terça-feira, 27 de outubro de 2009

Crítica: Alô, Alô, Terezinha!


por Joba Tridente

Finalmente chega às salas de cinema o esperado documentário Alô, Alô, Terezinha, de Nelson Hoineff. Se alguns cineastas brasileiros descobriram o filão DOC, o público ainda tem as suas ressalvas. E é bem provável que elas aumentem com este Alô, Alô, Terezinha, um filme que decepciona quem se dispõe a ir ao cinema para saber algo que ainda não saiba ou simplesmente para matar saudades do irreverente Velho Guerreiro.

Alô, Alô, Terezinha (Brasil, 2008) não é, exatamente, uma biografia cinematográfica de Chacrinha. Talvez um título mais correto fosse Adeus, Adeus, Terezinha, já que se trata dos sobreviventes dos Programas do Chacrinha (Discoteca do Chacrinha, Cassino do Chacrinha, Buzina do Chacrinha), mais precisamente das suas chacretes. Recheado de imagens de arquivo (que parecem reprodução de fita VHS rodando num vídeo-cassete com cabeçote sujo), o filme resgata uma dançarina aqui e outra ali e elas vão falando (ou desfiando lamúrias) sobre o antes, o durante e o desafortunado depois da “fama”. É um vale tudo sem fim (droga, sexo, prostituição) numa viagem incômoda que vai do vulgar ao grotesco em questão de segundos.

Chacrinha (José Abelardo Barbosa de Medeiros-30/09/1917 – 30/06/1988) “criou” um jeito irreverente de fazer programas de televisão com muitas baixarias, devidamente apropriadas e multiplicadas pelos atuais apresentadores (“Na televisão nada se cria, tudo se copia!”) que transformam cada vez mais a TV brasileira num mundo cão sem nenhuma coleira à vista. Alô, Alô, Terezinha insiste na dose e no desfile vexaminoso de depoimentos (e desnudamentos) de chacretes, de ex-calouros com suas bizarrices, e até mesmo de cantores conhecidos ou esquecidos, sobre o Velho Guerreiro (e muito mais sobre si mesmos), que acrescentam absolutamente nada à biografia do apresentador ou à memória cultural (televisiva) brasileira.

Alô, Alô, Terezinha pretende ser engraçado, mas o seu “humor” é constrangedor. Se Chacrinha dizia que “veio pra confundir e não pra explicar”, Hoineff não faz nem uma coisa e nem outra, apenas expõe o ridículo de todos que passaram pelo Circo do Velho Palhaço. O apresentador tinha nada de sutil, mas grosseria demais também cansa. O ridículo bom é o ridículo do outro.

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