25ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
21 a 29/01/2022
ONLINE e GRATUITA
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Em tempos
pandêmicos, com onda após onda da Covid.19, não tem sido fácil para os
realizadores programarem os tradicionais festivais e mostras cinematográficas, no
Brasil,. Nos anos 2020 e 2021, a alternativa online, que agradou a milhares de espectadores que jamais tiveram
acesso aos importantes eventos, não foi unanimidade entre aqueles acostumados
às sessões presenciais. Porém, com o vírus fatal obrigando (a todos!) o
recolhimento doméstico, foi a melhor opção. É verdade que houve um congestionamento de festivais e mostras
cinematográficas..., mas, ainda, que dividissem vitrine com teatro, show, ópera, ballet, live, foi, sem
dúvida alguma, a melhor e mais democrática opção cultural.
Na virada do
calendário, quando se esperava que, aos poucos, tudo voltaria ao normal, em
2022, eis que, antecipando as tempestades e enchentes, o vírus reaparece numa
vestimenta Ômicron, para inundar os eventos culturais de dúvidas sobre a
segurança do público, mesmo que restritamente. A grande festa da 25ª
Mostra de Cinema de Tiradentes, programada para exibições presenciais e
online de
mais de 100 filmes brasileiros em
pré-estreias nacionais e mostras temáticas; Homenagem a Personalidades do Audiovisual;
Debates; série Encontro com os filmes; Oficinas; Mostrinha de Cinema, além de atrações artísticas, se viu obrigada
a contemplar apenas as exibições online.
 |
Raquel Hallak - Foto Leo Lara-MG |
Como bem
justifica Raquel Hallak, Diretora da
Universo
Produção e Coordenadora Geral da Mostra
de Cinema de Tiradentes: “Estamos
vivendo tempos complexos e desafiantes em que pensar de forma coletiva e consciente
é o caminho mais prudente para a tomada de decisão. Por isto, mesmo
seguindo todos os protocolos sanitários relativos à pandemia de Covid-19,
em conformidade com o Programa Minas Consciente, as altas taxas de
transmissibilidade inesperadamente altas da variante Ômicron estão exigindo um
cuidado ainda maior. Salvar vidas é o mais importante. Sendo assim, a
Universo Produção, em diálogo com o Governo de Minas Gerais, com a Prefeitura
Municipal de Tiradentes, patrocinadores, parceiros, profissionais do
audiovisual, fornecedores, equipes e curadores, conclui que o melhor a
ser feito neste momento é transferir as atividades
presenciais da 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes para o formato online, mantendo o mesmo propósito conceitual do
evento e de programação. Contamos com a sua compreensão e seguimos confiantes
que dias melhores virão. Vamos estar juntos e fortes no trabalho pelo
cinema brasileiro – razão que nos mantém firmes no propósito de continuar
renovando o compromisso com a nossa cultura, com a cidade de Tiradentes, Minas
Gerais e o Brasil. A programação poderá
ser acessada, de onde estiver e gratuitamente, de 21 a 29 de janeiro de
2022, pela plataforma da Mostra Tiradentes. Acompanhe pelas nossas redes as
informações e orientações oficiais da 25ª
Mostra Tiradentes. Nosso encontro
pelo cinema está chegando e não vamos abrir mão da sua presença online. Use
máscara, faça a higienização das suas mãos, tome a vacina. Em caso de
sintomas gripais, fique em casa.” MOSTRA AURORA
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A
Mostra Aurora celebra 15 anos com
mais um recorte totalmente inédito do cinema brasileiro contemporâneo de
invenção. Dos
sete longas-metragens
vindos de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro, quatro
deles são dirigidos por realizadores que já competiram com curtas na
Mostra Foco em outras edições da Mostra. “
Isso indica que a Aurora de 2022 vai incluir uma continuidade muito
interessante do trabalho desses realizadores, até porque os filmes que eles
apresentam dialogam com os curtas que já foram vistos em Tiradentes”,
destaca a curadora Lila Foster.
Os filmes na Mostra Aurora 2022 são: Seguindo todos os Protocolos (PE),
de Fábio Leal; A Colônia (CE), de Virgínia Pinho e
Mozart Freire; Sessão Bruta (MG), de As Talavistas
e ela.ltda; Panorama (SP), de Alexandre Wahrhaftig;
Maputo Nakurandza (RJ-SP), de
Ariadine Zampaulo; Bem-vindos de Novo (SP), de Marcos
Yoshi; Grade (MG), de Lucas Andrade.

A curadoria
identifica nestes sete filmes uma predominância fortíssima do documentário, não
necessariamente como o gênero dos filmes, mas principalmente em formas de
aproximar daquilo que filmam, em muitos casos buscando na materialidade do
mundo os elementos de suas expressividades. “
Essa aproximação do concreto e da realidade das coisas é uma tônica dos
filmes, o que torna o conjunto muito potente nesse aspecto e constrói diálogos
e pontes entre eles, ainda que claramente sejam longas muito distintos entre si”,
destaca Francis Vogner. Lila completa: “
Sinto
que há modulações entre ficção e documentário e entre fabulação e registro. Maputo Nakurandza, por exemplo, vai mapeando a cidade de
forma poética e cria vínculos com os personagens, que vão atravessando o filme
por pequenas narrativas e num gesto de conhecer um lugar e suas pessoas”.
Todos, então, sob vários aspectos, vão se
costurando dentro dessas possibilidades da câmera diante da matéria do real.
Seguindo Todos os Protocolos coloca o diretor no centro de uma trama de
sobrevivência física e amorosa da pandemia, com um gesto que flerta com a
autobiografia, sem deixar de também compor um registro do estado das coisas –
do flerte, das relações, das paranoias pandêmicas. Tem performance, tem
dramaturgia e tem autorretrato.”

Para os
curadores,
o filme Sessão Bruta radicaliza
ainda mais na performance e é cortado por falas e depoimentos que surgem em
meio aos arranjos cênicos, mostrando também o imaginário e a vida de um grupo
de artistas. Por sua vez, Grade insere a fabulação
num documentário observacional sobre uma determinada estrutura prisional
alternativa, agregando essa ficção àquilo que a realização encontra pelo
caminho. A Colônia segue caminho similar, ao se apresentar como um documentário entremeado
pela ficção na abordagem do bairro Colônia, em Maracanaú (CE), fundado na
década de 1940 como uma zona de confinamento compulsório para portadores de
hanseníase. Se há o escape rumo ao registro mais direto e menos devedor de
imaginários externos, isso aparece em Panorama, que constrói
seu imaginário numa comunidade de São Paulo a partir dos sonhos, memórias e
cotidiano de seus moradores; e Bem-vindos de Novo, no qual se acompanha o processo de
reconstrução afetiva de uma família de descendentes de japoneses
afetada pelo fluxo de imigração entre Japão e Brasil.CINEMA EM TRANSIÇÃO
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“O cinema
brasileiro atravessa um período complexo e delicado em várias frentes. Do
desenvolvimento de projetos à produção, das filmagens à finalização, da distribuição
à exibição, toda a cadeia de realização tem sido reestruturada, reconfigurada
e, muitas vezes, revolucionada. Estamos num período histórico de aceleração dos
processos, que passa pela economia e pela criatividade no audiovisual, desde as
formas de financiamento até a efervescência das plataformas de streaming e a
crise das salas físicas. Mergulhando nesse caldeirão de mudanças, a
Mostra
de Cinema de Tiradentes adota a temática
Cinema em Transição, buscando nesta última palavra o sentido de
suas discussões.”
“Hoje, o cinema brasileiro, tão frágil em sua
estrutura, mas resistente e persistente, está em transição, a maior desde a
popularização do aparelho televisor. E o que seria uma transição? Uma pesquisa
rápida sobre o conceito de transição nos diz: ‘é uma espécie de etapa não
permanente entre dois estados’’’, reflete Francis Vogner dos Reis,
coordenador curatorial da Mostra.
“Em mudanças
técnicas, estéticas e econômicas, o cinema brasileiro contemporâneo será
investigado, durante a Mostra, em
sessões de pré-estreia, debates, bate-papos e encontros com realizadores,
pesquisadores, críticos e profissionais. A ambição é a de ampliar a conversa
sobre novos arranjos profissionais e artísticos em andamento, diante de uma
realidade econômica e criativa que segue institucionalmente negando a cultura
(em âmbito de Governo Federal) e uma movimentação cultural que não pode mais se
restringir aos antigos modelos de produção e circulação de obras, sob risco de
sua própria sobrevivência e a dos profissionais envolvidos.”
“No âmbito
econômico, a suspensão de políticas públicas do audiovisual afetou diretamente
o cinema independente, que antes vinha mantendo um mercado profissional de
técnicos e profissionais de toda a cadeia audiovisual, incluindo crescente
presença de produções distantes do eixo Rio-SP com pessoas negras, mulheres,
cineastas de condição social fora do espectro da classe média e alta e, em
número mais tímido, pessoas trans. “Ninguém
quer e nem pode parar. Se existe muita constrição, precarização e recuos nesse
processo, no aspecto criativo lidamos num cenário em que os intentos, as ideias
e as práticas a partir do audiovisual são fortes em outros territórios de
experimentação. A ocupação de espaços
de produção, antes pouco acessíveis, ampliou a noção do público para uma
produção audiovisual que estava restrita ao circuito de cinema independente
(sobretudo o de festivais) e trouxe novas possibilidades para o trabalho
criativo de equipes que passam a produzir em outros moldes e atingir novos
olhares.”, afirma Francis Vogner

“As necessidades
de trabalho levaram muitos artistas a transitar (eis o conceito) entre campos
distintos, trafegando do cinema para as artes visuais, as artes cênicas, a
música, a performance e outros mais. A internet se tornou um espaço fértil e
essencial para a difusão e manutenção de diversos projetos, sejam
independentes, sejam em acordos com grandes conglomerados de difusão. “Se pensarmos o cinema menos como um objeto
formatado e delimitado por sua identidade tradicional (a sala e a grande tela,
os formatos tradicionais de curta e longa-metragem) e mais como um terreno de
imagens e sons que conta com instrumentos diferentes (ciência, televisão,
internet, apropriação etc), nos deparamos com uma atividade técnica e estética
que não é específica ou apartada de um amplo contexto artístico, midiático,
social e político”, avalia o curador.”
“A forte
presença de coletivos, se não é novidade, se torna ainda mais presente nas
cenas culturais que ultrapassam a fruição convencional dos filmes e lançam
criações diretamente no YouTube ou
projetados em ambiente clubber. “Os filmes, no caso de coletivos, fazem parte
de uma cena mais ampla, que envolve teatro, performance, moda e mesmo o
material da vida cotidiana transfigurado em estéticas e num modo de recepção
distante do tradicional: projetados na rua, em festas, em espaços de dança,
desafiando as definições básicas do que nos acostumamos a chamar de cinema
enquanto fruição, mas também, muitas vezes enquanto divisão de trabalho dentro
da hierarquia de set”.
CURTAS-METRAGENS
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MOSTRA OLHOS LIVRES
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 |
Primeiros Soldados |
Neste ano, três
dos seis integrantes da
Mostra Olhos Livres já passaram
pela Mostra Aurora: Allan Ribeiro (
Mais
do que Eu Possa me Reconhecer, vencedor do Aurora em 2015) chega com
O Dia da Posse (RJ); Caetano
Gotardo (
Seus Ossos, seus Olhos,
2019), com
Você nos Queima (SP); e
Rodrigo de Oliveira (
As Horas Vulgares,
2012, e
Teobaldo Morto, Romeu
Exilado, 2015) com
Os Primeiros Soldados (ES). A
seleção da
Mostra Olhos Livres ainda conta
com
Germino Pétalas no Asfalto, de
Coraci Ruiz e Julio Matos (SP),
Manguebit, de Jura
Capela (PE, SP e RJ) e
Avá
- Até que os Ventos Aterrem, de Camila Mota (SP). Esses seis títulos
são exemplares da diversidade de enfoques da
Mostra Olhos Livres, que tem
revelado a cada ano uma variação de olhares de cineastas que em sua maioria já
possuem um percurso mais ou menos consolidado e outros que fazem proposições de
experimento, abordagem e estilo que consideramos que devem ser vistos e
colocados em debate por sua singularidade ou radicalidade.
MOSTRA À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA
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A
Mostra À Meia-Noite Levarei a sua Alma,
dentro da
Mostra de Cinema de Tiradentes, exibirá no fim de noite sessões
de filmes do gênero fantástico ou extremo. O título sugerido pela assistente de
curadoria, Maria Trika, é uma homenagem ao cineasta José Mojica Marins e
pretende abrir espaço na Mostra para experiências radicais em expressões que
Mojica Marins exerceu durante sua carreira, mais precisamente o fantástico no
terror e o gênero erótico. A ideia é que a Mostra tenha continuidade nos
próximos anos e que o público do cinema fantástico aporte em Tiradentes. Ela
abre com o filme inédito de José Mojica Marins,
A Praga, realizado em 1980, restaurado e finalizado
recentemente, inédito até hoje. Tem 51 minutos e será antecedido por um curta
atual que explica
A Praga, chamado
A Última Praga de Mojica, de 17
minutos, dirigido por Eugenio Puppo, também responsável pela finalização
de
A Praga. O curta relata o processo
de recuperação do filme de Mojica, considerado perdido desde sua realização,
com imagens do acervo pessoal do cineasta, relatos de profissionais envolvidos
e parceiros dele de longa data. Já o filme de Mojica narra a trajetória do fim
de um fotógrafo amaldiçoado por uma bruxa ao tentar capturar sua imagem. O
feitiço tira o sono do jovem e o conduz a sua perdição, atordoado pela a imagem
da feiticeira e o poder da praga rogada pela imagem e que atormenta o
personagem justamente com as imagens. Propositalmente ou não, o último filme do
mestre Mojica é quase uma metáfora desse pesadelo e delírio fatal que é fazer
(e ser devorado pelo) cinema. Essa eterna tormenta pelas imagens que não
se revelam, aquelas alcançadas apenas em um mundo outro, as imagens que como
ideias fixas nos fazem perder a cabeça, aquelas que nos perseguem ao fechar os
olhos e romper com a realidade. As imagens que nos devoram de dentro para fora.
Outro filme que
estreia no À Meia-Noite Levarei sua Alma
é Extremo Ocidente, do carioca João
Pedro Faro. Uma espécie de ensaio pop e gore em uma estética que mistura
texturas de som e imagem pop e analógicas (FM, TV) a partir de uma crueza
estética programática, quase caseira. É um experimento de som e imagem entre o
horror e o cinema de invenção brasileiro. O que o difere do cinema marginal é o
barato tautológico, é o hedonismo sem desespero em uma ficção em que um soldado
solitário em um mundo pós-apocalíptico parece à espera de algo enquanto um
canibal barbariza em meio às ruínas. Faro é um cineasta com gosto pelo horror e
o experimental e tem ideias sobre a imagem e som. É um cineasta jovem que já
conta alguns filmes e possui uma sensibilidade singular no cinema contemporâneo.
MOSTRA AUTORIAS
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A
Mostra Autorias é retomada nesta
25ª Mostra de Cinema de Tiradentes e programa dois filmes que, para além das
assinaturas de diretores com obras reconhecidas, ambos se fazem a partir do
trabalho de outros dois autores: Machado de Assis, em
Capitu e o Capítulo, de Júlio
Bressane, e o fotógrafo Carlos Filho em
Cafi, de
Lírio Ferreira. A
Mostra Autorias, portanto, vai além
da assinatura pessoal do artista para refletir o olhar do criador que tem a
arte como objeto, mas que também se mescla às obras investigadas. São variações
sobre imagens e evocações que se sedimentaram no imaginário a partir de suas
próprias regras, aqui revisitadas.
Em Capitu e o Capítulo, Bressane faz a
sua tradução intertextual não da trama, mas da forma do romance de Machado não
a partir da totalidade, mas do capítulo. As imagens existem como reminiscências
da obra de Machado aproximando as imagens criadas pelo texto ao exercício das
pinturas de ateliê. O personagem narrador evoca a percepção da personagem
Capitu elaborada como patologia, algo pregnante em que cabe não um esforço interpretativo,
mas uma imagem.
Cafi, de Lírio Ferreira, encontra o fotógrafo Carlos Filho e
sua obra, sua reflexão e sua prática fotográfica pregnantes sobre a cultura
popular, mais precisamente dança, teatro e música brasileira. Uma obra que
lança um olhar original sobre outras obras ou que, nos casos mais
significativos, tomam parte do imaginário desses trabalhos. Um exemplo são as
dezenas de capas de disco que criou, com destaque para a que fez para o
álbum Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges.
SESSÃO DEBATE
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A
Sessão Debate traz o retorno de Ruy
Guerra, que foi homenageado na 9ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Moçambicano
de nascença e presença incontornável do Cinema Novo, é um dos grandes cineastas
vivos do cinema brasileiro e ganha um filme que reconhece sua dimensão
histórica, artística e política.
Através de
leituras e arquivos pessoais do autor e trechos de obras diversas, Tempo Ruy, de Adilson Mendes, não é exatamente um filme sobre
Ruy em um tipo de estratégia narrativa que se convencionou realizar nos
documentários biográficos atuais, mas é um filme com Ruy, sobre seu trabalho. O
filme traz as conversas e o cotidiano ordinário de Ruy Guerra, seus relatos
sobre sua trajetória, histórias e seu ponto de vista sobre o mundo e o cinema.
Neste sentido, Tempo Ruy está mais para um
ensaio do que um documentário direto tradicional. Trabalha as imagens menos
como figura e contexto e mais como reminiscência e digressão.
Adilson Mendes,
pesquisador em contato com o mundo dos arquivos, especificamente a Cinemateca
Brasileira, parte não só da intimidade com o amigo Ruy, mas também da
proximidade intelectual do processo histórico do cinema brasileiro, do qual ele
se aproxima por meio das imagens que são montadas com uma poética que
estabelece uma relação original com o discurso do cineasta. Entre a adesão e a
recusa a certos arquivos, com flagrantes dos conflitos e também da beleza das
relações entre aqueles que fizeram parte desse vasto campo chamado cinema
brasileiro, é tecido um fino fio sobre as complexas relações entre cinema,
memória e a história.
MOSTRA 25 ANOS
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“Para a Mostra Retrospectiva 25 anos, escolhemos obras que estrearam na Mostra
de Cinema de Tiradentes. Filmes
diferentes, de cineastas que posteriormente teriam percursos distintos.
Começamos com cineastas remanescentes da geração dos anos 90, como Hilton
Lacerda e Lírio Ferreira, e vamos até um filme emblemático das transformações
do cinema brasileiro e ainda pouco visto, Subybaya, de
Leo Pyrata. Dividimos por anos, não por agrupamentos temáticos, porque a ideia
é olhar para essa linha do tempo e tentar apreender algo sobre o percurso dos
filmes e das suas expressões.”
HOMENAGEM: ADIRLEY QUEIRÓS
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Nesse espírito
de movimentação intensa e de transição entre modos de fazer e fruir que a
25ª
Mostra de Cinema de Tiradentes presta tributo ao cineasta Adirley
Queirós. Desde a histórica e apoteótica sessão de
A Cidade é uma Só?, em 2012 –
quando inclusive saiu com o
Troféu
Barroco de melhor filme da
Mostra Aurora, o cineasta de
Ceilândia, no Distrito Federal, vem apresentando seus novos e instigantes
trabalhos no evento.
Francis Vogner
dos Reis, curador curatorial da Mostra
destaca: “Adirley e a Ceicine (Coletivo
de Cinema da Ceilândia) tomam parte historicamente em um panorama de obras e
cineastas brasileiros contemporâneos que, nos últimos 16 anos, se fizeram entre
a independência radical dos coletivos e o estímulo das políticas públicas para
o audiovisual em nível federal (nos governos Lula e Dilma, com a
descentralização da produção) e estadual e municipal, com o fomento a pequenas
produções”.
Sobre o cinema
de Adirley, Francis diz: “É possível
traçar uma trajetória que reflete um processo político de um passado de
violência traumática que determina o presente e influencia os rumos do futuro.
Não é a violência positivista, o mito fundador da nação, mas uma violência
determinada pelo negativo: ‘aqui não verá país nenhum’. Por outro lado, é desse
território que ele reconhece personagens, músicas e narrativas fascinantes.”

O curador se
refere a filmes como
Rap, o Canto da Ceilândia (2005),
Dias de Greve (2009),
Fora de Campo (2010), o citado
A Cidade é Uma Só? (2012) e os
posteriores
Branco Sai, Preto Fica (2014) e
Era Uma Vez Brasília (2017), todos
a serem exibidos na
Mostra Homenagem e fundamentais
nesse rosto de transição que o cinema brasileiro foi adquirindo nos últimos
anos. “
Bem demarcado, o espaço de criação
é a Ceilândia, território de vivência e construção do que Adirley chama de
etnografia da ficção, um princípio prático e estético que situa não somente o
corpo do cineasta, mas o corpo de uma equipe inteira, uma imersão de onde
emerge a ficção”, analisa Francis. “
A
afirmação desse lugar é também a formulação de uma contradição explicitada sem
maniqueísmos desse espaço denominado Brasília, capital do país, sede do poder,
futuro projetado de uma nação que se funda e permanece situada num regime de
violência.”
A Homenagem a Adirley Queirós será
realizada na noite de abertura da 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes,
no dia 21 de janeiro, sexta-feira.
Na ocasião, o homenageado receberá o Troféu
Barroco, oficial do evento. A programação de abertura contará, ainda, com a
exibição de trabalhos inéditos do homenageado. Os demais filmes da Mostra Homenagem estarão disponíveis no
site 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes, durante o período da
mostra.
fique atento a tudo que acontece na
25ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
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