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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Crítica: Predadores Assassinos


PREDADORES ASSASSINOS
por Joba Tridente

Conheci e comecei a gostar de filme trash ainda no tempo do VHS (lembra?) e ampliei meu conhecimento e gosto com o advento da internet. O primeiro deles, O Ataque dos Tomates Assassinos (1978), eu nunca esqueci. Depois vieram o adorável Papai Noel Conquista os Marcianos (1964); Evil Dead - A  Morte do Demônio (1981); Re-Animator - A Volta dos Mortos-Vivos (1985); Carnossauro (1993); Sharknado (2013); entre outros clássicos do gênero. Foi pensando nesse prazer que aflora entre um filme cabeça e um de ação e aventura que decidi dar uma chance ao Predadores Assassinos (Crawl, 2019), após assistir, sem querer, a pedaços do trailer que remetem ao cinema bagaceira.

Como qualquer fã sabe, o cinema trash (de raiz) tem o impacto do horror engraçado e do humor apavorante, que te ganha pelo exagero e deficiência técnica em geral, incluindo a orçamentária. Não é uma arte de fácil domínio, já que tem uma “doutrina” própria que é muito “imitada”, mas poucos realizadores chegam a um resultado satisfatório. O que não quer dizer que famosos diretores (involuntariamente?) não tentem, como o alemão Roland Emmerich (2012, Independence Day - O Ressurgimento).


Digo isso porque não creio que fosse essa a primeira intenção do diretor francês Alexandre Aja e dos roteiristas Michael e Shawn Rasmussen, ao colocar em cena uma jovem estudante universitária e nadadora insegura (bem pensado, hein?!), Haley Keller (Kaya Scodelario), que, em meio ao alarme de um furacão de categoria 5, viaja até a região pantanosa de Coral Lake, na Flórida, enfrentando vento e chuva torrencial, à procura do pai Dave Keller (Barry Pepper) e, quando o encontra, acaba ficando presa com ele e o cachorro Sugar numa casa inundada e rodeada por jacarés imensos. Aí, ou nada ou nada de salvação!

Bem, o argumento pode até ter sido pensado para um filme de terror que fizesse o público (adolescente) sensível quebrar o dedinho, morder o dedão ou arrancar os olhos de tanto medo..., porém, com um enredo que beira o absurdo, em vez de uma trama tensa e apavorante (até tem algumas cenas, mas não é para tanto), o que se assiste é um drama-catástrofe (muito previsível) e até divertido, já que (inconscientemente?) o diretor se apropria de todos os clichês do gênero catástrofe-trash, com algumas situações e diálogos pra lá de estúpidos.


Ora, mesmo quem não é norte-americano ou mora em regiões sujeitas a furações e tornados sabe que atrás da ventania sempre vem uma enchente e ou um tsunami e que, por isso, soa um alarme com certa antecedência para evacuar a população da área de risco o mais rápido possível. Toda via dos moradores teimosos em descumprir a ordem oficial, porém, ou a falta de sinal de advertência, pode gerar consequências que, se bem adaptadas cinematograficamente (e Hollywood nunca perde o foco do quanto pior a tragédia, maior a bilheteria!), podem resultar em bons filmes, como o espanhol O Impossível (2012), de Juan Antonio Bayona, ou em deliciosas bagaceiras, com seus heróicos protagonistas egoístas que só pensam em salvar a própria família. Ah, a família estadunidense e suas tragédias pessoais e patrimoniais!


De volta aos mistérios dos pântanos norte-americanos, segundo minha memória afetiva, Alligator (1980), de Lewis Teague, foi o primeiro bom filme sobre jacarés assassinos que vi e que, se não me engano, abriu caminho para dezenas de produções crocodilianas (já numa pegada mais trash) que vieram depois..., onde incluo Predadores Assassinos.

Explico: embora seus recursos financeiros e efeitos especiais sejam bem melhores que aqueles dos irresistíveis filmes da Asylum, em seu indefectível momento divã, o enredo não deixa de apelar para o “emocionante” acerto de contas em família (disfuncional). Assim como em qualquer filme trash que se preze, na hora mais tensa (com o céu desabando, prédios ruindo, ETs e outros monstros atacando, água no nariz, fogo nas partes íntimas), um pai ausente vai (sempre!) discutir a desconfortável relação com um(a) filho(a) cheio de culpas. Aqui, Haley e Dave também vão precisar curar mágoas passadas e mal-entendidos entre eles e o resto da família. Os jacarés que esperem a sua vez de atacar e ou de se consultar. A hora da psicanálise cinematográfica é sagrada! Primeiro a catarse e o perdão e depois a salvação da família, se der tempo..., geralmente dá!


Por mais que tente (?) se levar a sério, assim como o espanhol Jaume Collet-Serra com o seu tubarão territorialista em Águas Rasas (2016), Alexandre Aja raramente consegue criar um clima de terror convincente, de pânico arrepiante, com seus jacarés gigantes (em CGI) atacando a dupla protagonista (com suas ideias estúpidas de sobrevivência) e os coadjuvantes (com suas ideias estúpidas de se dar bem na vida). A mim, pela enfadonha previsibilidade, os ataques provocaram mais risos do que pavor. Também porque (e não podia ser diferente) o ataque “sangrento” dos répteis varia conforme os elencos: para um, qualquer abocanhada é suportável (?) e, não importando a intensidade e o tamanho do estrago físico, lhe dá mais ânimo e agilidade para lutar heroicamente contra a gigantesca ameaça assassina que vem do pântano; para outro, uma mordiscada é fulminante. Uau! Isso dói! Mas só quando rio no rio!

O que não quer dizer que a parte mais sugestionável do público (adolescentes?) não possa se assustar, sentir calafrios, ter pesadelos com corpos destroçados e ou querer ficar longe de rios e pântanos, principalmente se não for um nadador competitivo. Se bem que tenho minhas dúvidas quanto a eficiência do medo induzido pela trilha sonora, já que não é preciso ser nenhum cinéfilo para saber quem vai ser a próxima vítima e de onde virá o ataque dos crocodilos..., principalmente em algumas sequências ridículas (como a da escada). Será que não ter ideias ridículas ajuda? Alguém que não pense tolices pode confundir um jacaré estadunidense, mas será que confundiria um crocodilo norte-americano?


Enfim, considerando o roteiro tosco (quem em sã consciência faria um escoamento de água daquele tamanho e num porão?) e linear, sem nenhuma novidade e ou sequer reviravolta; a infalível mensagem de superação (jornada da heroína por águas infestadas de jacarés: melhor motivação não há); a exaltação dos valores da perseverante família americana; o excesso de clichês que inclui até mesmo um cão de estimação (você nem imagina o que vai acontecer com o pet...); os furos de continuidade e maquiagem; bons efeitos especiais e boa dupla de protagonistas..., ainda que o suspense seja pífio, Predadores Assassinos cumpre o que promete: corpos despedaçados e uma boa dose de sangue para quem não espera muito desse tipo diversão com algum susto (ou vice-versa)!

Ah, e é curtinho, não chega nem a 90 minutos (bem menor que a minha resenha). Para que mais? Cachê de jacaré tá caro, de fazer rolar lágrimas de crocodilo! Sei, essa foi de doer. Mas é pra ir entrando no clima trash de autoajuda insana!


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeos-documentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado em Curitiba, no Paraná, Brasil.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Crítica: Maze Runner - Prova de Fogo


Então..., como em toda franquia, se depois do um vem o dois e o três e, atualmente, até o quarto filme de uma “trilogia” cinematográfica de sucesso literário, após o Maze Runner - Correr ou Morrer (2014), é chegada a hora de mais um teste de fidelidade e agilidade e pernas pra que te quero com Maze Runner - Prova de Fogo, a segunda adaptação da série infantojuvenil homônima escrita por James Dashner.


Maze Runner - Prova de Fogo (Maze Runner: The Scorch Trials, 2015), fantasia de ficção científica dirigida novamente por Wes Ball, começa com a chegada do helicóptero, que alçou voo no final de Correr ou Morrer, levando os jovens fugitivos da Clareira, a uma grande instalação. Todavia, num lugar onde os jovens deveriam se sentir livres e em segurança, Thomas (Dylan O’Brien) estranha a movimentação dos dirigentes e, acreditando numa emboscada armada pela entidade governamental C.R.U.E.L, ansiosa para encontrar a cura de um vírus fatal, convence os seus amigos a buscar ajuda fora dali. Ora, pensa você, para quem já enfrentou o “ardiloso” Labirinto da Clareira e os Verdugos, fugir pelo “Scorch”, uma região desértica, pós-apocalíptica, onde só se vê dunas de areia e ruínas, deve ser moleza. Bem, era isso que o grupo de adolescentes também imaginava, até dar de cara com os Cranks, uns monstrengos zumbis, e com caçadores de recompensa a serviço da Catástrofe e Ruína Universal - Experimento Letal (C.R.U.E.L). É quando (re)começa a correria (e bota correria nisso) praticamente sem fim..., por enquanto.


Uma coisa é certa, não se pode dizer que falta ação corrida e aventura corrida com pitadas de horror (nada gore) corrido e algum drama corrido ao thriller Maze Runner - Prova de Fogo. Ainda que haja algumas cenas esquisitas, aparentemente há menos furos no roteiro de T.S. Nowlin (o mesmo do filme anterior), que traz novos personagens, mas de importância passageira. Wes Ball está mais atento e mais confiante na direção. O elenco (jovem e adulto) continua dedicado aos seus personagens ambíguos. Os efeitos especiais melhoram e há três sequências muito boas e divertidas (labirinto-shopping, labirinto-ruína, e a melhor delas, por conta do surrealismo, labirinto-esgoto).  O que mais? ... 


Enfim, de labirinto (fechado) em labirinto (aberto), a garotada segue fugindo, querendo respostas que só devem encontrar no terceiro e ou quarto episódio..., creio, já que, como disse na resenha do Maze Runner - Correr ou Morrer, apenas dei “uma passada de olhos (leitura dinâmica) no primeiro (livro) e não pretendia repetir com os outros volumes.” Tomara que as respostas venham mesmo, porque, até agora, nada se sabe do confinamento só para meninos da Clareira; jovens desmemoriados; o vírus em constante mutação; a imunidade; adultos sadios; a verdadeira intenção C.R.U.E.L etc.

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