quarta-feira, 14 de maio de 2014

Crítica: Godzilla


Que Godzilla é um simpático lagarto japonês, todo mundo sabe, até mesmo os japoneses. O dinossauro que ganhou notoriedade em 1954, no filme japonês Godzilla, exorcizando na telona os horrores da 2ª Guerra Mundial, principalmente o ataque atômico (de 1945) a Hiroshima e Nagasaki, vem resistindo ao tempo e ganhando releituras (animações, hqs) inclusive (é claro!) norte-americanas, como a Godzilla (1998), de Roland Emmerich, com aquela pegada de humor (trash) tradicional em seus filmes-catástrofes.

Agora, em 2014, o sessentão Godzilla está de volta na versão de Gareth Edwards (do excelente Monstros). A nova história não varia muito o despertar do Rei dos Monstros e, de quebra, de dois inimigos: abalos sísmicos, testes nucleares, radioatividade, estupidez humana, arrogância, prepotência etc. O roteiro é simplório, a trama é redondinha, na medida para crianças e adolescentes: família (quase) feliz, pai ausente, cientistas em conflito, tragédia, autoritarismo, medidas idiotas, atos “heroicos”. Excetuando a dieta dos inimigos de Godzilla, há nada que não se tenha visto em trocentos filmes do gênero catástrofe, principalmente quando ela (a catástrofe!) é desencadeada pelos militares (norte-americanos) e ou que eles (os estadunidenses) são convocados (sempre) para resolver o problema (alheio), geralmente da forma (bélica) mais radical.

Gostar ou não de um filme, muitas vezes (no meu caso) depende do grau de expectativa. O trailer de Godzilla, com seu clima de mistério e insinuações de muita ação e aventura, pareceu convidativo. Já o filme não me pareceu tão promissor assim, com seu drama-clichê sem muita convicção e nenhum personagem humano interessante e ou que mereça um mínimo de atenção e ou preocupação em suas tramas secundárias (mesmo!). É tudo muito “então, tá!”. Por vezes lembra o combatido Emmerich, que (é claro!) também não dispensa clichês.


Tubo bem que (cinematograficamente) não se faz catástrofe urbana sem drama humano (piegas) expondo crianças e bichinhos de estimação em situação tensa, mas esta, envolvendo japoneses, havaianos, americanos..., poderia ser encurtada (em cacos), no mínimo, em meia hora, sem qualquer perda narrativa. Em mais de duas horas de duração, apenas ¼ do filme é ocupado pelos monstrengos: o velho simpático e pesadão e lento Godzilla e os feiosos parasitas MUTO, misto de orangotango com pterodáctilo e gárgulas-águias Art Déco da Chrysler Building, em NY. Os outros ¾ são enrolação com burocrático e previsível drama familiar e jogo de cena militaresca estadunidense. 

Godzilla (Godzilla, EUA, 2014) ganha alguma ação (e ritmo) apenas quando aparecem (ainda que de relance) um monstrengo ou outro. Na verdade os MUTO aparecem bem mais que Godzilla...., não porque são um pouco mais ágeis, mas porque têm pressa (você vai dizer que já viu desfecho subterrâneo bem parecido!). Até mesmo a luta entre os três bichos é meio devagar. Não empolga! Em momento algum o filme provoca alguma sensação de medo, pavor, ou terror. Nem provoca algum riso, já que não tem uma piada (nem escatológica!) sequer. Como disse, acima, é tudo muito “então, tá!”. 

Enfim, considerando que Godzilla é infantojuvenil, não é tão divertido e envolvente quanto ao Círculo de Fogo, de Guillermo Del Toro..., mas que os efeitos especiais, e ao menos a parte dos monstrengos, são excelentes e que o elenco (Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Bryan Cranston), mesmo ciente da insignificância de seus personagens, é dedicado, o filme pode agradar ao espectador menos ansioso que eu. Se houver (con)sequência, é bem provável que o gorducho lagartão americanizado, com sua dieta de refrigerante e batatinhas, volte mesmo é como um lutador de sumô.

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