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quinta-feira, 29 de março de 2012

Crítica: Fúria de Titãs 2


Dizem que dificilmente os filmes subsequentes (o segundo é o mais perigoso!) de uma franquia conseguem superar o primeiro. No caso de Fúria de Titãs (Clash of the Titans - EUA, Reino Unido, 2010), de Louis Leterrier, uma refilmagem do clássico homônimo dirigido por Desmond Davis, em 1981, não parecia missão tão impossível, já que o filme de Leterrier foi detonado mundialmente. Quando se anunciou o Fúria de Titãs 2, com direção de Jonathan Liebesman (do equivocado Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles, o original), se imaginava o pior. A boa notícia é que, indo contra quase todas as previsões, a continuação deu certo, superando de longe o seu anterior.

Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans, EUA, 2012) é pura diversão e bem aos modos dos antigos filmes de aventuras greco-romanas. Deixando a ranzinzice de lado: e precisa ser mais que simples diversão? Talvez, depende da expectativa do cidadão. Exigir conteúdo em produções como essa, dirigida ao público infantojuvenil (e aos marmanjos de plantão), é bobagem. Esta nova aventura acontece dez anos depois do intransigente e incrédulo semideus Perseu (Sam Worthington) derrotar o Kraken. Ele ainda insiste em viver num vilarejo de pescadores, onde cria o filho Hélio (John Bell) e lamenta a morte da esposa. Perseu não quer saber de regalias e muito menos das desavenças entre deuses e Titãs. No entanto, Zeus (Liam Neeson) pensa diferente e a intrincada e primordial relação de amor e ódio (e ciúme!) entre pais e filhos (humanos “racionais” e deuses caídos e redimidos) acaba envolvendo Perseu na mais sintomática das guerras (santas). O pior é que ela não garante o céu e ou o inferno aos “vencedores”, já que, no tabuleiro dos sacrifícios, as pedras (sagradas e profanas) oscilam entre a fé e a razão. Nesse embate todos são vítimas do próprio ego.


A questão religiosa já estava em jogo quando Perseu aniquilou o Kraken. Todavia, o que parecia simples capricho devocional dos deuses, virou luta pela supremacia e desejo de vingança (sobrando para os humanos!). Houve um tempo em que, para não ser destronado, Cronos devorava os próprios filhos. Mas não contava com a astúcia de Zeus, Hades (Ralph Fiennes) e Poseidon (Danny Huston), que sobreviveram e o aprisionaram no Tártaro, onde se encontravam encarcerados os monstruosos Titãs, filhos de Urano e Géia. Ali, se banhando em lavas, o vingativo Cronos se aproveita da fraqueza moral de Ares (Edgar Ramírez) e do perturbado Hades para tramar uma forma de punir Zeus e Poseidon e os humanos (que não querem mais saber de deuses). Certo de que um filho de Zeus não foge à luta titânica, Perseu acaba se juntando à rainha Andrômeda (Rosamund Pike), ao semideus Agenor (Toby Kebbell), e a Hefesto (Bill Nighy), para ajudar o pai e evitar um mal maior. O que os heróis vão descobrir, no calor da batalha, é que, com Cronos na parada, a vingança não é um prato que se come frio.

O curioso em uma obra cinematográfica (entre outras) é que o espectador (conforme a sua cultura) pode fazer as mais diversas leituras e se ver “descobrindo coisas” que (talvez) o diretor e os roteiristas nem pensaram em dizer. Às vezes essas descobertas são meros grãos de areia que, fora do todo, podem gerar ideias interessantes sobre algum tema pertinente, como o que se repete nos dois Fúria de Titãs: os percalços da Fé. Para além da metáfora, são muito significativas as imagens de um belíssimo Templo em ruínas e de deuses virando pó. O que nos remete a um conhecido aforismo (excerto de Gênesis 3.19): Memento quia pulvis es et in pulverem reverteris (lembra-te que és pó e ao pó tornarás), e que a cada dia ganha novas interpretações.


É assunto que dá pano para mais de metro de manga e, dependendo do foco, pode resultar em calorosas e (até) divertidas discussões. Se não, veja só, enquanto os deuses gregos, prisioneiros e dependentes da crença humana, fazem de tudo para evitar o deicídio, Cron, o Deus do Conan, o Bárbaro, quer mais que os “seus” fiéis explodam. O próprio cimério reza por rezar, porque sabe que Cron não está nem aí para os problemas do mundo. O genial Millôr Fernandes (1923 - 2012) filosofou que: o homem só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde. Pois é, onde e quando menos se espera pode se encontrar alguma pérola. Não creio que todo o público vá entender o simbolismo (inconsciente) de Fúria de Titãs 2, mas é divertido ir descobrindo um a um.

Quanto ao roteiro de Dan Mazeau e David Leslie Johnson, ele é tão simplório e econômico que não tem nem romance. Ou será que um único beijo pode ser considerado romance? É até menos rocambolesco que o do primeiro filme, mas (infelizmente) não dispensou as (abomináveis) liberdades mítico-poéticas. Os diálogos são mínimos, suficientes apenas para o espectador saber quem é quem e não perder o fio da meada (em meio à pancadaria), e talvez (?) não comprometer o desempenho do elenco competente, mas nada excepcional. Tampouco a história requer grandes atuações. O que poderia ser diferente se a apressada narrativa se aprofundasse na questão da ruptura entre filhos e pais em quatro gerações: Cronos versus Zeus versus Ares e Perseu versus Hélio. Uma singularidade curiosa e comum na cinematografia de Spielberg e que os psicólogos de ocasião adoram decifrar. Porém, como disse acima, a intenção da produção é divertir, não é elucubrar.


Fúria de Titãs 2 é um filme verdadeiramente furioso, e diria até meio mal-humorado. Os efeitos especiais e o bom uso do 3D IMAX proporcionam um clima de ação desenfreada (e vertiginosa) do princípio ao fim. Confesso que em alguns momentos fiquei meio zonzo com a movimentação. Algumas cenas apavoram! E por falar em apavorar, os Ciclopes (aqueles gigantes de um olho só!) são um espetáculo à parte. Perfeitos! Um cinéfilo preocupado com detalhes vai achar que (o duplo) Hefestos lembra o Sméagol de O senhor dos Anéis e ou que o seu labirinto de pedras móveis se parece com o labirinto de aço do (arghhh!) Alien vs. Predador (2004). Na verdade, essa “armadilha” remete ao labirinto de Minos, onde Teseu, com a ajuda de Ariadne, venceu o Minotauro, que (é bom que se diga) tem nada a ver com o monstrengo que aparece aqui. Enfim, este é um entretenimento para quem quer apenas passar o tempo. E nada mais!

sábado, 19 de março de 2011

Crítica: Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles



por Joba Tridente

Se tecnologia fosse sinônimo e garantia de qualidade, depois de Avatar (2009) o cinema não seria palco de tanto abacaxi em “3D” e genéricos. De posse da mais nova tecnologia criada pela Sony, o sistema 4K, que melhora a qualidade da projeção (mas pouca gente vai notar), chega aos cinemas o bombástico Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles.

A ficção científica, dirigida pelo sul-africano Jonathan Liebesman, teria sido inspirada em um fato real ocorrido em 25 de fevereiro de 1942, na região de Los Angeles, no Estado da Califórnia, nos EUA. Conforme registros e publicações da época, milhares de moradores da região foram acordados, na fatídica madrugada, com o barulho das sirenes e dos disparos do Grupo de Defesa Aérea a um desconhecido alvo que brilhava no céu, sem ser abalado com a saraivada de balas. Conta-se que automóveis e residências foram danificados e que pessoas teriam morrido, atingidas pelos estilhaços dos disparos ou por ataque cardíaco. 69 anos depois, o mistério permanece como um dos casos mais curiosos da Ufologia. Para se informar melhor e conhecer fac-símiles e fotos do suposto OVNI, sugiro uma visita ao Fenomenum.


De volta ao Batalha de Los Angeles, o filme, baseado no “roteiro” frouxo de Christopher Bertolini, antecipa a ação dos ultranacionalistas “marines” americanos (quem mais?!) para salvar os civis da Terra, caso ela seja invadida por ETs inamistosos que cheguem atirando para matar os civilizados terráqueos. Se assim for, os sanguinários invasores espaciais não perdem por esperar! A história até que começa bem, apresentando os soldados e seus dramas (familiares e profissionais). A promessa de um bom programa continua com os militares deixando a base e enfrentando um inimigo desconhecido e invisível. Porém, a partir do momento que os extraterrestres se deixam ver (mesmo que desfocados) e a tropa é designada para salvar cinco civis, ele começa a degringolar até o previsível final. A queda é tão rápida que nem o heroico sargento Michael Nantz (Aaron Eckhart) e seus derradeiros tiros com uma pistola, na “gag-homenagem” ao John Wayne (sargento John M. Stryker) de Iwo Jima (Sands of Iwo Jima, 1949), e a referência ao Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960), conseguem salvar a trama da pasmaceira. Já que perguntar não ofende, se um soldado americano (em plena batalha) não sabe quem foi o mítico John Wayne, será que o público juvenil que for ao cinema vai saber?

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles é (claro!) repleto de clichês explode tudo e de pieguice generalizada, embalados por uma trilha sonora horrorosa. A produção não economiza nos bons efeitos especiais, mas também não dá tempo (ou espaço) para o espectador adrenalinado pensar sobre o que vê na tela, além do tiroteio sem fim. Se bem que não há muito o quê pensar sobre esta batalha sangrenta e sem sentido. Os poucos diálogos são inócuos ou padrão, assim como as situações de “confronto” entre os próprios soldados ou o drama enfadonho dos civis refugiados. Todavia, quem não se importar com esses detalhes “bobos”, pode até se divertir com o explosivo espetáculo (que tem cara de querer virar franquia).


Baixada a poeira e retirados os escombros, a pergunta que fica (sem resposta) é: Por que, tendo a faca, a goiabada e o queijo nas mãos, com uma história original ou, no mínimo, curiosa, como esta de 1942, que poderia render um excelente thriller de guerra (dependendo do diretor e do roteirista, é claro!), a produção optou por um roteiro que se resume no contra-ataque e salvamento de alguns civis em uma Los Angeles sitiada por extraterrestres com sede (ôps!) de colonização? Sim, porque, o quê se vê, com ou sem a qualidade “K”, é mais uma versão do clássico Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 1953), como foram o divertido trash Independence Day (1996) e o pretensioso Guerra dos Mundos (2005), só que sem os vírus (de computador e biológico). Ô gente que adora se repetir!
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