quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Crítica: O Predador


O Predador
por Joba Tridente

O ano em que fizemos o primeiro contato com um Predador a gente nunca esquece: 1987, tendo no front Arnold Schwarzenegger, no auge da fama, sob a direção de John McTiernan e roteiro de Jim e John Thomas, escrito em 1985 e cujo título original, Hunter, vai servir de discussão semântica no mais recente contato com o extraterrestre rastafári em O Predador (The Predator, 2018), dirigido por Shane Black, coautor do roteiro com Fred Dekker. Nesses 31 anos o monstrengo de terríveis mandíbulas, que há princípio, só matava terroristas, traficantes, bandidos, já apareceu na telona em Predador 2 (1987) e Predadores (2010)..., e mais duas esquecíveis (se é que alguém se lembra!) escorregadas num confronto (?) com o Alien em 2004 e 2007.


Desta vez a aventura começa com uma vertiginosa perseguição no espaço sideral, culminando numa desastrosa entrada em órbita terrestre da nave alienígena do Predador..., que vai dar de cara justamente com um franco-atirador militar norte-americano Quinn McKenna (Boyd Holbrook), em plena ação contra traficantes. A situação não é boa nem para o extraterrestre e nem para o humano. Um predador em fuga, tentando desesperadamente encontrar alguns pertences saqueados, não tem limites para abrir caminho até eles. Um militar (acuado pelo governo e responsável pelo saque) é capaz até mesmo de criar um grupo de defesa..., formado pelos ex-soldados em tratamento psiquiátrico: Nebraska (Trevante Rhodes), Coyle (Keegan-Michael Key), Nettles (Augusto Aguilera), Lynch (Alfie Allen) e Baxley (Thomas Jane)..., para proteger o seu filho autista de cobiçada inteligência Rory (Jacob Tremblay)Segredos e (requentadas) conspirações, envolvendo o governo dos EUA, vão se desvelando no decorrer da agitada trama (pouco convincente em suas três diretrizes: extraterrestre, governamental e militar), que não dispensa, na corrida contra o tempo, nem cães predadores (muito mal resolvidos em CGI) e nem cientista como Casey Bracket (Olivia Munn), que se mostra bem mais que uma exobióloga no tratamento com extraterrestres. Saber mais do que isso pode estragar a sua sessão de cinema, principalmente se for novato neste Universo Predador.


O Predador (2018) traz um olhar tresloucado para o futuro (de uma nova franquia), mas sem deixar de lado a ideia original do passado..., pelo menos no “prólogo” (que faz referência ao filme de 1987, substituindo reféns da guerrilha por reféns de traficantes). Ainda que ágil, seu enredo (vago?) é um tanto mirabolante (para não dizer confuso), com exageros (meio trash), personagens caricatos, piadas grosseiras e humor que beira o pastelão, tiroteios cansativos e inúmeros decepamentos "gore” (tradicionais à mitologia do extraterrestre), mas que assustam a ninguém, já que o suspense é inócuo.

Enfim, considerando que o enredo (impossível de se levar a sério) tem um quê de já visto e com seu viés oitentista está mais propenso à diversão pipoca (e precisa mais?) do que à elucubração cientificista, ainda que se desenrole num fio tênue entre a comédia, a paródia e o drama; notando que o elenco é muito bom e que relevei uns dois personagens caricatos; vendo que o CGI não é dos melhores (ao menos em 3D); lembrando que quem rouba as cenas é o grupo de malucos (The Lonies)..., se você também é fã do Predador, desde que não busque comparação com o clássico de 1987 e seja nada exigente, há uma boa chance de se entreter com este O Predator...  


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Crítica: Alpha

ALPHA
por Joba Tridente

Nos últimos anos as salas de cinemas têm sido tomadas principalmente por produções espetaculares, repletas de super-heróis em ação na Terra e no Universo além, voltadas para o publico juvenil e adulto. Eis que, neste finzinho de inverno sul-americano e na contramão da pancadaria norte-americana, nos chega um singelo exemplar no melhor estilo de épico pré-histórico: Alpha, dirigido com habilidade e farta imaginação por Albert Hughes (O Livro de Eli).


Situado na Europa de 20.000 anos atrás, ali pelo final da Idade do Gelo, o roteiro simples, mas envolvente, de Daniele Sebastian Wiedenhaupt, nos traz a curiosa história de amizade entre o pré-adolescente Keda (Kodi Smit-McPhee) e o lobo Alpha (Chuck, um cão-lobo checo)..., sugerindo o momento de domesticação dos canídeos pelos homens. Keda é filho Tau (Jóhannes Haukur Jóhannesson), um chefe Cro-Magnon, e na sua primeira caça aos bisontes, onde se confirmará o seu rito de passagem (de jovem para adulto), ele sofre um grave acidente e é dado como morto pelos membros da tribo. Ao recobrar a consciência e tendo apenas uma tatuagem estelar para se orientar, Keda inicia o longo e difícil caminho de volta para casa. Uma jornada (do herói) que fará na companhia de Alpha, um lobo que feriu e depois curou, após o enfrentamento com a alcateia. Durante a acidentada viagem de retorno, um protegerá o outro, pois, como disse Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe (1943): “Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas”.


Acompanhando a rota da fala inusitada..., que anteriormente repercutiu o fascinante A Guerra do Fogo (1981), de Jean-Jacques Annaud, com diálogos em língua original escrita por Anthony Burgess e Desmond Morris..., para Alpha foram criadas cerca de 1.500 palavras, que, infelizmente, no Brasil não serão ouvidas pelos espectadores, já que todas as cópias (com a estúpida desculpa de ser filme infantojuvenil) serão dubladas. Uma pena, pois, segundo a crítica norte-americana, a língua usada no filme é bem interessante (e rara nesse tipo de entretenimento, já que, do ponto de vista cinematográfico estadunidense, o inglês é falado da pré-história terrestre a qualquer canto futurístico do Universo onde o homem jamais esteve) e valoriza o contexto. A ironia maior é que geralmente Hollywood refilma produções estrangeiras de sucesso, porque o publico americano odeia legendas e agora está se deliciando (sem perceber) com a “brincadeira” linguística. Será que por aqui, onde infelizmente cresce o número de filmes dublados (sempre pelas mesmas cansativas e automáticas vozes a serviço (?) de um público com preguiça mental), o dublaram (e muito mal!) porque não sabiam traduzir a fictícia língua pré-histórica? E olha que os diálogos são mínimos...


Enfim, com sua interessante e econômica trama (pontuada com mensagens edificantes: Ele lidera com o coração e não com a lança. Levante a sua cabeça e seus olhos a seguirão.), Alpha se conecta facilmente tanto aos espectadores infanto-juvenis (público alvo) quanto aos mais velhos (principalmente se amantes dos cães). Não faltam recursos estéticos para um apreciável mergulho (ou seria sobrevoo?) numa paisagem árdua, porém deslumbrante, que reproduz satisfatoriamente a visão da paleontologia, emoldurada pela sensível fotografia de Martin Gschlacht e efeitos especiais que se destacam em sequências de tirar o fôlego, como a da alucinante caça aos bisontes e a do drama de Keda preso sob o gelo...


Se você relevar algumas liberdades poéticas (que em momento algum comprometem a narrativa) ou não se importar com a ousadia do figurino inacreditavelmente bem cortado e bem costurado (acho que é do mesmo desenhista de moda e costureiro bíblico do ridículo Noé, de Darren Aronofsky), com certeza vai apreciar este admirável conto de ação e aventura (cujo foco vagueia entre o infantil o juvenil e o adulto) ao falar (sem pieguice!) de autoconhecimento, de superação e de amizade. A época (pré-histórica) aqui é um mero detalhe, já a questão de sobrevivência humana (e a relação com os cães) continua inalterada milênios depois...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Crítica: As Herdeiras



As Herdeiras
por Joba Tridente

Verdade seja dita, no Brasil o grande público sabe muito mais do cinema argentino, mexicano, cubano, uruguaio, do que do paraguaio. Mas, toda via da vizinhança latina, no entanto, pode ser que esta falha comece a ser corrigida com a estreia do premiadíssimo (em Berlim e em Gramado) drama As Herdeiras (Las Herederas, 2018), escrito e dirigido com notável competência por Marcelo Martinessi. O filme intimista e de uma elegância rara, fruto de ampla parceria (Paraguai, Alemanha, Uruguai, Noruega, Brasil, França), tem elementos do universo homoafetivo feminino suficientes para fazer sucesso aqui (e no mundo) junto ao público adulto, não necessariamente da terceira idade, como suas protagonistas...



Em sua trama bem urdida, As Herdeiras, com seu fascinante estudo de personagem, enreda o espectador à recente e desconfortável rotina de Chela (Ana Brun) e Chiquitita (Margarita Irún), duas mulheres outrora abastadas (na faixa dos 60 anos) que, passando por dificuldades financeiras e sem alternativa de renda, se veem obrigadas a vender seus preciosos bens. Aos poucos o casarão onde residem, em Assunção, capital do Paraguai, começa a esvaziar e este vazio a corroer a discreta relação homoafetiva que mantém há 30 anos. Neste ínterim Chiquitita é presa, por sonegação de impostos, e a vida de Chela, que até então, envergonhada da sua decadência econômica, evitava qualquer tipo de exposição social, toma um inesperado rumo, ao servir de motorista particular para idosas ricas e conhecer a sedutora e independente Angy (Ana Ivanova), uma mulher jovial em busca do prazer e da felicidade.


O diretor paraguaio Martinessi não tem pressa de abrir frestas que desvelem a personalidade de sua ensimesmada protagonista, tão cheia de receios sobre a própria intimidade e ou dúvidas sobre a exposição dos seus latentes desejos ao julgamento moral da sociedade hipócrita ao seu redor. Em sua excelente crônica de costumes (sociais e sexuais), tão familiar (e penosa) aos nossos olhos latino-americanos, não há sobras ou rebarbas a serem cortadas e muito menos alinhavos a serem feitos na envolvente narrativa que se arredonda e surpreende a cada minucioso parágrafo visual, com suas nuances na introspectiva fala do olhar de Chela, e ou no alvoroço alheio de Chiquitita na prisão feminina. A mim, os planos fechados, principalmente no rosto de Chela, na ânsia de desvelar a sua alma e sentimentos, através do seu expressivo olhar (que diz mais que qualquer diálogo), aproximam As Herdeiras dos mais fascinantes dramas psicológicos bergmanianos, como, por exemplo, a obra-prima Gritos e Sussurros (1972).


As Herdeiras é um filme tão belo quanto melancólico. Ainda que transite entre a fantasmagórica penumbra que se espalha pelo casarão (que aos poucos perde a identidade, esvaziado da memória de seus pertences) e a luz exterior que vagarosamente sinaliza os novos rumos de Chela pela cidade, na sugestiva fotografia naturalista de Luis Armando Arteaga, que foca o que é essencial e desfoca o que é detalhe descartável, como os meros coadjuvantes (quase figurantes) masculinos, numa trama libertária majoritariamente feminina (ou feminista!). Quanto à “trilha sonora”, felizmente ela só marca presença se minimamente necessária..., ou seja, a emoção é genuína e não conduzida por musiquinhas chorosas ao irritante estilo hollywoodiano. Ah, e por falar em Hollywood, não será surpresa se os norte-americanos decidirem refilmar esta história, do ponto de vista piegas lá deles, só para não ser preciso legendar...

Enfim, As Herdeiras, com seu irretocável elenco, é um filme de sutilezas femininas que vai agradar também aos homens..., sutis ou não em seus desejos mais íntimos!


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Crítica: Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas



Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas
por Joba Tridente

Confesso que jamais vira os tais Jovens Titãs até assistir à hilária animação juvenil Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! To the Movie, 2018). A princípio, por conta, principalmente da arte bem comum do cartaz, pensei em não ver o tal desenho animado oriundo de uma série (homônima) de tv, acreditando ser mais uma bobagem infantiloide. Mas, ouvindo uma informação aqui e outra acolá sobre os personagens e ignorando totalmente a sinopse, decidi arriscar..., e gostei do filme que vi. Bem, só o fato de ser apaixonado por animação, acho que valeu meia metragem corrida. Quanto ao traço simplório (em 2D), rotineiro em preguiçosos desenhos animados televisivos, acabou não interferindo no meu conceito..., talvez porque, em meio à narrativa mirabolante e muito ágil, acabei me encantando com a interferência (em flashback) de uma graciosa animação (bem infantil!) feita de recortes, sobre a vida de Robin.


Para quem não é fã da série de tv, assim como eu, e sequer ouviu falar dos personagens e tampouco assistiu aos trailers, saiba que a divertida história gira ao redor do egocêntrico Robin (aquele “parceiro” do Batman) e seu grupo de jovens aspirantes a super-heróis, formado por Ravena (feiticeira), Ciborgue (meio humano e meio robô), Estelar (extraterrestre) e Mutano (metamorfo), que andam ressentidos porque a Warner Bros ainda não demonstrou nenhum interesse em realizar um filme sobre eles. Robin, que é o mais vaidoso e obstinado do quinteto, fará de tudo para ter um filme próprio, pois, no seu ponto de vista, dará notoriedade e profissionalismo ao grupo de heróis considerado amador e ou, ao menos, a ele. Para tanto, leva a sua Liga de Titãs para Hollywood e tenta convencer a maior diretora de filmes de super-heróis de todos os tempos, Jade Wilson, a lhes dar uma chance cinematográfica. A resposta de Jade é curta e grossa: Um filme dos Titãs só no dia em que deixarem de ser uma piada, enfrentando e vencendo um vilão real! 

Toda via da boa peleja, porém, eis que, para felicidade geral do quinteto da DC Comics, a sorte (ou o azar) vai colocá-lo frente a frente com Slade (aquele que parece, mas não é o Deadpool, da concorrente Marvel), um novo vilão que decide aterrorizar Jump City..., uma cidade mais segura que GothamMas, será que, por um simples capricho, Robin estará disposto a um grande sacrifício, já que a fama tem o seu preço! E os Jovens Titãs, será que vão enfrentar o malvado Slade, para salvar a cidade e o mundo da sua demência ou apenas para aparecer em um filme? Saber mais do que isto, vai estragar o carrossel de surpresas..., e é uma atrás da outra, envolvendo super-heróis notórios e super-heróis obscuros em situações de perigo e ou (na maioria) ridículas, em Hollywood!


Pela irreverência e o tom jocoso das melhores paródias de super-heróis, com suas meta-gags impagáveis, a animação Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas, dirigida por Aaron Horvath e Peter Rida Michail,  vem sendo considerada uma versão infantil do sarcástico Deadpool..., que, aliás, é assunto de muitas piadas relacionadas ao Slade. Uma comparação nada descartável, já que o filme, além de não se levar a sério, aproveita a (meta)linguagem  ou o gênero cartoon/pastelão para ironizar os icônicos super-heróis dos universos DC e Marvel, com seus sucessos (como Guardiões da Galáxia, Liga da Justiça, Deadpool e Deadpool 2) e ou fiascos (como Lanterna Verde e Batman vs Superman - A Origem da Justiça). A mim, ele se aproxima mais da pérola LEGO Batman - O Filme (2017).


O bom de Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é que, para um cinéfilo adulto embarcar na grande onda de ação desmedida e aventura (quase) nonsense (com boas doses de humor negro) da trama, não requer conhecimento prévio dos alucinados Jovens Titãs. O ruim é que o público muito jovem e sem referências da origem dos mais famosos super-heróis (DC ou Marvel)..., e conhecimento de filmes como O Rei Leão (1994) e De Volta Para o Futuro (1985), por exemplo, que ganharam releituras (estreladas por Robin, Batman, Superman, Mulher Maravilha, Aquaman) em sequências antológicas (engraçadíssimas)..., vai ter que se contentar com os números musicais também absurdos (Canção inspiradora sobre a vida, é o mais colorido e maluco deles), sem entender muito bem o contexto narrativo e o humor negro (do enredo). Aí, sobram as piadas bobas de peido e de cocô..., que as crianças apreciam muito mais (?) que os adultos.


Enfim, considerando a excelência do roteiro de Horvath e Michael Jelenic e a competente direção de Aaron Horvath e Peter Rida Michail; reconhecendo a coragem de praticamente transformar um filme de super-heróis em uma comédia musical, com clipes hilários e diálogos inteligentes; notando que os personagens dos Titãs são bem resolvidos e que me surpreendi com o egoísmo de Robin; vendo que sempre que a DC investe no humor (nonsense ou negro), rindo de si mesma, suas produções crescem em qualidade; ressaltando que a DC Comics saiu ilesa e, com certeza, ganhou muitos pontos dos espectadores (que não curtem muito o seu lado mais sombrio, que parece voltar na versão live-action da nova série dos Jovens Titãs) ao fazer um mea-culpa pesado (!!!) do Batman vs Superman e bem dosar o humor no saudável gracejo com a Marvel (convidando para a sátira o próprio Stan Lee (- Excelsior!), que recria a famosa cena do figurante varredor de rua em 007 Quantum of Solace)..., Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é uma produção imperdível para quem ama desenho animado e paródia de super-heróis. Rindo até agora dessa deliciosa tolice, com suas meta-gags geniais...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Crítica: Megatubarão


Megatubarão
por Joba Tridente

O primeiro Tubarão (1975), de Steven Spielberg, a gente não esquece. Assim como o primeiro Sharknado (2013), de Anthony C. Ferrante. Entre o assustador e a paródia (e lá se vão 38 anos!) apareceram trocentos Tubarões genéricos. Um mergulho no Google é você encontra a fera dentuça dos mares em filmes para todos os gostos. Principalmente para os fãs de trash não falta material.

Megatubarão (The Meg, EUA/China, 2018), com roteiro preguiçoso de Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber, baseado no romance Meg (1997) de Steve Alten, e com direção de Jon Turteltaub, é um filme de ação tão linear quanto uma linha de pesca retesada. Ou seja: trama simplória, sem surpresas, personagens caricatos, diálogos curtos e toscos (ou moralista: Nós fizemos o que sempre fazemos: descobrir, para depois destruir.) e aquela manjada previsibilidade do “gênero”: tubarão atacando tudo que encontra pela frente e humanos buscando uma forma de eliminá-lo. Você tem dúvida de quem será o vencedor dessa grande peleja em alto mar e (de bônus) uma rapidinha pela praia repleta de turistas chineses?


Então, vamos lá: três oceanógrafos de uma estação de pesquisa submarina, ao se aventurar pelas profundezas do mar, onde nenhum homem jamais esteve, acabam esbarrando em um pesadelo gigantesco, um Megalodonte (dente enorme), o maior tubarão e ou predador pré-histórico de baleias de que já se ouviu falar. A boa notícia é que este é um achado de valor inestimável. A má notícia é que o (peixão) monstrengo está louco para variar o cardápio. E o tira-gosto, com os três apetitosos tripulantes, está encalhado bem ao alcance da sua bocarra. Será que vai ter sashimi para o almoço?


Bem (como nem tudo está perdido quando resta uma esperança...), tudo vai depender da resposta de um mergulhador chamado Jonas Taylor (Jason Statham), especialista em salvamentos, mas que, traumatizado com o resultado do seu último trabalho de resgate, anda preferindo se embebedar com cerveja e ganhar uns trocos em águas mais mansas com seu pesqueiro velho, na Tailândia. Porém, como é norma criar uma expectativa de suspense (em filmes desse porte) e todo espectador de cadeirinha sabe que o quê um personagem (protagonista) fala não se escreve, (isso não é spoiler, é clichê) é óbvio que quando ele souber quem está para ser devorado pelo Megatubarão, vai se curar do alcoolismo (de cinco anos em cinco minutos), aceitar o caso e ainda ficar para o rescaldo..., já que nenhum tubarão que se preze, mesmo sendo um cabeça oca pré-histórico, vai deixar barato tamanha ousadia em seu território, podendo contra-atacar no território do inimigo. E também, se não for para salvar (ou adoçar) o dia, para que serve um herói (proscrito!) que emborca cerveja atrás de cerveja sem perder a admirável forma física?


Assim, na maresia dos acontecimentos, com a astúcia (humana) e a força bruta (animal) se digladiando ao sabor das ondas, o clima padrão da narrativa multirracial, com pegadas científicas (por vezes constrangedoras), envolvendo patrões e empregados, segue-se a lengalenga dos traumas e dramas familiares, inimizades e ofensas pessoais, atos de heroísmo e de covardia, salvamento e morte, rivalidade e romance..., em meio a cenas de ação mirabolantes que, além de não meter medo algum, remetem a um viés (de situação) trash ou comédia (à beira do humor negro), com perseguições típicas de cartoon.


Enfim, considerando a direção claudicante e o script batido, que acrescenta absolutamente nada à filmografia de tubarões (principalmente depois da esculhambação de Sharknado); lembrando de algumas gags legais, no mar e na praia, principalmente as protagonizadas pelo gigantesco e insaciável tubarão sádico, que ajudam a engolir o passatempo com excelentes efeitos especiais (em 3D IMAX); certo de que as sequências de ataque (por serem tolas) parecem mais divertidas que traumatizantes e salientando que o elenco multinacional, que inclui Winston Chao, Rainn Wilson, Bingbing Li, Cliff Curtis, apenas cumpre o dever de casa..., Megatubarão, que começa com prólogo (até) dramático de um resgate de tripulantes presos em um submarino e ganha mais leveza e bom humor (involuntário!), a partir do segundo ato, é um filme pipoca que tem isca suficiente para fisgar o espectador (pouco ou nada exigente). Um filme-família totalmente esquecível cinco minutos após a sessão.  


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Crítica: Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo


Mamma Mia! La Vamos Nós de Novo
por Joba Tridente*

Em tempos de exploração gratuita de violência explícita, nos meios de comunicação e de entretenimento (incluindo animações), nada melhor que uma boa comédia musical romântica, como a irresistível Mamma Mia! La Vamos Nós de Novo, roteirizada e dirigida por Ol Parker, para levantar o astral, reequilibrar as energias e botar um sorriso sincero nos lábios do espectador (cansado dos horrores cotidianos). Escapismo? Talvez? Mas, atualmente, se a gente não escapar de vez em quando, por algumas poucas horas que seja, enlouquece!


Mamma Mia! La Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again, 2018), continuação que faz jus ao inesquecível Mamma Mia de 2008, sempre no embalo dos compassos sonoros contagiantes do grupo sueco de musica pop ABBA (1972-1982 e anunciado retorno para 2019), conta duas boas histórias amorosas que se entrelaçam. Numa, em flashback, conhecemos as versões jovens da esfuziante Donna (Lily James), logo após a sua formatura em Oxford, em 1979, e o itinerário aventureiro e romântico que a levou à paradisíaca ilha grega Kalokairi; de suas maiores amigas Rosie (Alexa Davies) e Tanya (Jessica Keenan Wynn); e dos seus três complicados amores Harry (Hugh Skinner), Bill (Josh Dylan) e Sam (Jeremy Irvine), futuros candidatos a pai de Sophie (Amanda Seyfried). Noutra história, em 2005, enquanto o marido Sky (Dominic Cooper) estuda hotelaria em Nova York, a insegura Sophie prepara uma homenagem à sua mãe Donna (Meryl Streep), falecida há cinco anos, com a inauguração do Hotel Bella Donna, onde reencontraremos as versões bem mais velhas de seus três complicados pais Harry (Colin Firth), Bill (Stellan Skarsgård) e Sam (Pierce Brosnan) e das ansiosas amigas Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski). Ali, em Kalokairi, já não é surpresa ou spoiler, quem também chega para abrilhantar (mesmo!) a festa, é Cher, como Ruby, a avó ausente de Sophie, que fará um divertido dueto com Andy Garcia, o sedutor Señor Cienfuegos, na famosa Fernando. E, para arrematar tudo, numa sequência comovente, quem dá o ar da graça é a diva Meryl Streep...


É claro que a vida não é um musical onde tudo se resolve com uma canção ou uma dança, uma utopia ao alcance de qualquer um (até para quem não tem dotes de cantor ou de dançarino), mas bem que poderia ser (ou ter sido)..., não fosse o egoísmo, o egocentrismo, a ganância que submete a grande maioria do gênero humano ao capital que nos distingue como civilização (?) serviçal. Será por isso que muitos de nós inveja a liberdade dos animais não-humanos e dos silvícolas remanescentes e se apega tanto às fantasias de uma vida bucólica? Será que a tecnologia, em algum dia futuro, nos libertará do trabalho estafante que hoje nos aprisiona e nos devolverá uma vida de sonho onde a amizade vale mais que o dinheiro? Com o avanço da ciência, é uma antiga cogitação. Mas, o que fazer com os crédulos da Terra Plana?


Em Mamma Mia! La Vamos Nós de Novo, a vida é uma festa que não se deixa frustrar pela tempestade passageira que (sempre) traz a reboque a bonança. A receita é simples, beirando a ingenuidade, mas repleta de ingredientes clichês que poderia desandar facilmente em outras mãos. Não faltam as doces armadilhas dos amores jovens e as agridoces dos velhos amores que se atam e desatam nas tramas da vida que sempre podem deixar alguns fios soltos para os retardatários apaixonados, na visão generosa de Ol Parker, que também roteirizou os adoráveis O Exótico Hotel Marigold (2011) e O Exótico Hotel Marigold 2 (2015), com seus personagens idosos acertando contas amorosas com o passado e ou descobrindo novos amores.


É fácil gostar de Mamma Mia! La Vamos Nós de Novo, com suas duas boas histórias, sua trilha envolvente (ainda que por vezes alguma balada soe melancólica) com 18 canções do ABBA (I Have A Dream, com arranjo grego, ficou exuberante!), sua coreografia simplória e seus personagens bem escritos e admiravelmente interpretados por todo o elenco (sem exceção!). A comédia, de um romantismo gostoso (assim-assim meio piegas), tem direção segura e ágil de Parker, que demostra muita criatividade também nas excelentes transições de tempo e de cenários campestres, em sequências de bela plasticidade.


Assim, ainda que você não seja lá muito amante de musicais (porque do nada alguém começa a cantar e a dançar suas alegrias ou dores de amores), se, em vez de ficar se ocupando com a coerência ou a plausibilidade do roteiro (que não precisa ser original para ser bom, desde que bem escrito), se deixar levar pela narrativa totalmente descompromissada, feito os adoráveis personagens por seus sonhos, pode se surpreender se remexendo na cadeira, cantarolando alguma canção e decididamente apaixonado pelo filme...


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Crítica: Missão: Impossível - Efeito Fallout



Missão: Impossível - Efeito Fallout
por Joba tridente

Para alegria geral dos fãs de um bom entretenimento escapista de ação e aventura sem limites, com uma pegada de suspense e pitadas de humor (eventual), o incansável e sempre prestativo agente (nada discreto) Ethan Hunt (Tom Cruise) está de volta para (mais uma vez) salvar o mundo e para um (recorrente) mea-culpa catártico, que o joga num turbilhão de emoções a medir seu futuro a partir de seus atos heroicos e de um traumático relacionamento amoroso do passado, em Missão: Impossível - Efeito Fallout (Mission: Impossible - Fallout, 2018).


Com roteiro e direção de Christopher McQuarrie (Missão: Impossível - Nação Secreta; Jack Reacher - O Último Tiro), dando sequência ao MI - Nação Secreta (2015), Ethan (Cruise) retorna para impedir que o terrorista Salomão Lane (Sean Harris, melhor aqui, que no filme anterior), tenha sucesso com suas ideias literalmente bombásticas (“quanto maior o sofrimento, maior a paz”) de explodir partes do mundo. Numa trama um bocado confusa e cheia de reviravoltas, onde, além de questões envolvendo terroristas ”Apóstolos do mal” (ex-Sindicato?) e negociadores de núcleos de plutônio, se discute também se a vida de um agente policial vale mais que a de milhões de humanos, Hunt irá precisar ainda mais dos parceiros Benji Dunn (Simon Pegg) e Luther Stickell (Ving Rhames) para desatar tantos nós..., e, é claro, de muita astúcia para saber até onde pode confiar na misteriosa agente britânica Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) e no arrogante agente americano especial da CIA August Walker (Henry Cavill).


Falar em roteiro mirabolante, em mais uma possível missão quase impossível, onde nem tudo é o que parece ser, é redundância. Efeito Fallout não foge à regra delineada nos primeiros filmes e se vale (bem) dos excessos de violência agregados a cada unidade para, com sua quase ininterrupta ação vertiginosa, compensar a narrativa embaralhada e que a maioria dos espectadores certamente deixará de lado logo na primeira reviravolta, se é que tenha entendido alguma coisa até ali. Quem se deixar levar pelo fiapo de história que "faz" algum sentido e se apegar mais nas providenciais sequências (revigoradas) de ação muito bem coreografadas (diga-se de passagem), com Ethan Hunt e seu incansável dublê Tom Cruise (mais uma vez) correndo a pé, de carro, de motocicleta, de helicóptero, para deter ou escapar dos vilões, irá aproveitar melhor a diversão passageira que, se possível deve ser vista em 3D IMAX (onde só a sequência na Caxemira, já vale o ingresso).


Missão: Impossível - Efeito Fallout tem algumas falhas ou soluções (discutíveis!) de script (preguiçoso) que não só subestimam a inteligência do espectador como parecem criadas apenas para justificar mais uma previsível sequência de perseguição e tiroteio, como aquela em que (não é spoiler, está no trailer) o agente secreto Hunt coloca o perigoso terrorista Salomão, com um capuz preto, sentado no banco do carona (ou seja: no banco da frente e bem na mira de qualquer bom caçador de recompensa) e três agentes (Benji, Luther e Walker) espremidos no banco de trás de um pequeno carro. Ãnnnn? Das soluções apressadas, foi a que mais me incomodou. Porém, como o foco é a ação desenfreada, que cobre praticamente uns 90% da trama (que é o que interessa ao espectador atrás de uma boa válvula de escape) e não o contexto sobre terrorismo e psicopatas (pois este não é nenhum analítico filme cabeça), uma ou outra escorregadela pode passar batida (no meio do barulho) e sem comprometer o desenvolvimento do enredo (um tanto pífio) e de seu previsível final.


Assim, considerando o ótimo elenco, a entrega (sempre) incondicional de Tom Cruise e a impactante presença de Henry Cavill, justificando a barba e o polêmico bigode; lembrando que os efeitos especiais impressionam (o que é aquela desesperadora cena do Salomão dentro d’água?); vendo que, mesmo com alguns vacilos, a direção de Christopher McQuarrie é acertada; ressaltando que o humor (mesmo involuntário) e pontuações dramáticas valorizam a história; reconhecendo que (mesmo parecendo requentadas) as cenas de tiroteio, pancadaria e perseguições, em formidáveis sequências por Paris, Londres e Caxemira (a dos helicópteros, com a luta no topo da montanha, me pareceu a melhor) vão fazer o público se mexer na cadeira..., este Missão: Impossível - Efeito Fallout pode ter um enredo confuso, mas em se tratando de filme de ação (tresloucada), embora se estique muito além do necessário, é eficiente e cumpre muito bem o que propõe: passatempo sem compromisso. É, sem dúvida, um ótimo entretenimento, mas o meu MI favorito ainda é Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (2011).


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Crítica: Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas


Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas
por Joba Tridente.

Quando uma franquia cinematográfica chega ao seu terceiro filme, já não há muita novidade sobre os personagens e os rumos da história. Mas, em se tratando da animação Hotel Transilvânia, espremendo as mangas, ainda é possível encontrar alguma surpresa nas cartas de navegação que o eficiente diretor Gendy Tartakovski (Samurai Jack) guardou e agora joga na mesa das apostas, cuja roleta do tempo traz o incansável e inescrupuloso caçador de monstros Abraham Van Helsing para a sua batalha definitiva contra o Conde Drácula, em Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas.


Roteirizada por Michael McCullers e Tartakovski, que também dirigiu Hotel Transilvânia (2012) e Hotel Transilvânia 2 (2015), a trama de férias começa a desfazer os nós em 1897 (a bordo do trem de passageiro Bavária/Budapeste), ilustrando todas as tentativas frustradas do ostentoso Van Hensing em eliminar o Conde Drácula até os dias de hoje, quando o caçador arquiteta o mais mirabolante e infalível plano para acabar com todos os monstros (de uma só vez) e que será colocado em prática durante um cruzeiro de luxo (especial para seres monstruosos) que começa no Triângulo das Bermudas e termina na “cidade perdida” de Atlântida, com seus cassinos e diversões típicas de Las Vegas.

Nesta peleja centenária, onde não há espaço para blefe, mas que está repleta de brechas para gags visuais e muito humor pastelão (e algumas boas metáforas), Van Helsing, agora reduzido a uma mirabolante engenhoca steampunk e vivendo no porão do seu imenso navio, e a sua decidida e impaciente bisneta Ericka, a dúbia capitã que mexeu com o coração solitário do tímido viúvo Drácula (em busca de um novo amor) farão de tudo para encontrar um antigo artefato que poderá ser fatal para monstros.


Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas, com sua fantástica viagem marítima ao redor de um mundo de aventuras muito além do Triângulo das Bermudas, é uma boa comédia de erros, onde não faltam ação, suspense, confusão romântica entre os casais e espaço para trapalhadas individuais ou em grupo de personagens queridos como o Geleia, a Múmia Murray, o Frankstein Frank, o Homem Invisível Griffin, o ruivo Dennis (e seu esperto cachorro gigante “Bob”), filho do humano Jonathan e da vampira Mavis. A viagem por águas desconhecidas é tão insólita que até mesmo o decrépito vovô Vlad é capaz de despertar interesse amoroso... Como não sou trailer, falar mais que isso é comprometer o enredo, desvelando grandes surpresas.


Assim, considerando a apuradíssima técnica cartunesca, que brinca com a forma física dos personagens; os fascinantes cenários e deliciosos achados visuais (como nas excelentes sequências no interior do trem e do avião dos Gremlins, ou no passeio de Drácula pelo convés e pelo fundo mar); a história linear com final razoável (que lembra o duelo musical de O Touro Ferdinando) e o humor fácil para o público infantojuvenil e seus acompanhantes adultos; o colorido agradável e a mensagem bacana sobre o excesso de trabalho e sobre a aparência física e as ações violentas que não distinguem homens e monstros (ironizando duplamente Van Helsing..., e os belicistas do mundo); o roteiro simples com soluções inteligentes para diferentes situações cômicas (relacionadas à tecnologia e ou ao amor)..., Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas pode não ser melhor que os dois filme anteriores, mas ainda diverte graças à inegável competência de Gendy Tartakovski e seus adoráveis monstros travessos.


*Joba Tridente: O primeiro filme vi (no cinema) aos 5 anos de idade. Os primeiros vídeo-documentários fiz em 1990. O primeiro curta (Cortejo), em 35mm, realizei em 2008. Voltei a fazer crítica em 2009. Já fui protagonista e coadjuvante de curtas. Mas nada se compara à "traumatizante" e divertida experiência de cientista-figurante (de última hora) no “centro tecnológico” do norte-americano Power Play (Jogo de Poder, 2003), de Joseph Zito, rodado aqui em Curitiba.

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