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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Crítica: Avatar - relançamento



Para quem ainda não viu (?) ou quer (re)ver, está sendo relançado a grande sensação cinematográfica de 2009: Avatar, apenas em versão 3D e com imperceptíveis 8 minutos a mais.

Esta belíssima produção dirigida por James Cameron, pode não causar o mesmo impacto, para quem vai rever, mas ainda emociona. Se não pela incomparável tecnologia usada na criação da obra futurista, então pela edificante história, que continua propiciando várias leituras. Inclusive a que nos remete ao tempo das grandes invasões, digo, descobertas, quando os europeus invadiam, digo, descobriam novos mundos e acabavam com toda e qualquer cultura que encontravam atravancando o caminho ao lucro fácil das riquezas naturais. Tudo, é claro, em nome de seu Deus todo Monetarioso, digo, Poderoso. Grandes “civilizações”, grandes problemas que só fazem crescer no mundo globalizado, onde a catequese do capitalismo (hoje) é mais importante que a sobrevivência (amanhã). Está aí o populista “jeitinho” brasileiro degringolando a região amazônica, o cerrado, a mata atlântica, o pantanal... Quanto às instituições religiosas cristãs, que fomentam a ganância desenfreada, dizimando o bem sem olhar a quem, estas continuam cada vez mais articuladas.



Avatar: uma fantástica experiência visual
publicada no Claque ou Claquete em Dezembro de 2009

Avatar, a mais nova investida cinematográfica de James Cameron, é de deixar qualquer espectador embasbacado com seu magnífico visual em 3-D estereoscópico. Usando e abusando do que há de mais avançado na tecnologia 3-D, o diretor (roteirista e produtor) transforma uma história sobre a exploração de minerais, em um planeta virgem (que para alguns pode até aparecer banal e piegas), num espetáculo contagiante e capaz de tocar o mais insensível crítico dos naturalistas.

Avatar é uma fábula ecologicamente correta. A história se passa em Pandora, uma lua orbitando o planeta gasoso Poliphemus, em Alfa Centauro. É um lugar deslumbrante, como a Terra já foi um dia, com densa vegetação que abriga, além de fantásticas formas de vida animal e vegetal, a civilização dos Na’Vi, pacífica raça humanóide. O seu equilíbrio é quebrado com a chegada de terráqueos em busca de um minério raro e caro. Os invasores, com todo o seu poderio bélico, só têm um propósito: a exploração a qualquer preço. Mesmo que este seja o da vida dos nativos e do perfeito equilíbrio da riquíssima fauna e flora. Como não podem sobreviver à atmosfera de Pandora, usam a manipulação genética para criar os híbridos humanos-Na´Vi (chamados de Avatares), controlados através da projeção de consciência, e se infiltrar entre os nativos e minar as suas forças. Jake Sully (Sam Worthington), um fuzileiro naval paralítico, e Grace (Sigorney Weaver), uma cientista, ambos comandantes de híbridos, serão o fiel da balança na batalha que se anuncia.


Parece uma história conhecida, não é? Na Terra, vemos e ouvimos diariamente do que a ambição desmedida do homem é capaz. Mas não vemos e nem ouvimos soluções..., apenas promessas ao vento. Avatar fala de um futuro ainda possível. Pelo menos na ficção ou no sonho, já que, por aqui, o que continua nos assombrando é o pesadelo diário imposto pelos senhores do mundo desenvolvido, em seus encontros datados para confabular sobre nada. Pois nunca há clima para se discutir uma solução para o clima. Temas como este (invasão, depredação, domínio, força militar, capitalismo, exploração) não são novidades no cinema (nem de animação), o que difere é o enfoque, a forma de tratar o assunto. Com seu tocante e profundo discurso humanista, é difícil não se deixar envolver pela história tão próxima da nossa realidade e torcer por um final diferente do conhecido, quando o que está em jogo é bem mais que a exploração irracional dos recursos naturais. Sociologia barata, dirão os detratores. Barata ou não (em Avatar saiu caríssima), o tema é tratado com precisão, nas entrelinhas. Jamais o cinema viu um assunto exposto com tamanha beleza e dor. Talvez um dia os homens de negócio consigam enxergar a Terra além das cifras.


Avatar é um filme de (muita) ação e com cenas de tirar o fôlego. Nele encontramos referências (ou lembranças) de outros filmes (e literatura) de ficção científica e fantasia. Mas nunca com tal qualidade tecnológica. Nunca tão palpável. O filme arquitetado por James Cameron só se tornou possível com o desenvolvimento de câmeras para a captação de imagens em 3-D estereoscópico. Ferramenta indispensável para o enriquecimento da narrativa e do espetáculo que se apresenta. Em Avatar o efeito 3-D não é mero exibicionismo de um brinquedo novo, mas um coadjuvante de luxo a serviço da história, do cinema, da arte. Ou seja, não basta ter toda essa tecnologia à mão se não se sabe o pra quê. Um bom argumento já é um começo, mas a qualidade do roteiro é imprescindível.

Vale lembrar que, para quem não tem fobia de altura (ou do preço do ingresso), assisti-lo em 3D-IMax pode ser uma experiência única.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Crítica: O Último Mestre do Ar


Talvez por puro saudosismo, lembrança da adolescência vivida numa comunidade onde partilhávamos chá de camomila, pão integral com mel e manteiga de missô com tahine..., e buscávamos o equilíbrio das forças elementais: ar, terra, água, fogo e, acreditando que poderíamos dominar os elementos simplesmente vencendo uma ventania ou um terremoto ou uma enchente ou um incêndio, me simpatizei com O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, EUA, 2010).


O filme, roteirizado e dirigido por M. Night Shyamalan, baseado na televisiva série animada Avatar: The Last Airbender, criada por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, não é nenhuma obra-prima, mas é agradável de se ver. Por desconhecer a série da Nickelodeon, não tive o ranço crítico de ficar comparando personagens, temporadas etc. Acredito que, por isso, curti (de verdade) esta boa história recheada de elementos pertinentes ao estilo oriental dos Contos Maravilhosos. Num tempo em que toneladas de lixo americano trafegam por rios caudalosamente contrários à maré do equilíbrio, na desenfreada busca da mesmice, faz um bem danado apreciar uma antiga mensagem com uma nova roupa.

Acredito que tanto o público infantil quanto os orientalistas se identificarão com a história, simples, que acompanha a evolução de Aang (Noah Ringer), um Avatar, ainda jovem, que por desconhecer o seu potencial (de equilibrar as forças elementais), teme o poder e as responsabilidades que vêm com ele. Compreender a vida é se libertar da morte anunciada, mesmo que não se concretize.  Ao despertar para um mundo em decadente transformação, onde a Nação do Fogo quer reinar sobre a Tribo da Água, o Reino da Terra e os Nômades do Ar, o jovem Aang, além da ajuda dos “Dobradores”, pessoas excepcionais que são capazes de manipular os elementos do seu grupo étnico, vai precisar conhecer a si mesmo, para finalmente ocupar o seu lugar (de fiel da banca) no mundo.


Se a direção de Shyamalan não é das mais memoráveis, também não é esse desastre todo que estão apregoando. Está dentro do razoável, principalmente num ano em que grandes diretores apostaram alto e afundaram com suas “pérolas” douradas. O Último Mestre do Ar tem lá seus excessos, como qualquer produção com o (pecaminoso) propósito de se concluir em três ou mais partes (que nunca esteve tão em voga). Mas os belíssimos efeitos especiais e as notáveis coreografias compensam os possíveis deslizes de um roteiro que, infelizmente, não se bastou num único filme, e até mesmo a “atuação” dos novatos que, por enquanto, não passam de promessas bonitinhas. É uma produção pra se ver sem pressa e em total relaxamento. Pode até faltar umas pitadas de humor (que dizem presente na série animada), mas não lhe falta bela cenografia, mesmo que digital.

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