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domingo, 11 de abril de 2021

Crítica: Culpado Por Suspeita


CULPADO POR SUSPEITA

por Joba Tridente

Um povo mal informado sempre elege governantes mal intencionados. A canalhice institucional não é privilégio de governo de país mais conhecido e ou de país mais esquecido. Ela se espalha feito vírus e se inocula no poder de tal forma que fica difícil (mas não impossível!) combatê-la. São raros aqueles que professam a política sem interesses outros que não o de servir à pátria e, principalmente, aos cidadãos que os elegeram (para ordenar o caos). Quem está no poder quer (mesmo!) poder e fará de tudo (mesmo!) para se manter poderoso no cargo. A qualquer iniciativa para barrar os seus alucinados desmandos, ele se dirigirá ao seu curral de imbecis dizendo ser vítima de uma conspiração global comunista ou socialista ou imperialista pagã para tirá-lo do comando da nação e dominar o mundo. Sabemos muito bem onde se perpetuam e onde desejam se perpetuar tais extremistas. Basta olhar pelo vão das pesadas cortinas e ou por debaixo dos panos que cobrem as mesas dos conchavos.


É por essas e outras noções de perigo sociopolítico que nos avizinham que o enredo de Culpado Por Suspeita (Guilty By Suspicion, 1991), dirigido por Irwin Winkler (Tempo de Recomeçar, De-Lovely - Vidas e Amores de Cole Porter) ainda nos tira o chão. Em pleno 2021, exemplos (próximos)..., de mandatários corruptos, autodenominados defensores da tradição e da família e da religião e (principalmente) do patrimônio, que assombram o povo, alimentando-o com o seu próprio medo do fantasma da ideologia do terror..., não nos faltam. Políticos prepotentes, com seus dois neurônios (Tico e Teco) lavados pela evangelização armamentista inspirada no livro de crônicas da ignorância milenar, não desistem da posição estratégica de destruidor cultural. Para quem arroga poderes (até) divinos, para mandos e desmandos, o maior pesadelo é se defrontar com gente pensante, gente informada, gente culta..., à margem dos seus currais da ignorância e subserviência.

Ao observar a atual cultura do cancelamento (em vida!) nas redes sociais, principalmente de artistas (de qualquer área), por suas opiniões e ou posições sociopolíticas, é impossível não relacioná-la com a absurda censura cultural imposta a autores, diretores, atores etc, entre os anos 1950 e 1957, nos EUA macarthista, que destruiu a vida profissional e familiar de inúmeros intelectuais “de esquerda” que ousavam pensar e ou agir fora dos egocêntricos padrões “patrióticos” dominantes. Tachados de comunistas pró-soviéticos, aos artistas nominados na temível Lista Negra de Hollywood..., cujas vidas eram esmiuçadas desde a juventude, pelo séquito raivoso do Senador McCarthy, que conduzia as investigações do Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC)..., eram “oferecidas” duas alternativas: citar os nomes de outros “comunistas” de seu ciclo de amizades e ou trabalho e voltar à ativa, ou negar os nomes dos inimigos da pátria e ser condenado à prisão e ou ao desemprego. Os torturantes sete anos de perseguição infundada (à classe artística), desencadeados pelo histérico McCarthy, com o aval de J. Edgar Hoover, diretor do FBI e encarregado de “descobrir” as atividades anticomunistas dos “condenados” (sem crime), ainda ressoam nos EUA e deixam resquícios em outros países com vocação autoritária (principalmente abaixo da linha do Equador).


Inspirado em fatos, Culpado Por Suspeita acompanha o insensato processo judicial envolvendo um famoso roteirista e diretor cinematográfico, David Merril (Robert De Niro), que, ao se preparar para rodar seu próximo filme, recebe uma notificação para prestar depoimento, ao Comitê de Atividades Antiamericanas, sobre participações em reuniões comunistas. Pressionado pelo estúdio e espionado pelo FBI, Merril vê o círculo de trabalho diminuir e o circo midiático erguido pelo senador Joseph Raymond McCarthy aumentar e provocar danos (morais e profissionais) na sua vida e na vida de muitos amigos ou colegas de profissão. Assim, após dias de sufoco, as respostas de David à McCarthy e seu Comitê de Abutres, podem ser comprometedoras, mas ele está preparado para as consequências.

O personagem David Merril é fictício, mas o clima kafkiano ao seu redor, a tortura psicológica para delatar conhecidos ou nunca mais trabalhar em Hollywood e ou exercer outra profissão em qualquer lugar dos EUA, é real. Culpado Por Suspeita não é o único a mergulhar no macarthismo. Nessa mesma linha, com mais ou menos intensidade, já tivemos, entre outros filmes, No Despertar da Tormenta (1956); Testa-de-Ferro Por Acaso (1976); Hollywood em Julgamento (1976); Um dos 10 de Hollywood (2000); Boa Noite, Boa Sorte (2005); Trumbo - Lista Negra (2015)..., cada com suas peculiaridades que, no todo, nos dão um panorama do que foram aqueles dias negros para a cultura (principalmente) cinematográfica norte-americana. Um filme a se ver e a se questionar se tamanha angústia cultural e perseguição aos intelectuais realmente chegaram ao fim..., ou se há espaço para repescagem lá e cá. Em tempos de terra plana, há que se ocupar com a engrenagem da gangorra dos negacionistas...

*A partir de 08.04.2021 no serviço de streaming Belas Artes à La Carte

 

NOTA: As considerações acima são pessoais e, portanto, podem não refletir a opinião geral dos espectadores e cinéfilos de carteirinha.

Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros videodocumentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Crítica: Coringa



C O R I N G A
por Joba Tridente

Advertência: Se você é um espectador que está ansioso para assistir à mais nova versão “biográfica” do Coringa, no cinema (que é onde deve ser visto), é bom esquecer tudo aquilo que você conhece e ou que pensa conhecer e ou, ainda, o que ouviu falar sobre o icônico arquiinimigo do Batman..., pois esta história de origem, sem o homem-morcego por perto, pode dar um nó “irreversível” no seu cérebro, principalmente se tiver coulrofobia (medo de palhaços).


Coringa (Joker, 2019), estrelado, ou melhor, incorporado com maestria por Joaquin Phoenix, sob direção minuciosa de Todd Phillips, traz uma leitura incômoda da personagem que, levada pelas circunstâncias e a esquizofrenia, passa de um palhaço lúdico, de sonho de criança ("Minha mãe sempre me diz para sorrir e fazer uma cara feliz. Ela me disse que eu tinha um propósito: trazer risos e alegria ao mundo"), a um palhaço amedrontador, de pesadelo (“Só o que eu tenho são pensamentos negativos.”), e que espectador algum vai querer encontrar pelas ruas do seu sono. Se, como cantou Caetano Veloso em Vaca Profana (1984), “De perto ninguém é normal.”, quanto mais nos aproximamos e tentamos decifrar este “novo” Coringa (ou Arthur Fleck, seu nome de batismo), mais enigmático e real ele nos parece no alto (ou no interior) de sua paranóia homicida (norte-americana?).


É impossível não sentir empatia pelo dedicado Arthur Fleck/Coringa, principalmente no primeiro ato ("Sou só eu, ou as pessoas estão ficando mais loucas lá fora?"), vivendo uma vida miserável, cuidando da mãe (Frances Conroy) enferma, enfrentando todo tipo de humilhação, na rua e no trabalho, e, entre um transtorno e outro, escrevendo seu show stand-up (a sua tábua de salvação), que sonha em apresentar no programa televisivo de Murray Franklin (Robert De Niro) e se tornar tão famoso quanto o seu ídolo (e quem sabe ser perdoado por suas falhas morais). Assim como..., em uma cidade cheia de nãos, aos menos favorecidos social e mentalmente, feito a caótica Gothan City, tomada por ratos e pelo lixo doméstico e humano..., é fácil entender a razão das suas ações e reações insanas, que vão aflorando no seu cotidiano perverso e crescendo rumo ao apoteótico terceiro ato.

Possivelmente, por causa da acentuada presença do astro De Niro, como apresentador de tv, os cinéfilos mais antigos veem na trama visceral de Coringa, em que a ficção ganha ares de realidade (contemporânea), referências aos filmes O Rei da Comédia (no que tange à fama a qualquer preço) e Taxi Driver (no que tange à justiça a qualquer preço), ambos de Martin Scorsese. Toda via das referências, porém, não me parece que estas reverências causem ruídos (ou demérito) na trama original, escrita por Scott Silver e Todd Phillips, que não muda o caráter de Arthur Fleck/Coringa, mas acentua o desequilíbrio mental do futuro vilão (vítima da sociedade?) idiossincrático. Ainda que conte com a presença dos Wayne, mais precisamente na figura de Thomas Wayne (Brett Cullen) que, por conta de um desfecho clássico, torna-se uma piada mortal, na visão do inconstante Coringa (com seu angustiante tique do riso), não deixa de ser uma história autônoma.


Enfim, não creio que Coringa, premiado com o Leão de Ouro, no Festival Internacional de Cinema de Veneza, em 2019, seja a senha para qualquer maluco (psicopata ou não) se inspirar e sair fazendo justiça com as próprias mãos (se não falhar o dedo no gatilho), afinal, por mais semelhanças que tenha com a realidade (da impunidade) é uma ficção com base em elementos quadrinescos. O que não quer dizer que as HQs não possam refletir o cotidiano das terras do tio Sam e d’outras paragens terráqueas.

Então, considerando o fascinante estudo de personagem; a performance tão arrebatadora quão assustadora de Joaquin Phoenix; a perspicácia do roteiro que, mesmo com duas sequências previsíveis, magnetiza o espectador; a violência psicológica, que é muito mais perturbadora que a violência (explícita) física; a neurose de um mundo (real) comandado por criminosos; as apavorantes sequências dentro do metrô, com destaque para a derradeira, insuportavelmente opressiva; a válvula de escape do humor mínima; o cinismo à flor da pele e à luz dos olhos; a trilha sonora tensa; a cenografia (claustrofóbica); o vistoso figurino do Coringa; a sensacional fotografia detalhista de Lawrence Sher..., o filme Coringa vai fazer você querer menos realismo e mais ficção no cinema.


Portanto, se você tem coulrofobia (medo de palhaço), surtos psicóticos, toma remédio controlado (psicotrópico, tarja preta), é sugestionável, é criança, passe longe (muito longe!) de Coringa. Caso contrário, boa sessão! Pois, como disse o mestre Charles Chaplin: “A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.” Será?!


Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeos-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado em Curitiba, no Paraná, Brasil.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Crítica: O Lado Bom da Vida



Um título como O Lado Bom da Vida sugere uma comédia romântica, altruísta e com final para lá de edificante. O trailer, editado com cenas engraçadas, sinaliza o caminho com a promessa de boas gargalhadas. Pelo currículo do diretor David O. Russell (O Vencedor), não se sabe muito bem o que esperar, mas se o trailer é convidativo...

A se pautar pelo trailer, O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook , EUA, 2012), é um outro filme. As poucas sequências engraçadinhas são as que o público já assistiu no trailer. Porém, se por um lado a expectativa por boas risadas é frustrada, por outro a história dramática, beirando o trágico, mas com pegada romântica (não necessariamente envolvendo relacionamento sexual) e algum humor (involuntário), é compensada pela excelência do elenco e direção. O que, vamos combinar, em se tratando de comédia norte-americana contemporânea, é um grande ganho!


O Lado Bom da Vida é uma versão enxuta do romance The Silver Linings Playbook (2008) de Matthew Quick. A narrativa, com roteiro do próprio Russel, acompanha o esforço do bipolar Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) para recuperar, após oito meses interno num hospital neurológico, a sua sanidade e a ex-esposa Nikki (Brea Bee). Para isso se dedica integralmente ao autoaperfeiçoamento, praticando corrida, fitness e leitura de obras que Nikki ensina aos seus alunos. Pat busca mais que saúde física, mental e cultural, ele quer um mundo melhor do que o que deixou e reencontrou após o tratamento clínico. Porém, por mais que procure (nos livros) histórias com final feliz, só encontra final trágico, o que o faz “brigar” com os autores (que selecionou) e, numa sequência emocionante, acordar os pais, Sr. Pat (Robert De Niro) e Dolores (Jacki Weaver), para discutir sobre Adeus Às Armas (A Farewell to Arms, 1929), de Ernest Hemingway.

Pat é um “garotão” simpático, mas difícil de se lidar e tratar. No que ele não está sozinho, excetuando (?) Dolores, a sua família, amigos e vizinhos são um bocado disfuncionais. O que não o impede de tentar retomar a sua vida social e amorosa (com Nikki), e conhecer a bonita e intrigante Tiffany (Jennifer Lawrence), uma jovem viúva que pirou fogosamente com a morte do marido e também tem muitos “demônios para domar”. A “loucura” dos dois acaba criando laços de cumplicidade que pode ser o ingrediente fundamental para os “planos malucos” que têm em mente. Só falta combinar o que um fará pelo outro.

Contrariando muitos críticos e espectadores, Russel, que tem um filho bipolar, disse, em recente entrevista, que a sua abordagem do tema é dramática. E de fato, é estranho imaginar a plateia rindo de uma história repleta de personagens disfuncionais e que é de uma melancolia tangente. É claro que há situações inusitadas, sequências que convidam ao riso, mas é um sorriso nervoso, muito diferente da gargalhada espontânea que parece estar despertando. Se há momentos encantadores, como os deliciosos ensaios de Tiffany e Pat, há outros de dar nó nas tripas, como aquele em que o Sr. Pat (Niro reencontrando o prazer de representar) tenta explicar ao filho o porquê da sua dificuldade em se relacionar com ele. Pelo que lembro, nenhuma dessas sequências faz deste um filme hilário.


O Lado Bom da Vida explora um tema difícil (os limites da “loucura” e da “normalidade”) sem cair na pieguice e no maniqueísmo hollywoodiano. A narrativa é opressiva e os diálogos incômodos. Os compartimentos das casas são tão apertados que parece não caber duas pessoas num mesmo lugar..., e não cabe. A saída é sair, fugir dali. Na cabeça de um bipolar há o mesmo confronto! Até mesmo a rua é mínima para quem está à deriva buscando porto. A intrusiva câmera de Masanobu Takayanagi aprisiona tudo, como se num retrato “3 x 4”, no subjetivo olhar do espectador. A sensação de claustrofobia visual e mental transcende a trama e a tela se apequena.

O Lado Bom da Vida é um drama pesado, mas não é depressivo. Os seus ricos personagens, mesmo ensimesmados, buscam uma saída para se livrar das cascas que os enclausuram. É intenso sem ser choramingas. Não é um filme perfeito, tem problemas com alguns cacos, o fôlego, e é previsível do principio ao fim. No entanto, exala um frescor raro que pode ser sentido com satisfação na direção primorosa (com cortes fundamentais na obra original para o timing cinematográfico) e no elenco de laboratório, a se destacar Bradley Cooper, Lawrence Jennifer, Robert De Niro e Jacki Weaver na mais perfeita sincronia. Dependendo do grau de ansiedade do espectador, vale o ingresso para chorar e ou sorrir.

sábado, 22 de setembro de 2012

Crítica: Poder Paranormal


  
Será que é possível ser original com um tema tão explorado? O diretor e roteirista Rodrigo Cortés acredita que sim: Poder Paranormal é ambivalente. É certo e incerto. Poder Paranormal é um enigma. Você pensa que está pisando num terreno sólido e então, de repente, o chão se abre sob seus pés. Poder Paranormal é um mistério indesvendável; seus personagens, um labirinto; complexos e contraditórios, em busca de si mesmos, definidos por atos e omissões, palavras e silêncios. (...) Nossas crenças são determinadas por nossas esperanças, necessidades, sonhos e desejos... Poder Paranormal propõe uma abordagem rigorosa e científica de fenômenos paranormais. É um filme de gênero com alma de thriller político, mostrando como o cérebro humano é instrumento de percepção da realidade no qual não se deve confiar. Vemos o que queremos ver. Acreditamos no que queremos acreditar.

Poder Paranormal é terceiro longa-metragem de Rodrigo Cortés, o premiado diretor de Concursante (2007) e Enterrado Vivo (2010). O drama de suspense começa com um interessante argumento (e boas intenções), que acaba não se segurando e resultando apenas mediano. Ele acompanha os passos da cética Dra. Margaret Matheson (Sigourney Weaver) e seu assistente Tom Buckley (Cillian Murphy), numa incansável busca para desvendar fraudes em eventos paranormais (domésticos e ou profissionais). Ambos guardam segredos que virão à tona com o inesperado reaparecimento de Simon Silver (Robert De Niro), um lendário e polêmico vidente cego que esteve desaparecido por 30 anos. Silver quer voltar a ser a grande estrela da paranormalidade espetáculo. Margaret acha que Simon é uma página virada. Buckley tem lá as suas razões para crer que nem tudo é o que parece nesse conturbado cenário de blefes entre a ciência e a fé.


Nos últimos três anos o cinema teve três ótimas novidades: o apavorante mockumentary Atividade Paranormal (2009); o arrepiante A Casa (2010), feito em um plano-sequência; e a genial animação ParaNorman (2012). Na TV, mexe e vira e aparece uma série, um documentário, um programa qualquer especulando o tema paranormal. Ou seja, realmente é muito difícil ser original. Mesmo assim, Poder Paranormal (Red Lights, Espanha, EUA, 2012) insiste em seguir adiante mostrando sequências óbvias e batidas para “explicar” as fraudes. O título brasileiro, é claro, quer pegar carona no ainda rendoso Atividade Paranormal..., já o original Red Lights (Luzes Vermelhas) é um código que o espectador logo descobrirá para que serve.

Cortés não tem pressa em contar a sua história. O filme pega algum ritmo na segunda parte e atropela tudo no último ato. O porquê da (desnecessária!) sequência de extrema violência (no final) é um enigma tão grande quanto a irritante musiquinha condutora de sustos. O que parecia ser um trunfo do argumento (ausência de almas penadas arrastando humanos imbecis para o outro lado da vida e ou para o inferno) vai por gosma abaixo quando, do nada, os protagonistas, até então inteligentes, racionais, frios, calculistas (e outros adjetivos clichês) começam a agir com brutalidade clichê (?). Aí, a narrativa que tinha alguma perspicácia ao lidar com o esotérico e o exotérico e desenhava um divertido “mistério” (apesar de banal), tomada de uma incômoda histeria acaba ofuscando a “grande revelação” de Tom Buckley, que não justifica tanta selvageria. Os mercadores (americanos?) parecem crer que inteligência rima mesmo é com demência.

Poder Paranormal é um filme meio: meio interessante, meio envolvente, meio satisfatório, meio sem rumo..., meio clichê. O roteiro renderia bem mais se as ironias (apenas ensaiadas) fossem levadas a sério e ou ganhassem algumas pinceladas de humor (mesmo negro). O trio protagonista dispensa comentários. 
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