
Karate Kid
Ao ouvir falar de refilmagem, muitos cinéfilos ficam de cabelo em pé. Principalmente os que ainda têm pelos na cabeça. Karate Kid, “releitura” do filme homônimo de 1984 (dirigido por John G. Avildsen), poderia ser mais uma bomba caça-níquel do gênero “não vale a pena ver de novo”, mas acabou provando o contrário. Quero dizer, continua um caça-níquel, porém, relevando os excessos em mais de duas horas de projeção, ele é um ótimo programa para (quase) toda a família.
Karate Kid (The Karate Kid, EUA, 2010), dirigido por Harald Zwart, com roteiro de Christopher Murphey, tem o mesmo começo chato, muda apenas o cenário. Se, anteriormente, Daniel Larusso (Ralph Macchio) e sua mãe, Lucille Larusso (Randee Heller), saiam de Nova Jersey para o sul da Califórnia, agora, Dre Parker (Jaden Smith) e sua mãe, Sherry Parker (Taraji P. Henson), saem de Detroit para Pequim, na China. Ontem e hoje, porém, Daniel e Dre não se adaptam à nova realidade; se interessam por uma bela garota Ali Mills (Elisabeth Shue) e Mei Yin (Wen Wen Han) atraem a ira de um ex-namorado Johnny Lawrence (William Zabka) e um pretendente Cheng (Zhenwei Wang), com as suas devidas gangues; apanham um bocado e (para se verem livres dos meninos malvados) conseguem ajuda de mestres de artes marciais: Miyagi (Pat Morita), no Karate, e Mr. Han (Jackie Chan), no Kung Fu. O interessante, nessa troca do japonês Morita pelo chinês Chan, é que o Karate (ou Caratê) tem a sua origem na China, mas foi aprimorado em Okinawa, no Japão. Coincidência?
Na China ele recebeu o título Kung Fu Kid, o que (me parece) é mais correto, já que Dre aprende e luta kung fu. As lutas e os ataques da gangue de Cheng são bem violentos, pode incomodar os mais sensíveis, principalmente na competição final. Fora isso, entre uma pancada e outra, a história se espalha (como se tivesse todo o tempo do mundo) e se estica (além da conta) em cenas turísticas, romance, treino, diversão, brigas, preconceito..., num drama juvenil que deve agradar fácil aos fãs (antigos) e fazer novos. O elenco está muito bem ensaiado e traz um Jackie Chan dramático, contido, talvez em sua melhor atuação. Numa divertida sequência, ao ser atacado por um grupo de garotos perturbados, ele desenha uma coreografia maluca, fazendo com que os meninos lutem entre si, sentindo no próprio corpo a dor que infligem (sem culpa e com determinação) em pessoas inocentes. Aparentemente há (ali) apenas humor, nonsense. No entanto, por trás de cada gesto, há uma lição clara sobre o autocontrole.
Ao ouvir falar de refilmagem, muitos cinéfilos ficam de cabelo em pé. Principalmente os que ainda têm pelos na cabeça. Karate Kid, “releitura” do filme homônimo de 1984 (dirigido por John G. Avildsen), poderia ser mais uma bomba caça-níquel do gênero “não vale a pena ver de novo”, mas acabou provando o contrário. Quero dizer, continua um caça-níquel, porém, relevando os excessos em mais de duas horas de projeção, ele é um ótimo programa para (quase) toda a família.
Karate Kid (The Karate Kid, EUA, 2010), dirigido por Harald Zwart, com roteiro de Christopher Murphey, tem o mesmo começo chato, muda apenas o cenário. Se, anteriormente, Daniel Larusso (Ralph Macchio) e sua mãe, Lucille Larusso (Randee Heller), saiam de Nova Jersey para o sul da Califórnia, agora, Dre Parker (Jaden Smith) e sua mãe, Sherry Parker (Taraji P. Henson), saem de Detroit para Pequim, na China. Ontem e hoje, porém, Daniel e Dre não se adaptam à nova realidade; se interessam por uma bela garota Ali Mills (Elisabeth Shue) e Mei Yin (Wen Wen Han) atraem a ira de um ex-namorado Johnny Lawrence (William Zabka) e um pretendente Cheng (Zhenwei Wang), com as suas devidas gangues; apanham um bocado e (para se verem livres dos meninos malvados) conseguem ajuda de mestres de artes marciais: Miyagi (Pat Morita), no Karate, e Mr. Han (Jackie Chan), no Kung Fu. O interessante, nessa troca do japonês Morita pelo chinês Chan, é que o Karate (ou Caratê) tem a sua origem na China, mas foi aprimorado em Okinawa, no Japão. Coincidência?
Na China ele recebeu o título Kung Fu Kid, o que (me parece) é mais correto, já que Dre aprende e luta kung fu. As lutas e os ataques da gangue de Cheng são bem violentos, pode incomodar os mais sensíveis, principalmente na competição final. Fora isso, entre uma pancada e outra, a história se espalha (como se tivesse todo o tempo do mundo) e se estica (além da conta) em cenas turísticas, romance, treino, diversão, brigas, preconceito..., num drama juvenil que deve agradar fácil aos fãs (antigos) e fazer novos. O elenco está muito bem ensaiado e traz um Jackie Chan dramático, contido, talvez em sua melhor atuação. Numa divertida sequência, ao ser atacado por um grupo de garotos perturbados, ele desenha uma coreografia maluca, fazendo com que os meninos lutem entre si, sentindo no próprio corpo a dor que infligem (sem culpa e com determinação) em pessoas inocentes. Aparentemente há (ali) apenas humor, nonsense. No entanto, por trás de cada gesto, há uma lição clara sobre o autocontrole.
Apesar de extenso, o filme (que começa insosso, mas logo ganha ritmo) é bem realizado e emociona, com a sua mensagem de superação física e espiritual: “A vida pode te derrubar, mas você é quem decide se quer se levantar ou não.” Um dos bons momentos (o mais marcante), que sintetiza essa filosofia, se dá quando Dre (discípulo) e Han (mestre) são obrigados a enfrentar os seus próprios “demônios” e descobrem que um depende do outro, para se levantar e caminhar com as próprias pernas, ou continuar sendo um boneco. A construção de toda a sequência é de uma ternura e de uma ludicidade pouco vistas (com tanta força simbólica). A cena do solidário “treino” das sombras (realmente) é de arrepiar!
Tenho vagas lembranças do Karate Kid original. Não quis rever (ôps!) para fazer comparações, já que esta narrativa superou minhas expectativas. Se bem que, se “perdesse” (pelo menos) meia hora seria muito melhor. Recontar (no cinema) várias vezes a mesma história (mudando o sexo, a cor ou a cidade dos personagens) é algo que os norte-americanos não abrem mão. O chato é que, dependendo do gênero, assim que um filme começa a gente já sabe como termina. O bom é que, entre dúzias de diretores medíocres, um ou outro acaba escapando da peneira e dá conta do (velho) recado como se fosse novo. Foi o que aconteceu com este Karate Kid. Já que perguntar não ofende: Será que vai virar moda os longuíssimos metragens, mesmo sem ter cacife, estofo, material, história, roteiro para tanta lenga? Porque, a cada estréia, aparece um filme mais longo que o outro!