
Crítica: A Suprema Felicidade
Com direção e roteiro de Arnaldo Jabor, nos chega A Suprema Felicidade. Resta saber de quem, já que o filme é de uma melancolia sem fim. Ou quase.
A “trama” gira, praticamente, em torno de Paulo, dos 8 aos 19 anos (Caio Manhente, Michel Joelsas e Jayme Matarazzo) e na conturbada relação com os pais, Marcos (Dan Stulbach), homem possessivo, ciumento e frustrado aviador da FAB, e Sofia (Mariana Lima), mulher submissa e frustrada dona de casa. O garoto só encontra algum alento na convivência com o espirituoso boêmio e músico avô Noel (Marco Nanini) que, ao seu modo, tenta lhe mostrar que a felicidade pode ser possível, nem que seja apenas por alguns minutos. Entre os anos 1945 e 1956 ele vai buscar (meio desencantado) o seu lugar no mundo carioca, aprender e amadurecer com novas e velhas amizades, amores fracassados, questionamentos morais e religiosos. Através dele conhecemos o falastrão pipoqueiro Bené (João Miguel), que só fala e pensa em sacanagem cabeluda, a “inocente” stripper, sósia de Marilyn (Tammy Di Calafiori), que arrebata corações, o amigo homossexual Cabeção (César Cardadeiro), que sai de cena de forma ridícula, a estranha desfrutável Deise (Maria Flor), entre outros tipos folclóricos de época (ou seria da época?).
Com direção e roteiro de Arnaldo Jabor, nos chega A Suprema Felicidade. Resta saber de quem, já que o filme é de uma melancolia sem fim. Ou quase.
A “trama” gira, praticamente, em torno de Paulo, dos 8 aos 19 anos (Caio Manhente, Michel Joelsas e Jayme Matarazzo) e na conturbada relação com os pais, Marcos (Dan Stulbach), homem possessivo, ciumento e frustrado aviador da FAB, e Sofia (Mariana Lima), mulher submissa e frustrada dona de casa. O garoto só encontra algum alento na convivência com o espirituoso boêmio e músico avô Noel (Marco Nanini) que, ao seu modo, tenta lhe mostrar que a felicidade pode ser possível, nem que seja apenas por alguns minutos. Entre os anos 1945 e 1956 ele vai buscar (meio desencantado) o seu lugar no mundo carioca, aprender e amadurecer com novas e velhas amizades, amores fracassados, questionamentos morais e religiosos. Através dele conhecemos o falastrão pipoqueiro Bené (João Miguel), que só fala e pensa em sacanagem cabeluda, a “inocente” stripper, sósia de Marilyn (Tammy Di Calafiori), que arrebata corações, o amigo homossexual Cabeção (César Cardadeiro), que sai de cena de forma ridícula, a estranha desfrutável Deise (Maria Flor), entre outros tipos folclóricos de época (ou seria da época?).
A Suprema Felicidade é um dramalhão que vai se dividindo em dramas menores até que tudo vire pó ou uma “epígrafe”: As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão (da poesia Memória, de Carlos Drummond de Andrade - 1902-1987: Amar o perdido/ deixa confundido/ este coração./ Nada pode o olvido/ contra o sem sentido/ apelo do Não./ As coisas tangíveis/ tornam-se insensíveis/ à palma da mão/ Mas as coisas findas/ muito mais que lindas,/ essas ficarão). As tramas (re)viram e (re)voltam a um passado (aparentemente nostálgico) meio que de lugar algum para lugar nenhum, pois nada muda no ciclo vicioso das personagens que ficam zumbizando entre si. O tempo cinematográfico da (in)felicidade (individual ou coletiva) também é insuficiente para causar qualquer empatia.
Com uma boa fotografia de Lauro Escorel e excelente direção de arte de Tulé Peake, ele “traça” um painel machofalocratista e depressivo de um tempo que se queria novo, no pós-guerra, em que se acreditava (só acreditava) que era melhor ser alegre que ser triste, apesar de ninguém parecer saber por onde andava a tal alegria contagiante. Segundo Arnaldo Jabor, o filme seria o seu Amarcord (1973), mas, de “felliniano” mesmo, com todas as ressalvas, só a sequência do levante das prostitutas. Enquanto as “recordações” nostálgicas, mágicas do mestre Federico Fellini (1920-1993) enchem os olhos e saciam alma, irradiando felicidade (em meio a questões políticas, sexuais e religiosas), as “recordações” melancólicas de Arnaldo Jabor (que toca nas mesmas questões) parecem cinzas a espera de um vendaval. Em Jabor falta a ironia que transbordava em Fellini. Sobra, então, ao espectador, como válvula de escape, desfrutar (?) dos números musicais, num fragmentado drama que prefere se esvair na dor, a esbaldar-se no prazer e na suprema felicidade.