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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Crítica: Compramos Um Zoológico



Se há um “gênero” querido (e rendoso) no cinema americano é o sempre edificante baseado em uma história real. Todo ano é lançado ao menos um filme explorando o tema e, dependendo da intensidade do foco (relações sociais, familiares, religiosas, trabalhistas), acaba até indicado ao Oscar. Geralmente são produções com variações “biográficas” sobre um cidadão americano (ou quase) que, contra todas as adversidades da vida, torna-se um vencedor. Um exemplo heroico a ser seguido em todo o mundo.

Inspirado na vida de Benjamin Mee, um ex-colunista britânico do The Guardian e autor de We Bought a Zoo: The Amazing True Story of a Broken-Down Zoo, and the 200 Animals That Changed a Family Forever (algo como: Compramos um Jardim Zoológico: A Incrível História Verídica de um Jardim Zoológico Falido e os 200 Animais que Mudaram Para Sempre a Vida de Uma Família), o drama Compramos Um Zoológico, de Cameron Crowe, é o baseado em uma história real, da vez (de fim de ano). Ele “mostra” como a família de Mee comprou o falido Dartmoor Zoological Park, na Inglaterra, para onde o autor se mudou com a mãe, a mulher Katherine (que morreu três meses antes da reinauguração), os filhos Ella e Milo e o irmão Duncan, e o transformou em uma grande atração turística. A história dos Mee foi contada, anteriormente, em quatro episódios, no documentário Ben’s Zoo, do canal BBC2.


Na trama cinematográfica, a ação foi transferida para a região de Los Angeles, nos EUA. Lá acompanhamos o dia a dia de Benjamin Mee (Matt Damon), ex-colunista de um jornal da cidade que, na tentativa de superar a morte da esposa e melhorar o relacionamento com os dois filhos, Dylan (Colin Ford), de 14 anos e Rosie (Maggie Elizabeth Jones), de 7, se muda com a família para o interior, onde comprou uma casa que abriga, no quintal, o Rosemoor Wildlife Park, um zoológico falido. O desafio (e válvula de escape) de Mee cresce na medida em que seu plano de uma nova vida familiar esbarra nas dificuldades para restabelecer o zoo, precariamente administrado por Kelly Foster (Scarlett Johansson), que conta apenas com uma pequena mas abnegada equipe para cuidar de animais doentes e em extinção.  

O drama, com pitadas de humor, é simpático. Otimista ao extremo, e não poderia ser diferente (?), tem uma narrativa que anda na corda bamba do clichê fácil e da pieguice. É um filme linear que cumpre à risca o propósito do roteiro de Crowe e Aline Brosh McKenna, se bastando no retrato de pessoas comuns vencendo os percalços familiares e profissionais. Não se aprofunda na somatização da dor de Benjamin, que sofre pela morte da mulher e se culpa pela incapacidade de educar os filhos, principalmente o aborrescente Dylan, com quem não consegue dialogar. Tampouco no trauma do menino que se isola num mundo de figuras fantasmagóricas. O que motiva a história é a determinação do cidadão (americano) que (sempre) resolve os seus problemas naturalmente, na hora adequada.


Compramos Um Zoológico (We Bought A Zoo, EUA, 2011) tem boas performances de todo o elenco. Os melhores momentos são arrebatados pela graciosa e doce Maggie Jones (Rosie), que ilumina a tela com a sua inocência e carisma. As sequências mais descontraídas (e ternas) ficam por conta da bela Lily Miska (Elle Fanning) e Dylan, vivendo a “complicada” descoberta do primeiro amor. No acerto das contas pendentes, com a boa sorte sorrindo para todos (até para os animais), o enredo até desenha um flerte entre Kelly Foster e Benjamin Mee, mas, sinceramente, o casal (de atores) não tem a menor química. A trilha funcional, com boas músicas, é mais um complemento do que intrusão e a caprichada fotografia de Rodrigo Prietro emoldura bem o bucólico cenário. Um programa na medida para o público que gosta de se emocionar e ao final do espetáculo dizer: eu também posso!
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