quarta-feira, 11 de julho de 2018

Crítica: Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas


Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas
por Joba Tridente.

Quando uma franquia cinematográfica chega ao seu terceiro filme, já não há muita novidade sobre os personagens e os rumos da história. Mas, em se tratando da animação Hotel Transilvânia, espremendo as mangas, ainda é possível encontrar alguma surpresa nas cartas de navegação que o eficiente diretor Gendy Tartakovski (Samurai Jack) guardou e agora joga na mesa das apostas, cuja roleta do tempo traz o incansável e inescrupuloso caçador de monstros Abraham Van Helsing para a sua batalha definitiva contra o Conde Drácula, em Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas.


Roteirizada por Michael McCullers e Tartakovski, que também dirigiu Hotel Transilvânia (2012) e Hotel Transilvânia 2 (2015), a trama de férias começa a desfazer os nós em 1897 (a bordo do trem de passageiro Bavária/Budapeste), ilustrando todas as tentativas frustradas do ostentoso Van Hensing em eliminar o Conde Drácula até os dias de hoje, quando o caçador arquiteta o mais mirabolante e infalível plano para acabar com todos os monstros (de uma só vez) e que será colocado em prática durante um cruzeiro de luxo (especial para seres monstruosos) que começa no Triângulo das Bermudas e termina na “cidade perdida” de Atlântida, com seus cassinos e diversões típicas de Las Vegas.

Nesta peleja centenária, onde não há espaço para blefe, mas que está repleta de brechas para gags visuais e muito humor pastelão (e algumas boas metáforas), Van Helsing, agora reduzido a uma mirabolante engenhoca steampunk e vivendo no porão do seu imenso navio, e a sua decidida e impaciente bisneta Ericka, a dúbia capitã que mexeu com o coração solitário do tímido viúvo Drácula (em busca de um novo amor) farão de tudo para encontrar um antigo artefato que poderá ser fatal para monstros.


Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas, com sua fantástica viagem marítima ao redor de um mundo de aventuras muito além do Triângulo das Bermudas, é uma boa comédia de erros, onde não faltam ação, suspense, confusão romântica entre os casais e espaço para trapalhadas individuais ou em grupo de personagens queridos como o Geleia, a Múmia Murray, o Frankstein Frank, o Homem Invisível Griffin, o ruivo Dennis (e seu esperto cachorro gigante “Bob”), filho do humano Jonathan e da vampira Mavis. A viagem por águas desconhecidas é tão insólita que até mesmo o decrépito vovô Vlad é capaz de despertar interesse amoroso... Como não sou trailer, falar mais que isso é comprometer o enredo, desvelando grandes surpresas.


Assim, considerando a apuradíssima técnica cartunesca, que brinca com a forma física dos personagens; os fascinantes cenários e deliciosos achados visuais (como nas excelentes sequências no interior do trem e do avião dos Gremlins, ou no passeio de Drácula pelo convés e pelo fundo mar); a história linear com final razoável (que lembra o duelo musical de O Touro Ferdinando) e o humor fácil para o público infantojuvenil e seus acompanhantes adultos; o colorido agradável e a mensagem bacana sobre o excesso de trabalho e sobre a aparência física e as ações violentas que não distinguem homens e monstros (ironizando duplamente Van Helsing..., e os belicistas do mundo); o roteiro simples com soluções inteligentes para diferentes situações cômicas (relacionadas à tecnologia e ou ao amor)..., Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas pode não ser melhor que os dois filme anteriores, mas ainda diverte graças à inegável competência de Gendy Tartakovski e seus adoráveis monstros travessos.


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

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