terça-feira, 14 de maio de 2013

Crítica: Reino Escondido


... enquanto isso, no Reino da Animação, mexe e vira e mexe e um velho argumento reaparece evocando a benevolência da luz contra a malevolente escuridão: lendários heróis de uma legião de bem em pé de guerra contra lendários vilões de uma legião do mal.

Reino Escondido (Epic, EUA, 2013) é um filme de ação e aventura, com pitadas de humor e romance, dirigido ao público infantojuvenil. O tema central é o equilíbrio do meio ambiente. A história gira em torno de Maria Catarina, ou M.C, uma adolescente em busca de um relacionamento cordial, social e familiar com o seu pai, o excêntrico Professor Bomba, que desenvolve pesquisa sobre minúsculas criaturas que só ele acredita ver. Em meio a encontros e desencontros com o pai, M.C acaba envolvida numa acirrado combate entre os “inexistentes” Homens-Folha e Boogans e vai parar no bucólico Reino Encantado e Escondido dos homúnculos. Ali, ela conhece o determinado Ronin, líder dos Homens-Folha e tutor do adolescente rebelde sem causa Nod, com quem vai juntar forças para destruir o exército de pragas do aniquilador Mandrake e cumprir uma difícil missão.


Com o seu deslumbrante visual e realismo avatariano, resquícios estéticos de Fantasia (1940) e lembrança, digamos, documental do famoso caso Fadas de Cottingley (1917)..., Reino Escondido, dirigido por Chris Wedge, ganha o espectador logo de cara. Mas não lhe alcança de imediato o coração. Isso porque, inspirado no interessante conto infantil The Leaf Men and the Brave Good Bugs (1996), de William Joyce, os seus cinco roteiristas (incluindo Joyce) preferiram apostar no lugar comum das histórias fantásticas sobre seres protetores das florestas a mergulhar na originalidade do livro, que acrescenta os percalços da velhice ao assunto.


Para os amantes da Natureza em todo o seu esplendor (de fauna e flora) mítico, Reino Escondido talvez não seja o esperado prato de sabores ocultos, mas deve mexer com os seus sentimentos. Se a sensação de “história já vista” se dá pelo tema (biologia), explorado em diversas animações mundo afora (principalmente no Japão), o mesmo não pode ser dito da impressionante tecnologia que detalha os bonitos e carismáticos personagens e as sequências de batalhas (à la Star Wars) em cenários de cair o queixo. É o que faz valer o ingresso, além de deixar o espectador se perguntando se a floresta é real ou CGI.


A previsibilidade do roteiro simplório e edificante (sem ser piegas), talvez incomode o acompanhante adulto, mas não deve afetar a garotada extasiada com a possibilidade de um mundo de gentes e bichos estranhos habitando lugares encantadores a poucos centímetros dos seus pés. Porém, sabendo ou não como termina essas histórias de graciosas fadas, elfos, flores, caramujos, lesmas, sapos, lagartas e atrapalhados humanos.., a dica é relaxar, rir de algumas piadas infantis, e curtir o belíssimo visual em 3D (de profundidade).

Ah, no próximo refri ou pipoca, você pode nem se lembrar mais do filme, o difícil (mesmo) vai ser esquecer a terrível dublagem (sem noção) de Murilo Benício, dando uma personalidade irritante e antipática ao simpático cientista maluco Bomba. Bem que podia ser o contrário.

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