sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Crítica: Atividade Paranormal


Atividade Paranormal (Paranormal Activity, EUA, 2009) é um filme curiosamente apavorante. Não tem sangue jorrando, tripa esparramando, cabeça e membros voando, trilha sonora ensurdecedora, criada apenas para provocar medo, comum nas atuais produções de terror. Atividade Paranormal fala de um casal que tem a sensação de que coisas estranhas estão acontecendo na casa onde moram. A garota acha que o “mal” a acompanha desde criança, pra onde quer que vá, e por conta disso o rapaz compra uma câmera de vídeo e começa a filmar tudo o que acontece dentro da casa. Os olhos do espectador são a lente da câmera. Ele só vê as imagens que ela registra, só vai onde ela vai..., e vê, antes do casal, o que realmente acontece na casa, quando os dois estão dormindo. É de dar calafrios. E se o ar condicionado do cinema estiver desregulado o arrepio será muito maior.

O susto que Atividade Paranormal provoca vem tão somente dos inexplicáveis ruídos dentro da casa de Katie Featherston e Micah Sloat, principalmente à noite, e da expectativa que eles causam. Simples e eficaz, com seu terror crescendo a cada gravação (nas imagens e na cabeça do espectador), sem efeitos especiais mirabolantes (filmado com uma câmera doméstica, na mão ou no tripé), ele se aproxima de um outro fenômeno alternativo de pavor, no estilo mockumentary: A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project/EUA/1999) dirigido por Eduardo Sanchez e Daniel Myrick. Em ambos, os personagens/atores desconhecidos, que usam o próprio nome, não sabem o que está acontecendo, trabalham com seus próprios temores, agem instintivamente, improvisam e transbordam veracidade. O resultado é tão impressionante que ao final da exibição sempre fica alguma dúvida sobre a história ou sobre o próprio filme.

Numa época em que os estúdios gastam milhões em filmes “de marca”, que vão à bancarrota, Atividade Paranormal é uma grata surpresa. Para quem ainda não sabe, ele foi realizado com apenas 11 mil dólares, pelo desenhista de jogos eletrônicos Oren Peli, e já rendeu mais de 100 milhões, só nos EUA, apenas no boca a boca. Segundo o diretor, é baseado em experiência vivida por ele e uma ex-namorada quando se mudaram pra uma nova casa e começaram a ouvir estranhos barulhos durante a noite. O filme foi realizado em uma semana, em 2007, cada uma dos atores principais recebeu 500 dólares e a casa que serviu de cenário é a do próprio diretor. Os registros "reais", dos estranhos e inquietantes eventos, estão em posse da polícia de San Diego, na Califórnia/EUA, conforme os créditos no filme. Antes de ganhar mercado foi apresentado em festivais alternativos e recusado pelo mais famoso deles, o Sundance. Certo dia, uma cópia caiu nas mãos de Spielberg e o resto é história. Filme e diretor já viraram lenda. Há uma proposta de continuação e o novato diretor (que se mostrou eficientíssimo nesta primeira experiência) já está trabalhando num próximo filme Área 51, lá mesmo, onde as forças norte-americanas escondem os ET’s que capturam. É esperar pra ver.

Ah, não é recomendável ver Atividade Paranormal em sessão noturna, nem Spielberg conseguiu assistir. Mas, como cada um sabe o que faz, deve saber também o que acontece no escurinho do seu quarto, quando um ser “vivo” não está olhando.
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