por Joba Tridente
Há uma lenda que conta: Quando Jesus nasceu, um grito de dor ecoou por toda a Grécia, anunciando
que o alegre Deus Pã (Deus da
Natureza, dos Pastores, o Amante da Música e criador da Flauta
de Pã) morreu. Com a morte de Jesus Cristo surgiu um “novo” conceito
religioso (que, conforme a mitologia judaico-cristã, é contrário às suas
reflexões): o cristianismo, com suas hediondas cruzadas, invasões e apropriações
de terras e de obras de arte, negação da ciência, inquisições, catequeses,
conluio com governos extremistas,
escravização de povos nativos etc. São muitos os atos ignominiosos (em nome de Jesus Cristo) à disposição de qualquer
um que queira mergulhar em águas turvas ou na lama para entender as origens obscuras
da fé cega cristã.
Para falar de cristianismo e/ou de catolicismo, nos
dias de hoje, qualquer autor tem de estar muito bem preparado para expor seu
ponto de vista às plateias fanáticas e/ou liberais. Pois, conforme o enfoque, ele
pode sair do palco com arranhões provocados por espinhos venenosos e/ou coroado
com auréola de luz néon. O polêmico diretor holandês Paul Verhoeven que o diga!
Não está sendo fácil enfrentar hordas de católicos carolas no lançamento do seu
provocativo drama histórico Benedetta, situado no século XVII. Haja hipocrisia
na eucaristia de cada um preocupado com o pecado alheio que é sempre maior que
o seu...
“Um
convento não é um lugar de caridade”
“Seu
pior inimigo é o seu corpo”
Enfim, passando ao largo de qualquer atitude maniqueísta, mais uma vez o sempre provocativo Paul Verhoeven não decepciona na direção, na escolha do excelente elenco e tampouco na intenção de um enredo tão intrigante (potencialmente explosivo) que tem incomodado muito espectador ao “profanar” o sagrado e “sacralizar” o profano. Pela reação de parte do público (que protesta contra o filme sem nem saber do que se trata), o envolvente Benedetta não vai arrancar facilmente a máscara dos hipócritas.
Trailer: aqui.
Na Wikipedia tem um
ótimo artigo sobre a freira católica, mística e lésbica Benedetta Carlini
(1590-1661).
NOTA: As considerações acima são pessoais e, portanto, podem não refletir a opinião geral dos espectadores e cinéfilos de carteirinha.
Joba
Tridente: O
primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros
videodocumentários fiz em 1990. O primeiro curta-metragem (Cortejo), em
35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e
coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e
divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro
tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder,
2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.
















