é puro clichê.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Crítica: X-Men: Primeira Classe



Sabe aquelas perguntas que você sempre quis fazer sobre Xavier e Magneto, enquanto assistia aos X-Men, e não tinha a quem perguntar? Pois bem, elas começaram a ser respondidas em X-Men: Primeira Classe. E, acredite, as respostas são bem convincentes.

Depois da trilogia “X”, quando se prenunciava um quarto filme (X-Men Origens: Wolverine, não conta), eis que tudo volta ao começo do começo, numa nova trilogia, para contar o antes. Isso já aconteceu em Star Wars (Guerra nas Estrelas), lembra? Primeiro foram os capítulos 4 (Uma Nova Esperança), 5 (O Império Contra-Ataca) e 6 (O Retorno de Jedi). Depois de tudo assimilado (e quase esquecido) vieram os capítulos 1 (A Ameaça Fantasma), 2 (O Ataque dos Clones) e 3 (A Vingança dos Sith). Os três últimos eram fraquinhos mas, compensados pelos bons efeitos visuais, até que fizeram algum sentido (desnecessário).

Bem, no mundo dos super-heróis o roteiro é diferente. Quero dizer, já é diferente no berço das HQs onde, dependendo da influência do escritor (e do mercado), a personalidade do protagonista recebe nova lapidação, ou uma lápide mesmo: “Ele morreu, Jim!”. Ôpa, isto é do Star Trek (Jornada nas Estrelas), que também voltou a um princípio tão princípio que nem o Capitão Kirk tinha nascido ainda. Ah, tudo bem, o filme com a garotada é bem bacana.


X-Men - Primeira Classe (X-Men First Class, 2010), dirigido por Matthew Vaughn, é diversão certa para os fãs dos mutantes. Eu adoro HQs, até tive um pequena gibiteca em casa, mas confesso que dos X-Men, só gosto mesmo do Wolverine e do Magneto. É gente estranha demais e sempre me confundo com quem é quem e de quem. Quanto a esta nova trilogia, ela está começando muito bem, com todos os mutantes ainda jovens (com alguma variação do original) tentando descobrir o seu lugar no mundo e aceitar a própria diferença. Algo que não é fácil para um grupo de adolescentes que só quer levar uma vida “normal”. Este fim da inocência juvenil, a angústia por ser “anormal”, a busca pela “cura”, que pode despertar a fera adormecida dentro de cada um, é narrada com uma sinceridade contagiante.

A nova e grandiosa primeira aventura dos X-Men é épica e se passa na década de 1960, no auge da Guerra Fria entre os EUA (de John F. Kennedy) e a União Soviética (de Nikita Kruschev), por conta da localização estratégica da Cuba (de Fidel Castro), quando o mundo inteiro se sentiu em perigo com a famosa Crise dos Mísseis de Cuba, e a frustrada invasão da Baía dos Porcos. Pois bem, nessa época, Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) tentavam fortalecer uma amizade complicada e desenvolver ao máximo as suas habilidades. Ainda não eram conhecidos como Professor e Magneto, mas já tinha seus egos inflados. Embora impulsivos e egoístas (cada um com a sua razão) vão ser obrigados a juntar forças e recrutar novos mutantes, se quiserem vencer esta batalha armada pelo terrível Sebastian Shaw (Kevin Bacon). O jovem, Magneto lembra um bocado a personalidade rabugenta do Wolverine, que faz uma ponta rápida e divertidíssima na trama. É inesquecível. 


X-Men - Primeira Classe tem um bom roteiro. A narrativa, com pitadas sociopolíticas, é envolvente e acaba ganhando ares de veracidade, com o excelente aproveitamento de vídeos da época em que as imagens de TV eram em preto e branco. As histórias de Xavier e Erik (que é o que interessa) são bem amarradas, mas as dos outros mutantes: Raven/Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult), Alex Summers/Destrutor (Lucas Till), Sean Cassidy/Banshee (Caleb Landry Jones), Armondo Munoz/Darwin (Edi Gathegi), Emma Frost (January Jones), Azazel (Jason Flemyng), Angel (Zoe Kravitz), Maré Selvagem (Alex Gonzalez), inclusive a de Shaw, ficam a desejar. Já que o filme não vem com uma breve biografia de cada um, sugiro que, quem quiser saber um pouco mais sobre eles, procure em sites especializados em HQs. 

A escolha dos atores é acertada, com destaque para o trio protagonista (McAvoy, Fassbender, Bacon), e desta vez Matthew Vaughn, não carrega tanto a mão, como no violentíssimo Kick-Ass - Quebrando Tudo, mas continua dirigindo ótimas e dramáticas cenas de ação. O filme tem um ou outro vacilo, nos efeitos especiais, que passa (quase) batido, sem comprometer, e carece de um pouco mais de humor. No entanto, é uma produção bem cuidada, apostando no futuro. Para o espectador fã de HQ, é como ler uma boa aventura no gibi. Para quem não gosta de HQ, a dica é relaxar e se divertir, se emocionar e torcer por essa liga de gente muito esquisita. Afinal, nunca se sabe quando vai precisar dela novamente.
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