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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Crítica: O Turista


por Joba Tridente

Sabe-se lá porque (?) Hollywood continua convencendo premiados diretores europeus a realizarem remakes de filmes europeus. Será uma espécie de vestibular? Em 2010, ao comentar sobre o filme Chloe - O Preço da Traição (Chloe - EUA, Canadá, França, 2009), dirigido por Atom Egoyam, refilmagem de Natalie X, (Natalie..., França, 2003), de Anne Fontaine, eu escrevi: “A refilmagem é o “gênero” mais difícil pra um diretor de cinema. Se é sua a iniciativa de refilmar (o que duvido!) é porque não gostou de algo na direção do filme alheio e acha que pode fazer melhor. Muita pretensão! Se o interesse é do estúdio, parece que o diretor escolhido pra tal proeza (mesmo que tenha feito bons filmes) ainda não tem competência pra autoria. Ou seja, continua de segunda! Um diretor que “cai” nessa, sempre corre o risco de encontrar um espectador que viu o filme original e fará inevitáveis comparações, raramente pra melhor.


O diretor da vez é o alemão Florian Henckel von Donnersmarck, vencedor do Oscar de filme estrangeiro por A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, Alemanha, 2006), que, ironicamente, já estava nos planos de Sydney Pollack (1934 - 2008) para um remake americanalhíssimo. Pois bem, Florian Henckel foi incumbido (intimado?) de refilmar Anthony Zimmer: A Caçada (Anthony Zimmer, França, 2005), de Jerôme Salle. O resultado pode ser visto na superprodução O Turista (The Tourist, EUA, França, 2010). Um filme que, trocadilhos à parte, é realmente (ou tão somente) uma viagem de puro glamour. A elegância do elenco impressiona, mas o deslumbrante figurino de Angelina Jolie, criado por Colleen Atwood, é digno de Oscar.


Angelina Jolie (que nunca esteve tão linda) é Elise Clifton-Ward, uma estranha mulher que chama a atenção por onde passa (ou melhor, desfila) cumpre religiosamente as “ordens” que recebe através de bilhetes. Numa luxuosa viagem de trem, entre Paris e Veneza, ela se insinua para o americano Frank Tupelo (Johnny Deep), um profesor de matemática, que (como todos os homens que a vêem) acaba magnetizado por ela. Mal sabe ele que acabou de ser fisgado para o centro de uma história onde as aparências enganam.


O Turista é um filme que está muito mais próximo do cinema europeu do que americano. É bom ressaltar que tem um ritmo (lento) que o espectador dos explosivos e sanguinários filmes policiais americanos não está acostumado a ver (e não vai gostar). Mas, pelo clima de romance, pode agradar ao público feminino que odeia filme de (muita) ação e (muita) violência. A sua narrativa é despretensiosa e se desenrola sem pressa, como se o tempo fosse mero detalhe. Às vezes dá a impressão de se espelhar nos canais venezianos, que vão para todo e nenhum lugar, ou que vai emborcar, mas acaba encontrando prumo.


Pra quem já se cansou de ver filme policial com gente, carro, trem, avião, barco etc, explodindo, este thriller, pra lá de romântico, pode ser uma alternativa. A trama, que parece um misto de Sidney Sheldon (1917 - 2007) e Raymond Chandler (1888 - 1959) com Barbara Cartland (1901 - 2000) e Nora Roberts, tem suspense, desejo, mistério, paixão, em uma curiosa sofisticação de literatura barata. E aqui não há nenhum demérito ao sofisticado das livrarias e ao barato das bancas de revista. A fotografia de John Seale e a primorosa direção de arte de Jon Hutman são puro requinte. A estética pode até esconder alguma falha ou simplicidade do adocicado roteiro, mas funciona.

É como diz um Aforismo de Oscar Wilde: As coisas das quais temos absoluta certeza nunca são verdadeiras. Esta é a fatalidade da fé e das coisas que nos são ensinadas pelo romance. (em tradução de Mario Fondelli - CEN)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Crítica: SALT


SALT
ou Salt Bond Hunter - Uma Agente Explosiva

Salt (Salt, EUA, 2010) é um filme de ação-clichê e nada mais. A antiquada e mirabolante história (anos 1960/70), no requentado estilo guerra de gelo, digo fria, entre EUA e Rússia (como sempre), tem muito barulho, pancadaria, carros e mais carros indo pelos ares, tiros à queima-roupa, à sapeca-roupa, à longe da roupa, e uma dona que, SOZINHA, salva o mundo (mais uma vez) da “perversidade russa” e (mais uma vez) da sandice do roteirista Kurt Wimmer.

A trama (?) dirigida por Phillip Noyce parece uma releitura biruta de Os Meninos do Brasil (The boys from Brazil, EUA, 1978), de Franklin J. Schaffner, baseado no romance homônimo de Ira Levin, que trazia no elenco gente do naipe de Gregory Peck, Laurence Olivier, James Mason, Lili Palmer. Ah, não se lembra do velho drama? É aquele do clonezinhos de Hitler, criados a partir de células hitlerianas congeladas e óvulos de mulheres semelhantes à mãe dele etc. Em Salt, saem os nazistas e entram os russos com um projeto ainda mais descerebrado, desenvolvido pela mente “brilhante” de um estrategista sociopata que, com certeza, deve ter lido o livro de Levin ou visto o filme de Schaffner. Inventa daqui e copia de lá, é só trocar Joseph Mengele (Gregory Peck) por Orlov (Daniel Olbrychski). A “inocente” experiência científica (no Paraguai e na Rússia) visa: Desenvolvimento da ciência? Lavagem cerebral? Domínio mundial? Enfiar os EUA numa saia justa? Ou leitmotiv pros americanos continuarem cometendo tolices cinematográficas do gênero?



Com alguns furos e muita exigência do Tico e Teco, pra fazer de conta que o óbvio que se desenha no princípio não se concluirá no final, Salt, assim como o recente desastre de ação Encontro Explosivo (Knight and Day, EUA, 2010), com Tom Cruise e Cameron Diaz, dirigido por James Mangold, se destina a quem tem problemas pra entender um enredo verossímil ou minimamente elaborado e vai ao cinema apenas pra se adrenalinar com seus ídolos, se é que depois de trocentos filmes iguais ainda consiga entrar no clima. A linda Angelina Jolie (Evelyn Salt) não pergunta, mata! Bem, afinal ela uma agente americana (ou seria russa?) com licença para matar, explodir etc. A matança do começo ao fim (praticamente sem sangue), por conta da faixa etária americana que se incomoda com a gosma, se dá por amor, por dor, por traição, por patriotismo, por profissão etc. Eu culparia principalmente as perucas horrorosas que ela usa. Dizem que perguntar não ofende, assim, filme a filme policialesco, CIA quer dizer Central de Inteligência Americana ou Central de Idiotas Americanos? Porque, ô Agencia Central de Inteligência pra ter gente stupid, digo estúpida. Seria patético, não fossem patetas.


Salt é mais um aventureiro produto de ação (colcha de roteiros) que, assim como Encontro Explosivo, vai pegando carona (no meio, na frente, atrás) em produções onde o que conta são as correrias e assassinatos espetaculares (aos modos de James Bond e Ethan Hunt) e acaba tropeçando e caindo no colo de Dupla Implacável (From Paris With Love, França, 2010) dirigido por Pierre Morel, com John Travolta e Jonathan Rhys Meyers, só que sem o humor. A bem da verdade, a sequência de Evelyn Salt, em trajes sumários, sendo torturada na Coréia do Norte, é uma tentativa pífia de repetir a marcante sequência de tortura de James Bond (Daniel Craig) em 007 - Cassino Royale (Casino Royale, 2006), de Martin Campbell.


Ah, a síncope, digo sinopse de Salt. Conta-se que o filme seria protagonizado por Tom Cruise, que recusou o papel de Edwin Salt, por achá-lo muito parecido com Ethan Hunt, de Missão Impossível, e foi fazer o Roy Miller (acusado de traição e de ser um agente duplo) de Encontro Explosivo, muito parecido com Ethan Hunt, de Missão Impossível. Bem, foram alterados alguns pontos e vírgulas no roteiro de Salt e Angelina Jolie, cujos filhos adoram vê-la dando porrada em homens, assumiu o papel da agente explosiva Evelyn Salt. A funcionária pública da CIA, acusada de traição e de ser uma agente dupla, pronta a instalar o caos no mundo americano, vai correr contra o tempo para provar o contrário do que todos envolvidos (nem) imaginam, mostrando (se conseguir) que o verdadeiro perigo está ao lado deles. Uau!

NOTA: Caro leitor, não se preocupe com a desordem dos parágrafos. Fique à vontade. Leia-os na ordem que bem entender. Até mesmo debaixo pra cima. Essa é uma singela homenagem ao filme.
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