C I N E
M A em C U R I T I B A
Luiz
Renato Roble
Sempre gostei de cinema. Lembro que chorava
porque queria ir ao Cine Marajó,
para escutar o sino que tocava antes da sessão. Depois fugia do jardim da
infância para ver desenho animado na televisão em casa. As fugas acabaram sendo
formalizadas e então eu era devidamente acompanhado com segurança por uma
servente do grupo escolar até a casa.
Foi muito emocionante minha primeira sessão de
faroeste naquele mesmo Marajó.
Foi Paulo, meu irmão quem me levou. Me senti mais que apenas um simples menino
depois de assistir cowboys atirando
uns nos outros. Uma vez simplesmente deixei de ir à aula no CEFET para assistir
a um filme na Sessão da Tarde. É que Cine Paradiso, uma comédia deliciosa que
já tinha assistido na Sessão Corujão,
iria reprisar naquele dia. Em outra ocasião, convidei Raquel para matarmos as
últimas aulas e irmos de micro-ônibus até ao Shopping Pinhais, que ficava quase
no fim do mundo, pois queria que ela assistisse comigo A Noviça Rebelde. Deu certo.
Mais tarde, quando nos casamos, todas as músicas
eram do filme. Cinemas, estivemos em todos. Condor, o meu preferido. Astor,
o da sessão da meia noite. Rivoli,
aquele das filas dos filmes de Walt
Disney. Ópera, na frente do Avenida. Vitória, aquele muito grande. Scala,
o virado do avesso. E o Plaza,
aquele que tinha jardim na frente. Quando nos casamos, ganhamos uma TV velha
P&B, com imagens fantasmagóricas e sem som. Para assistirmos o canal 12, o
único que pegava, ligávamos o rádio FM, que na época, sintonizava canais de TV.
A primeira TV O Km a cores, saiu através do consórcio.
Inesquecível, foi quando finalmente saiu o videocassete
no consórcio. Que emoção! Eu dirigindo com aquela caixa do lado, não vendo a
hora de chegar em casa. Antes, passei para me inscrever e locar minha primeira
fita cassete: Excalibur. Com o passar
do tempo a televisão foi aumentando e a quantidade de cabeças dos vídeos
também.
Por pouco tempo, tudo muito moderno.
Veio o DVD, que logo foi substituído pelo
Blue-Ray e que agora foi soterrado pelo Netflix.
Mas quer saber, nada como ir ao cinema. Esses dias fomos numa sala VIP. Muito
VIP mesmo. Preço VIP e tudo VIP. Nos sentimos os VIPs. Mas toda a vipaiada não
se compara à emoção de deixar tudo lá fora e viajar nas asas da imaginação de
um maluco contador de histórias.
Já não choro mais por causa do som do sino, mas
confesso que ainda o desejo.
*
Luiz Renato
Roble é Diretor de Criação na DATAMAKER DESIGN, em Curitiba-PR.
