quarta-feira, 27 de maio de 2015

Crítica: Terremoto - A Falha de San Andreas


Quando se fala em filmes-catástrofes o primeiro nome é sempre o do exagerado diretor alemão Roland Emmerich (Independence Day, O Dia Depois de Amanhã, 2012), que adora detonar Los Angeles nas telonas. Mas sempre tem algum “novato” querendo desbancar o megalomaníaco alemão, principalmente nos efeitos especiais, como Brad Peyton com o seu catastrash Terremoto - A Falha de San Andreas.


Terremoto - A Falha de San Andreas (San Andreas, 2015) é um filme romântico de ação e aventura com pitadas de humor involuntário (?) beirando a paródia. O roteiro é uma imitação barata e sem a menor criatividade e ou originalidade dos baratos mockbusters da Asylum para o canal SyFy. É que o gênero trash (que eu adoro!) requer uma malandragem que muito “queridinho” de Hollywood não tem. Por isso, imagino quantos neurônios devem ter torrado os roteiristas Allan Loeb, Carlton Cuse, Carey Hayes e Chad Hayes para desenvolver o “complexo” enredo que esvoaça ao redor de Ray (Dwayne Johnson), um piloto de helicóptero de resgate que, em meio ao terremoto (escala 9) do título, viaja pelo ar, por terra e por mar, de Los Angeles a São Francisco, só para salvar a sua ex-esposa Emma (Carla Gugino) e sua filha Blake (Alexandra Daddario) que, por sua vez, imbuída do mesmo sentimento de solidariedade paterna, está ajudando dois irmãos ingleses, Ben (Hugo Johnstone-Burt) e Olie (Art Parkinson), numa contrafuga absurda em meio ao caos.


Sim, sim, eu sei é uma história que requer muita concentração, inclusive do espectador..., são muitas informações a serem processadas: um solitário piloto (de resgate) que não mede esforços parar salvar a ex-mulher e a filha surpreendidas por um terremoto previsto por um (eu disse um!) sismólogo, Lawrence (Paul Giamatti). Ah, esqueci de dizer que a família está em crise, a ex-mulher está namorando um rico empresário Daniel Riddick (Ioan Gruffudd) e a filha dividida entre o amor de pai e o charme do futuro padrasto e prestes a se apaixonar.

Os diálogos (ou seriam monólogos?) são primorosos: Eu te amo! Vamos sair daqui! Eu prometo! Corram! Saiam daqui! Por que você nunca me disse? O que está acontecendo? Vamos sair daqui! É uma promessa! Esse lugar é meu! Eu acredito em você! Não podemos ficar aqui! É minha culpa! Não parem! Vamos!..., todos pérolas trash pescadas dos originais da Asylum, junto com o mote: discutir a relação em meio ao caos (presentes em todas as produções do SyFy).


Deixando a "complexa" história doméstica de lado, é hora de falar da fúria da “maquiavélica” natureza que desperta de um sono centenário para por abaixo tudo quanto é edifício alto: crash! As panorâmicas do antes, durante e depois dos abalos impressionam e ficam muito divertidas com sequências bizarras, na base do quanto pior melhor. O palco de destruição parece um jogo de tabuleiro cheio de provas estúpidas a serem vencidas. Algumas decisões são dignas da excelente série da BBC: Deu a Louca Na História.

Mesmo sabendo, desde o começo, como será o fim da catastrófica trama americanacionalista, você vai querer testar o seu nível de paciência (ao acompanhar a determinação dos cinco intrépidos protagonistas) e de conhecimento cinematográfico, anotando quais cenas você acha que viu no filme 2012. Já ia me esquecendo, além do drama da família e dos desmoronamentos espetaculares, tem a monótona fuga em massa dos moradores da região: um morre aqui e outro acolá (sem sangue explícito!); uma menina foi esquecida aqui e uma mulher acolá.


Enfim, Terremoto - A Falha de San Andreas é um catastrash (catástrofe+trash) que, dependendo da sua expectativa pode ser muito divertido ou um verdadeiro abacaxi. Não é deliciosamente horrível como um trash original, mas tem lá os seus momentos e muitos furos. Clichês e efeitos especiais fantásticos não faltam. Eu não sou sádico e me solidarizo com todas as vítimas dos terremotos reais (oh!), mas não consegui me conter diante da encenação hollywoodiana e ri como se estivesse diante de um circense Emmerich, outra grande referência a Peyton. Se quiser ver, vá por conta e risco. Assim como a enxurrada de merchandising, é um entretenimento esquecível até o próximo detona quarteirão.

Na boa..., se você acreditar (mesmo!) na sequência inicial (adolescentes, não façam isso na estrada!), com certeza vai aceitar todo o resto.

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