quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Crítica: Uma Aventura Lego


Uma Aventura Lego
por Joba Tridente

Quem consegue resistir aos convidativos tijolinhos Lego? O brinquedo de encaixe, criado nos anos 1930, pelo dinamarquês Ole Kirk Christiansen, e lançado no Brasil na década de 1980, é um dos mais populares em todo o mundo. Seus fãs clubes são formados por crianças e adultos que, além de cenários e objetos fantásticos, fazem mirabolantes versões, em curta metragem, de filme como Star Wars, Batman, Matrix.

Segundo a Wikipédia, o nome LEGO vem da união de duas palavras dinamarquesas: “leg godt”, que quer dizer: "brincar bem". Não há dúvidas de que o colorido brinquedo aguça a criatividade de qualquer pessoa. Porém, o que esperar de um longa-metragem inspirado no Universo Lego? Apenas uma longa publicidade do produto? Ledo engano! É claro que o filme vende o conceito “brincar bem”, mas, acredite, a animação Uma Aventura Lego (Lego Movie, Austrália, EUA, Dinamarca 2013), escrita e dirigida por Phil Lord e Chris Miller, é tão desconcertante e maravilhosamente criativa que, como se dizia antigamente: se melhorar estraga.


Tudo bem, 2014 só está começando, com destaque para duas grandes produções: Frozen, animação musical da Disney (inspirada apenas no título do conto A Rainha da Neve, de Andersen), que nasceu pronta para os palcos da Broadway, e O Menino e o Mundo, a bela animação brasileira dirigida por Alê Abreu. Há grandes promessas do gênero para o resto do ano, mas não vai ser fácil superar o impacto visual e narrativo do anárquico Uma Aventura Lego em 3D.

Antes de mais nada, quanto menos você souber do enredo, mais divertido será embarcar nessa viagem amalucada de monta e desmonta tijolinhos, por isso serei breve: Emmet é um ingênuo operário de construção, acostumado a seguir as regras de uma manual de instruções cotidianas, como qualquer cidadão local. É um carinha feliz, que vive feliz em Bricksville, onde os dias se repetem iguais nas construções e demolições e nos (horríveis!) programas de humor na TV. Numa certa tarde de felicidade plena, ele, que nunca pensou fora da caixinha, se descobre peça-chave (ou tijolinho de resistência) de um plano capaz de por fim a tanta alegria. Aí começa, a todo vapor, a louca aventura desse simpático anti-herói.


Repleto de personagens dos mais diversos universos, todos plenamente identificáveis (e com importância na trama!), é difícil saber quem rouba a cena de quem. Pulando de uma plataforma para a outra, como se em um grande game (o que lembra o delicioso Detona Ralph), com seus diversos níveis de dificuldade, estão a rebelde Mega Estilo, o indefectível Batman (com seu pretinho básico), o antiquado Spaceman, os super-heróis Lanterna Verde e Superman (entre outros), o místico Vitruvius, o perverso Senhor Negócios, a “doce” gata-unicórnio UniKitty, o duas caras Policial Mal/Policial Bom... Essa mistureba toda será muito bem justificada no final da divertida saga, que não perde nem o ritmo e nem o rumo da história que tem argumentos mais do que suficientes para agradar as crianças e os adultos.


Uma Aventura Lego é uma inspiradíssima comédia de ação que já nasce clássica. A paródia não dá trégua um minuto sequer. Em meio ao nonsense e ao humor pastelão, que roça no universo cinematográfico, esportivo, literário..., há uma piada que (possivelmente) terá outro sabor para os fãs de HQs, desde que de boa memória. Ou não! Até a música-tema chiclete é achincalhada em cena. A animação impressiona muito pelo seu colorido e técnica de desenvolvimento das personagens. O movimento das peças no cenário, que vai se transformando cena a cena (o mar é de cair o queixo!), é tão perfeito que faz a gente pensar que é stop motion e não CGI (Computação Gráfica). Enfim, uma brincadeira inteligente que faz valer o 3D. Ah, sugiro que espere até que os créditos finais comecem a subir, para apreciar um pouco mais o trabalho primoroso com os tijolinhos coloridos. 

NOTA: No site The Telegraph você pode ver fascinantes Ícones Culturais em Lego.

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