quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Crítica: Origem


Origem

Origem (Inception, EUA, 2010), escrito e dirigido por Christopher Nolan, se depender da crítica (embevecida), será a nova sensação cinematográfica a marcar o ano, a década, o século. O drama de ação e aventura fala de um bando especializado em roubar informações sigilosas e valiosas da mente de uma vítima entorpecida. O grupo, chefiado por Don Coob (Leonardo DiCaprio), é contratado por Saito (Ken Watanabe), um rico empresário do setor de energia, para uma tarefa diferente: inserir uma idéia no subconsciente do executivo Robert Fischer (Cillian Murphy), provocando a desestabilização de seu monopólio. A turma muito mal intencionada é “incorporada” por um elenco muito bem intencionado: Marion Cotillard é Mal Coob, o espectro da mulher de Coob, sempre se metendo a onde não é chamada; Ellen Page é Ariadne, a arquiteta que projeta o labirinto usado no golpe final; Joseph Gordon-Levitt é Arthur, uma espécie de braço direito de Coob; Tom Hardy é Eames, um falsificador de aparência e ilusionista; Michael Caine, mestre e sogro de Coob. Mas o destaque fica por conta de DiCaprio que (apesar do papel ser parecido com o do agente federal Teddy Daniels, de Ilha do Medo) continua provando que é muito mais que um rosto bonito em Hollywood.



A narrativa, que parece uma cópia de segunda da excelente animação japonesa Paprika, de 2006, e também lembra outras produções cinematográficas de ficção científica, apesar da aparência frenética, é um tanto confusa e arrastada. Tem alguns efeitos especiais (realmente) fascinantes, mas veste uma história que carece de maior criatividade até mesmo quando envereda pelo romântico caminho do desejo. Pouco depois da metade parece perder totalmente o rumo, é a senha para que o espectador sonolento, que não consegue mais acompanhar o fio de Ariadne, digo da história, saia. Quem fica tenta (ao menos) se envolver com a mesmice (tapa buraco) da indefectível e tradicional violência gratuita (travestida de autodefesa). São raros (muito raros) os diretores que conseguem realizar um filme sem as costumeiras cenas de ação: perseguições a pé (trombando, derrubando gente e coisas, tiros a esmo), de carro (trombando, explodindo, voando, rolando), explosões diversas e tiroteio sem fim (atiradores ruins de pontaria e armas sem mira). Haja paciência!


A trilha sonora, de Hans Zimmer, é excelente, porém (se torna) irritante, pelo altíssimo volume e onipresença. Parece “estar em cena” mais para confundir (do que subestimar) a inteligência do espectador. Ou funcionar como uma lavagem cerebral (ou seria musical?) evitando que se pense a respeito do que está sendo projetado na tela e na mente (dos personagens e do espectador). Aliás são raros os segundos em que o filme não é embalado por alguma música condutora de emoções (vagas!). Chutado do princípio ao fim, por tanta modernidade instrumental, não consegui embarcar na induzida viagem onírica e contei os segundos pra acabar o (duplo) pesadelo. O curioso é que, assim como a personagem de Leonardo DiCaprio, a trilha de Origem lembra muito a de Ilha do Medo, dirigido por Scorsese. A diferença, aqui, é o excesso de inserção (ôps!). Pra mim, um verdadeiro onipresente de grego!

Gosto de experimentação e acho que a cada dia mais o cinema (que nos chega, evidentemente) precisa de uma boa chacoalhada. Porém, Origem (realmente) não me convenceu na sua grandiloquência. É provável que esta aventura onírica (com seu final terno e sombrio) conquiste uma seleta platéia fã de quebra-cabeças, mesmo que o jogo não passe da 1ª fase de discussão. Ou que o pião seja mera ilusão de ótica.

6 comentários:

  1. É isso aí! Este filme é uma espécie de fast-food de restaurante fino. Você sai do cinema impressionado com as belas imagens, mas no fundo, bem no fundo, tudo aquilo não quer dizer nada é só firula. Assim como foi com Aminésia. O grande filme do Nolan ainda é o Batman 2, muito melhor que todo resto da filmografia dele junta.

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  2. Olá, Antunes.
    A mim o filme, realmente, não convenceu.
    Me fez sentir saudade dos "dogmáticos".
    Acho que, com uma boa limpada, até que ficaria curioso. Mas não muito mais que isso.

    Abração.
    T+
    Joba

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  3. Não te entendo! Acha legal karate Kid "2!?!??!!!", Cãe e Gatos "2?????!!!!!"e acha ruim o Inceptions, mal traduzido, como sempre para "origens"? Novamente: idéias, idéias, idéias! No meio de tanta competência nos fios de arame, ambiente matrix, FXs, uma boa ideia vale ouro! As soluções de roteiro. Como falar num mundo dominado por wikis, calúnias e palpites? Uma boa ideia pelamordedeus!!!
    Ah, sou frequentador assíduo desse blog, vejalaheim!

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  4. Ah, Miashyro, que culpa tenho eu se não conhece todos os filmes de gente entrando nos sonhos, mente, cérebro, corpo alheio, "referência" presente nessa baba colcha de retalhos. Cara esse Origem nem é original (ôps!).
    Quanto ao Chatrix, digo, Matrix, é outra baba colcha de retalhos (principalmente o primeiro) de todos os filmes de FC feitos até então, incluindo aí as animações (como em Origem).
    E tem, mais: pode não parecer (pelos meus comentários críticos), mas eu sou humano, cara.
    O saudável, no mundo artes, continuo a repetir, é o ponto que cada um avista.
    Valeu a discordância.
    Abração.
    Voltando de viagem nos falamos (ou brigamos).

    T+
    Joba

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  5. Ah sr. Showba!
    Não fuja da laia avec elegance avec est papo de "gosto de cada um"! O sr. não é nada disso, je te connais beaucoup de bien! Falo a franca língua dos francos parce que ç'est la langue du duel!!!!!! Nenhuma idéia, hoje em dia, pode declarar ser original.. Fala aí algum filme que tenha proposto uma nova idéia, que não tenha sido ja copiado pelo teatro, pelo ilusionismo, pela literatura, pela mentira... mas estou philosofando e o senhor não gosta de coisas chatas, que tenha de pensar, não é? Toda produção hoje em dia copia, algo muito copiado. Então a originalidade, a boa idéia esta aonde? Naquilo que o cinema tão bem faz, na forma, em reincindir, em reinterpretar. De como esses filmes colidem com nossos novos pesadelos. Agora, Karate Kid 2 já é um pesadelo formadado que não precisa de maiores inserções por parte de quem assiste, portanto é grotesco... apesar disso: le laid aux yeux dús est beau à autres

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  6. Então tá, Miya.
    Qualquer hora devo postar um novo comentário sobre a origem de Origem.

    ABração.

    T+
    Joba

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